Dia de treinos em Singapura junta trio de ferro, mas é cedo para falar em confronto direto

O primeiro dia de treinos livres da F1 em Singapura disse muito pouco sobre o que deve acontecer na corrida de domingo. Isso porque Max Verstappen não teve grande tempo de pista, enquanto a Mercedes enfrentou seus próprios medos. A Ferrari, sim, pareceu melhor do que nas últimas etapas, mas fechou a sexta-feira sem referências. No entanto, todo mundo procurou ritmo de classificação, buscando o melhor lugar possível no grid

Sendo Marina Bay um circuito de natureza muito particular, com suas 23 curvas, algumas delas bem apertadas, o primeiro dia de treinos livres do GP de Singapura de Fórmula 1 desenhou uma batalha muito mais próxima entre as três primeiras equipes do grid. Isso porque o traçado urbano demanda não só um acerto que privilegie o downforce e um controle consciente dos saltos, mas também uma forte posição de largada – não é fácil ultrapassar, e esse elemento é ainda mais acentuado pela nova configuração dos carros, com pneus maiores. Assim, a sexta-feira (30) surge um tanto inconclusiva, uma vez que os times tentaram pensar mais no sábado do que no domingo.

E essa percepção vem do fato de que todo mundo enfrentou algum tipo de preocupação ao longo das duas sessões – contratempos que variaram de problemas mecânicos a tentativas fracassadas de voltas limpas, especialmente na segunda atividade da programação. De todo jeito, a Ferrari foi capaz de limitar os prejuízos e, ainda assim, comandar as ações, mas isso não faz dela favorita – ao menos, não imediatamente, ainda que Carlos Sainz tenha fechado o dia com a melhor marca de 1min42s587 – 0s2 melhor que seu companheiro de escuderia, Charles Leclerc.

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Acontece que os italianos tiveram trabalho nas garagens. A equipe de Maranello planejava atualizações para a corrida em Singapura, mas preferiu recuar. Além disso, o monegasco perdeu um longo tempo no TL2 com o carro parado nos boxes, enquanto mecânicos mexiam em assoalho, freios e suspensão. Quando finalmente foi à pista, Charles até conseguiu um registro interessante, mas não o bastante para liderar. De todo o modo, o vice-líder do Mundial deixou a SF-75 mais confiante para a classificação do que propriamente para o domingo, o que corrobora a opção que a Ferrari fez para a etapa deste fim de semana – e que tem feito com certa frequência em 2022, mas que pode fazer mais diferença agora.

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Carlos Sainz foi o mais rápido do dia na noite de Singapura (Foto: Ferrari)

“Nunca é ideal perder tanto tempo em uma pista de rua. Quanto mais voltas você faz, mais rápido fica. Mas, novamente, não estou muito preocupado. Só não foi um dia perfeito, mas tenho certeza de que vamos recuperar esse terreno no TL3 amanhã”, afirmou Charles.

“Apenas sinto que não tivemos como simular o ritmo de corrida hoje. De qualquer jeito, a classificação aqui é muito importante. A nossa performance em volta única é muito forte. Só não temos ainda ideia do desempenho em corrida. Porém, vamos dar o nosso máximo e mirar a pole”, completou.

Líder do dia, Sainz confirmou o cenário apresentado pelo colega, mas entende que a Ferrari terá uma briga mais dura na classificação. “Ainda temos algumas coisas a observar, acho que 6 carros vão brigar lá na frente. Ficamos mais confortáveis no TL2, mas ainda não chegamos ao ponto que gostaríamos. Precisa de muita confiança para encaixar uma volta boa aqui e nós ainda não estamos totalmente satisfeitos. Tenho margem para crescer também na minha performance, chegar mais perto dos muros. A Red Bull e vários outros times tiveram problemas e certamente vão evoluir amanhã, acho que Red Bull, Ferrari e Mercedes crescem amanhã”, explicou o espanhol.

Sainz tem razão em projetar um crescimento das rivais neste sábado, principalmente dos taurinos. Um dos pontos que mais chamam a atenção em 2022 é a capacidade de adaptação que a Red Bull tem mesmo em cenários que não a favorecem. O traçado urbano de Singapura não é realmente o melhor para o RB18, entretanto, não se pode subestimar o conjunto energético. Pesa também o fato de que o time comandado por Christian Horner viveu uma sexta-feira complicada, marcada por problemas técnicos e mecânicos nos dois carros, além de um trabalho forte em cima do acerto, buscando um compromisso delicado entre o ritmo de classificação e corrida.

