Ferrari defende veto a criação de limite de preço para venda de motores para equipes-clientes na F1

Maurizio Arrivabene, chefe da Ferrari, disse que a equipe italiana apenas exerceu um direito ao vetar o plano para a introdução de um plano para limitar os preços dos motores. Dirigente garantiu que time age com parcimônia e afirmou que, antes deste, o último veto havia sido usado por Jean Todt

A Ferrari defendeu o veto que aplicou ao plano da FIA de estipular um preço máximo para os motores da F1. Na visão da equipe italiana, é errado colocar um limite agora que as montadoras já comprometeram seus orçamentos com o planejamento para o desenvolvimento das unidades de força.

A discussão ainda entrou em outro âmbito: se é certo ou não que a Ferrari tenha direito a este veto.

Todavia, Arrivabene foi bem incisivo ao falar do assunto.

"É fácil. Nós exercemos o nosso veto de acordo com o nosso legítimo direito comercial para fazer negócios como uma fabricante de unidades de força. Nada a adicionar", falou ao ser questionado pela primeira vez.

Maurizio Arrivabene é o chefe da Ferrari na F1 (Foto: AP)

Depois, perguntado novamente, continuou: "Por que precisamos justificar mais do que isso? Estamos falando de um direito comercial. Não estamos falando sobre orçamento, sobre nada mais. Se alguém te pedir e te der uma especificação para você fabricar maçãs. OK, você produz maçãs de acordo com o que te pediram. Esse alguém chega e fala 'OK, queremos impor o preço da maçã', o que você vai fazer? Este é um princípio. Nada a ver com o resto".

"Não estamos nos posicionando contra outra equipe. É uma decisão tomada para defender um princípio comercial. Estamos abertos a encontrar outra solução. Somos uma companhia pública agora, mas também em uma empresa como a Mercedes, você tem custos de pesquisa e desenvolvimento que, de alguma forma, precisa recuperar. Eu não conheço entidade comercial no mundo que entregue seu produto de graça para o mercado, ou a preço de custo. Este é o princípio", asseverou.

No final, Arrivabene fez questão de deixar claro que a Ferrari usa este direito de veto com parcimônia. "Eu gostaria de ressaltar que não estamos usando esse veto em todas as reuniões. Se a gente vai usar, pensa miuto sobre e só fazemos se, na nossa opinião, é realmente necessário. O último que eu me lembro foi aplicado pelo Jean Todt há muitos anos", declarou.
Toto Wolff mostrou compreender a decisão da Ferrari (Foto: Getty Images)

É certo que a Ferrari tenha o veto?

Durante a coletiva da FIA, as outras equipes não se manifestaram contra a Ferrari ter tal direito. Toto Wolff, da Mercedes, na verdade defendeu que uma marca tão importante para a história da F1 tenha este direito.

"É muito mais complexo do que 'sim ou não', e eu acho que este é um direito histórico que foi conquistado por ter participado do esporte por 50 ou 60 anos. Deus sabe quantos anos. O veto é a forma correta de honrar isso. Eu acho que alguém como a Ferrari precisa ter direito a uma forma diferente de expressar sua opinião do que alguém que está aqui há dez minutos", afirmou.

Toto também foi questionado se outras equipes que estão há décadas na F1 tivessem direito ao veto, como a Williams ou a McLaren. "Se todos tivéssemos um veto, não faria mais sentido", rejeitou.

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