FIA desiste de investigar protesto de Hamilton no pódio do GP da Toscana

Lewis Hamilton protestou contra violência policial no pódio do GP da Toscana e quase se encrencou com a FIA, que cogitou investigação. A BBC afirma que a entidade voltou atrás

No fim das contas, Lewis Hamilton não arranjou confusão com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Um dia após surgir a informação de que a entidade considerava investigar o protesto do hexacampeão no pódio do GP da Toscana, a BBC afirma que o caso já foi arquivado.

O protesto de Hamilton foi através do uso de uma camisa por cima do macacão. A mensagem era ‘arrest the cops who killed Breonna Taylor’, ou ‘prendam os policiais que mataram Breonna Taylor’. Foi uma quebra de protocolo que chamou atenção da FIA.

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A FIA não vai investigar Lewis Hamilton (Foto: Reprodução)

A FIA não vai punir ou repreender Hamilton. Só que, ainda de acordo com a BBC, a entidade vai aproveitar a oportunidade para esclarecer o que é permitido e o que não é no pré-corrida e no pódio.

Hamilton supostamente quebrou o artigo 1.2 do estatuto da FIA. O trecho afirma: “A FIA vai evitar se manifestar sobre discriminação por raça, cor, gênero, orientação sexual, etnia, idioma, religião, filosofia, política, situação familiar ou deficiência em suas atividades”.

Entretanto, Hamilton deixou claro que não pensa em parar de protestar. Pelo contrário, vai seguir jogando luz e levantando o debate sobre a discriminação, desigualdade social e a repressão policial.

Lewis Hamilton mandou recado direto à FIA: “Não vou parar” (Foto: AFP)

“Bom dia, mundo. Espero que, onde quer que esteja, que você permaneça positivo em corpo e mente. Quero que saiba que não vou parar, não vou desistir, não vou desistir de usar esta plataforma para jogar luz sobre o que acredito ser o correto”, escreveu o bicampeão nos stories de sua conta no Instagram.

“A vocês que continuam me apoiando e mostrando amor, sou muito grato. Mas esta é uma jornada para todos nós nos unirmos e desafiar o mundo em todos os níveis de injustiça, não somente racial. Podemos ajudar a tornar este mundo um lugar melhor para nossos filhos e as gerações futuras”, acrescentou.

A postura da federação vai na contramão da própria Fórmula 1, que iniciou a campanha ‘We Race as One’. O objetivo do certame é se tornar mais inclusivo em uma temporada que se tornou particularmente desafiadora por conta da pandemia do coronavírus.

Quem é Breonna Taylor?

Ao lado de George Floyd, o assassinato de Breonna Taylor foi o outro grande estopim das manifestações deste ano. Breonna, mulher preta de 26 anos, era paramédica quando, em março, a polícia invadiu sua casa, na cidade de Louisville, estado norte-americano do Kentucky, na calada da noite.

O motivo da invasão foi uma ordem de mandado de busca e apreensão que não precisava de batida na porta, daqueles que podem ser realizados com pé na porta de supetão. O alvo era um ex-namorado de tempos atrás da paramédica, suspeito de vender medicamentos controlados. As investigações posteriores provaram que nada de errado jamais fora conduzido na casa de Breonna, que nem sabia da situação e nada de culpada tinha em casa ou na história. Ela e o suspeito, Jamarcus Glover, tinham terminado o relacionamento meses antes.

Os policiais não apenas entraram na casa, mas nem sequer se anunciaram como policiais, o que fez o namorado de Taylor, Kenneth Walker, que dormia ao lado dela, acreditar que se tratava de invasores. Pegou, então, uma arma – registrada e legal -, e fez com que os policiais atirassem 20 vezes na direção dele. Segundo testemunhas anônimas no local, um dos policiais estava do lado de fora da casa e atirou por uma janela que tinha cortina fechada – sem qualquer visão do local, portanto. Breonna Taylor estava dormindo e foi atingida oito vezes. Morreu na hora.

A acusação foi de “total desrespeito com a vida humana”, uma vez que nada havia contra Breonna Taylor e, mesmo assim, sua casa foi invadida de forma silenciosa como se tratasse de busca a um assassino perigoso. O número de tiros em direção também foi flagrante. A autópsia de Taylor aponta que a morte foi homicídio.

Pouco depois, o chefe da polícia de Louisville, Steve Conrad, anunciou que se aposentaria no fim do mês de junho, acuado pelas críticas. Entretanto, antes disso, foi demitido após outro homem preto, David McAtee, ser assassinado pela Guarda Nacional do Kentucky em Louisville durante manifestações pacíficas pela morte de Taylor e Floyd. Os mandados policiais que não exigem manifestação prévia foram suspensos pela prefeitura da cidade.

Os três policiais responsáveis pela batida e morte? Jonathan Mattingly, Brett Hankison e Myles Cosgrove foram colocados em reatribuição administrativa. A corregedoria local e a polícia federal investigam o caso, mas nenhum dos três foi demitido e, muito menos, preso.

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