Max Verstappen está perto do bicampeonato (Foto: Red Bull Content Pool)

Sergio Pérez enfrentou mais contratempos e também sofreu nas ruas de Marina Bay. O mexicano foi só o nono no TL2, com apenas 13 voltas completadas. Obviamente, não é Pérez o melhor indicador da Red Bull, esse papel, claro, é de Max Verstappen. Celebrando o aniversário de 25 anos, o holandês exibiu competividade no primeiro treino do dia – terminou a pouco mais de 0s1 de Lewis Hamilton, apresentando uma configuração consistente. Na segunda sessão, porém, quando o trabalho de afinar o acerto começou, as coisas não saíram exatamente como os taurinos queriam. Ainda assim, o quase bicampeão tirou um quarto tempo em meio a final de sessão agitado. Também como a Ferrari, a Red Bull não tem dados mais precisos sobre o ritmo de corrida – Max também ficou longo tempo nos boxes e completou somente oito voltas.

“Acho que começamos muito bem no TL1, o carro estava funcionando de acordo com que queríamos. No TL2, optamos por testar algumas coisas — mas elas demoraram a ser alteradas em primeiro lugar, então tentamos algo novo, que também demorou. Por isso, não conseguimos andar muito. O que mostramos no TL2 não é representativo (do desempenho), mas claro, ainda há muito espaço para melhora”, analisou Verstappen, que também colocou a posição de largada como fator determinante.

“Aqui, o mais importante é ser rápido no ritmo de uma volta. Vamos analisar muitas coisas, fizemos uma sequência longa no TL1. Não acho que vai ser o fim do mundo”, acrescentou o dono do carro #1.

Verstappen jamais venceu em Singapura, mas está perto de fechar o campeonato neste fim de semana. O piloto precisa de uma combinação de resultados, além da vitória no domingo.

Esse primeiro cenário da F1 em Singapura é completado pela Mercedes. É de conhecimento público que o carro prateado prefere circuitos com mais curvas do que retas, e esse é o caso de Marina Bay. O problema está na ondulação de traçados de rua – Mônaco e Azerbaijão ainda seguem no imaginário dos mercedistas. Portanto, os engenheiros optaram por um acerto com uma pequena elevação do assoalho, com o objetivo de amenizar os quiques – sim, eles voltaram com força, e não foi só os alemães que sofreram. E esse efeito fez com que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) alterasse a diretiva técnica para relaxar as indicações quanto à oscilação vertical do carro. Mesmo assim, os comandados de Toto Wolff tiveram trabalho.  

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Lewis Hamilton liderou a primeira sessão de treinos livres em Singapura (Foto: Mercedes)

Hamilton liderou no primeiro treino e achou que a configuração caminhava em uma direção correta. No TL2, essa sensação mudou na medida em que a equipe precisou também reavaliar as condições de clima e do próprio circuito. “Foi praticamente como em todos os outros fins de semana, eu diria. O carro está como está, pulando que nem doido. Não parece que progredimos imensamente aqui, ainda estamos 1s atrás ou algo assim. Mas vamos seguir trabalhando”, disse o heptacampeão.

“Não há muito o que fazer com relação aos quiques, é o que é. Quanto à configuração, acho que George (Russell) conseguiu achar mais tempo de volta. Pelo meu lado, posso achar mais tempo também, só não consegui uma volta limpa — e acho que minha configuração me fez travar muito. Mas vamos arrumar isso hoje à noite e tentar o nosso melhor amanhã”, emendou.

De fato, Russell foi o terceiro mais veloz do dia, enquanto Lewis terminou em quinto – Verstappen ficou entre os carros prata.

No fim das contas, há realmente um potencial de crescimento do trio de ferro, mas em diferentes direções. Só que, da maneira como a sexta-feira se coloca, incerta, ainda é cedo para vislumbrar um confronto direto no domingo.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP de Singapura de Fórmula 1. No sábado, o TL3 está marcado para 7h [de Brasília, GMT-3], enquanto a classificação começa às 10h.

 +Onde assistir ao vivo à etapa de Singapura da F1 de temporada 2022

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