Fórmula 1 quebra terceiro maior intervalo da história e volta após 217 dias

Quando a Fórmula 1 largar, no próximo domingo, encerrará a terceira maior sequência sem provas oficiais na história. A maior em quase 60 anos

A Fórmula 1, enfim, está de volta. Após mais de sete meses, o Mundial retoma a pista em atividade oficial competitiva, no próximo fim de semana, na Áustria. Quando receber a luz verde em Spielberg, o campeonato quebrará um intervalo histórico. Com 217 dias entre o GP de Abu Dhabi de 2019 e a prova austríaca de 2020, a F1 interrompe o terceiro maior hiato de toda sua trajetória no que diz respeito às corridas oficiais.

A completa linha do tempo do Mundial deste ano foi afetada de maneira grosseira pela pandemia. A expectativa era começar em 15 de março, na Austrália, e realizar 22 corridas: seria, assim, o mais extenso campeonato da história. Após a explosão de contágio da Covid-19 tudo isso deixou de ser realidade.

O pontapé inicial ser na Europa é, por si só, um marco: será a primeira vez desde 1966 que o campeonato começa no Velho Continente. Após aquela ocasião, quando iniciou os trabalhos em Mônaco, a Fórmula 1 abriu as temporadas na África do Sul, Argentina, Brasil, Estados Unidos e Austrália nos últimos 53 anos.

Outra novidade é o começo em julho. A última vez que a F1 ainda não havia disputado um GP antes do fim de março foi em 1988, ao passo que a temporada 1951 era a que começara mais tarde, no dia 27 de maio. Desta feita, o debute de 2020 é o mais atrasado de todos os tempos.

O surto global da Covid-19 afastou os planos e os carros da pista por um período que, na F1 moderna, parece impensável. Ao longo da história, entretanto, há duas outras oportunidades em que o grid teve de esperar por mais que sete meses e quatro dias – ou 217 dias – para voltar a alinhar.

Bruce McLaren no GP de Mônaco de 1962 (Foto: Forix)

224 dias

O segundo maior intervalo entre etapas do Mundial de Fórmula 1 aconteceu há 58 anos, entre 8 de outubro de 1961 e 20 de maio de 1962. A interrupção aconteceu, como a atual, entre campeonatos. Innes Ireland venceu o GP dos EUA que encerrou o campeonato de 1961, garantindo a primeira vitória da Lotus no Mundial, enquanto Graham Hill venceu o GP da Holanda que abriu o ano seguinte.

O intervalo aconteceu porque o GP dos EUA precisou ser adiantado com relação ao ano anterior. Em 1960, a pista de Riverside, na Califórnia, recebem a corrida no fim de novembro. Entretanto, em 1961, o evento foi transferido para Watkins Glen, em Nova York, e precisava ser realizada antes – o fim de novembro, em Nova York, já conta com frio constante e, vez ou outra, até neve.

Fangio no GP da Argentina (Foto: Reprodução/Twitter)

266 dias

Já a maior interrupção desde que a Fórmula 1 estreou, em 1950, aconteceu pouco depois. O exato período de oito meses e 24 dias, ou 266 dias, passou entre o GP da Itália, vencido por Giuseppe Farina, em 3 de setembro de 1950, e o GP da Suíça, faturado por Juan Manuel Fangio, em 27 de maio de 1951.

Nas duas situações, contudo, os carros foram à pista em corridas realizadas durante o período oficial de hiato. Naqueles tempos as provas que não faziam parte do campeonato davam volume real aos campeonatos. Em janeiro de 1962, por exemplo, o GP da Cidade do Cabo contou com vitória de Trevor Taylor, na África do Sul. Já em março de 1951, o GP de Syracuse, na Itália, também colocou as máquinas em ação – e foi vencido por Luigi Villoresi.

Apesar dos números oficiais e da contagem de corridas válidas pelo campeonato colocarem o intervalo causado pelo novo coronavírus como o terceiro maior hiato da história, jamais monopostos da F1 passaram tanto tempo sem qualquer vestígio de competição.

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