F1

GUIA 2019: Hamilton inicia “temporada mais difícil de todas” em busca de perfeição para colar em Schumacher

Lewis Hamilton se prepara para buscar o sexto título mundial e o sexto consecutivo da Mercedes, mas já avisou que 2019 pode ser o “ano mais difícil de todos”. O alerta veio depois da performance demonstrada pela Ferrari durante a pré-temporada. Ainda assim, o inglês de 34 anos, que se aproxima cada vez mais dos números de Michael Schumacher, busca um capítulo novo na carreira para tentar fazer algo que ninguém fez antes

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba

GUIA 2019
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LEWIS HAMILTON ENTRA em 2019 como o homem a ser batido na F1. Aos 34 anos, o inglês se tornou sinônimo de sucesso e maturidade e seu prestígio ultrapassa os limites do esporte. Hamilton é um cidadão do mundo. Consegue percorrer vários países e marcar presença em diversos eventos, de moda a espetáculos como o Super Bowl, em pouquíssimos dias e, ainda assim, ser excelente naquilo que faz de melhor: pilotar um carro de corrida. A temporada passada foi generosa com o britânico, que também fez por merecer tamanha graça. Ao volante do carro prata da Mercedes, Hamilton soube se aproveitar dos erros dos rivais e cresceu nos momentos certos, com performances irretocáveis, sem nunca abrir mão de sua personalidade livre ou de seus compromissos longe do esporte. Lewis, de fato, encontrou o complexo equilíbrio entre a exigente vida profissional da F1, que inclui críticas e cobranças, e a vida pessoal, marcada por outros projetos, como uma coleção de roupas que lançou no ano passado em meio a uma tensa disputa de título contra Sebastian Vettel e a Ferrari. Talvez seja esse o grande segredo deste homem que se aproxima cada vez mais dos números e feitos do maior piloto de todos os tempos, Michael Schumacher. 
 
Até agora são cinco títulos mundiais, impressionantes 73 vitórias - contra 91 do alemão. O recorde absoluto de pole-positions: 83. E de posições na primeira fila: 132. Tudo isso em 12 temporadas na F1. Mas, ao que parece, há mais por vir. 
 
Embora tenha proibido as pessoas mais próximas de falarem sobre um eventual sexto título ou mesmo sobre os recordes do heptacampeão, a verdade é que Hamilton busca se tornar uma lenda do esporte, não só superando os números, mas também conquistando e fazendo aquilo que ninguém mais alcançou antes. Para isso, trabalha firme e encontra tempo para tudo dentro dessa programação que até pode parecer maluca, mas é muito bem planejada. "Você aprende a administrar tudo. Você faz o que tem de fazer e se prepara para isso", disse aos jornalistas, na Catalunha. E muito desse equilíbrio se deve também ao trabalho da fisioterapeuta e técnica de performance, Angela Cullen, que está ao lado do piloto desde 2016.

A profissional ajuda Lewis a entender “a grande exigência de seu trabalho como um todo, a importância de uma boa alimentação e do sono, além de se concentrar apenas na competição quando está na pista”. O resultado está nessa convivência harmoniosa. O britânico não precisa abrir mão de sua vida agitada fora das pistas para corresponder às expectativas dentro delas. E isso apenas o tornou mais forte.
Lewis Hamilton encontrou o equilíbrio entre a F1 e os projetos pessoais (Foto: Mercedes)
Para a temporada que começa neste fim de semana, Hamilton viveu um intenso inverno de preparação. Alternou treinos físicos mais pesados, fez luta, melhorou a alimentação, ganhou peso – agora, dentro do novo regulamento, há um peso mínimo do competidor, 80 kg – e até surfou com Kelly Slater. Tudo isso em lugares bem diferentes do mundo. Na sua visão, Lewis acha que “está na melhor forma” de sua carreira – mau sinal para os adversários? Certamente. 
 
"Nos últimos anos, cada piloto aqui teve de ter um certo peso, e isso não era particularmente bom. Mas a mudança de regra é ótima. É muito melhor para os pilotos. Permite viver em um estado mais saudável e eu em sinto melhor também. Você pode comer mais, dorme melhor e tem mais energia", falou ainda durante a pré-temporada.
 
O caso é que Hamilton melhora a cada ano. É verdade que a Mercedes domina a F1 desde a introdução dos motores híbridos, em 2014, mas também é certo dizer que nem sempre foi fácil. A derrota em 2016 tornou Lewis mais duro consigo mesmo e com aqueles ao seu redor. Os vacilos e os erros diminuíram significativamente. E mesmo quando não teve o melhor carro nas mãos soube controlar os prejuízos e não perdeu o foco. Foi assim que venceu os dois últimos campeonatos. 2018, aliás, o desempenho foi tão assustadoramente impecável, que beirou a perfeição, algo que o piloto persegue agora.
Lewis Hamilton teve novos treinos na preparação para 2019 (Foto: Lewis Hamilton/Twitter)
E tanto é verdade que chegou a pedir para diferentes departamentos da Mercedes opiniões sobre em que poderia melhorar. "Pedi a minha equipe para que enviasse um e-mail para diferentes setores da fábrica. Eu pedi a eles que fossem francos e que não precisavam dizer quem eram, eu apenas queria saber em que poderia melhorar. Perguntei a eles se sentiam que eu fiz ou falei algo tenha influenciado a energia dentro do time", contou Hamilton em Barcelona.
 
“Você não para nunca de buscar essas coisas.” Essa é a mentalidade do inglês, agora mais calmo e maduro. Por isso, é tão difícil de vencê-lo neste momento, ainda mais tendo por trás de si uma equipe tão afinada e implacável quanto a Mercedes. 
 
Diante dos resultados vistos na pré-temporada, é possível apontar a Ferrari em uma posição pouco à frente da equipe alemã. Mas o cenário ainda não é definitivo. A força da marca prateada está em sua excelência de desenvolvimento. Ao longo da temporada, não é uma tarefa fácil acompanhar essa evolução e a motivação que a equipe tem de ir além. Neste ano, a esquadra vai atrás do sexto título entre os Construtores, algo que pode colocá-la em um patamar diferente na história do esporte. E Hamilton é o único que pode tornar isso possível.
 
Ainda que diga que 2019 “parece ser o ano mais difícil de todos”, especialmente depois da performance da Ferrari nos testes, o #44 não teme a concorrência. Nas palavras dele, “é bom para o esporte e nós não nos importamos com o desafio”. Ainda bem.