GUIA 2026: F1 dá passo rumo à eletrificação em nova era já cercada de desconfiança
2026 vai marcar uma nova era na Fórmula 1 em um caminho que parece não ter volta. A partir do GP da Austrália, que abre a temporada neste fim de semana, a maior das categorias do esporte a motor tenta se movimentar mais fortemente em nome da sustentabilidade. No entanto, os testes no Bahrein mostram que a drástica mudança nas regras também vai cobrar um preço alto. Entre muitas críticas, a FIA precisou agir antes mesmo do apagar das luzes em Melbourne, e isso é só o começo
A FÓRMULA 1 DECIDIU se transformar para convencer a indústria de que ainda é muito relevante e que permanece na vanguarda das inovações tecnológicas. 2026, portanto, marca uma nova era, uma revolução elétrica e a busca por padrões de sustentabilidade. Só tem um problema: o regulamento que agora rege o esporte e que redesenhou os carros e a unidade de potência não foi capaz de persuadir os astros do espetáculo. As críticas e a frustração dos pilotos tomaram conta das manchetes e ofuscaram o argumento de uma renovada da F1.
Mais que isso, as regras ainda precisaram passar por ajustes de última hora. É que a drástica mudança provocou efeitos colaterais inesperados. Assim que os carros foram à pista em Barcelona e, especialmente, no Bahrein, ficou claro que algo no novo conjunto da F1 destoava da própria essência do esporte. O primeiro apontamento veio de Lewis Hamilton. O heptacampeão levantou a voz para a complexidade do regulamento, alertando sobre a performance de F2 e as dificuldades com o gerenciamento entre a parte híbrida e o motor a combustão. Fernando Alonso foi outro campeão que também chamou a atenção para o desempenho geral, mas as críticas mais severas vieram mesmo de Max Verstappen — o homem da Red Bull foi tão veemente em suas declarações que a própria cúpula da F1 o chamou para uma conversa.
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O caso é que o neerlandês aprofundou a análise ao falar que, diante das regras impostas, o piloto vai ter de pensar mais em administrar uma série de recursos ao invés de simplesmente guiar para alcançar o limite, e que isso tira qualquer prazer em conduzir o F1. O tetracampeão ainda fez uma comparação curiosa com a categoria dos carros elétricos, dizendo que a nova geração é um Fórmula E com esteroides. Ainda que tenha relutado no início, até mesmo o campeão vigente, Lando Norris, se juntou aos pares ao listar os problemas do regulamento.
A verdade é que, diante de um passo tão largo rumo à eletrificação, a F1 também precisou sacrificar muito daquilo que a tornava única. De fato, os carros estão mais lentos e a gestão da parte híbrida compromete mais do que deveria a pilotagem, porque arranca o foco da performance em si. Será interessante entender como todos os aspectos vão se traduzir na corrida em si.
Porque, obviamente, a alteração no livro de regras teve como objetivo não só atrair as grandes marcas, mas também criar uma reviravolta em termos de hierarquia de forças. A primeira parte do plano, digamos assim, atingiu a meta com sucesso. Ou seja, a F1 ganhou três novas fabricantes: Audi, Ford e Cadillac — muito embora a GM só vá realmente entregar uma unidade de potência em 2029. A questão realmente está em fazer o regulamento funcionar a pleno. É legítimo tentar se adequar às novas exigências globais, mas é essencial assumir que, talvez, fosse necessária uma reflexão maior antes de uma guinada tão extrema.
Importante pontuar ainda os aspectos chave dessa nova geração. Os carros são menores, mais leves e trabalham dentro de um excêntrico conceito aerodinâmico, que faz com asas dianteiras e traseiras se movimentem — além de um menor nível de downforce. As unidades de potência, por sua vez, são abastecidas com combustíveis sustentáveis e possuem 50% da potência proveniente da parte elétrica. Além disso, os pilotos têm à disposição os modos boost, ultrapassagem e recarga. Os motores agora apresentam três vezes mais energia elétrica, chegando a 350 kW em vez dos 120 kW.
Durante a pré-temporada, a F1 conduziu diversas simulações de largada para anular possíveis problemas com a parte híbrida (Vídeo: F1 TV)
O problema está em gerenciar o uso da parte híbrida, que precisa ser recarregada durante as voltas, para que possa ser utilizada em retas, largada e momentos de ataque e defesa. Inclusive, durante os testes surgiram preocupações quanto ao procedimento de início das provas, uma vez que há um temor de que nem todo mundo vá ser capaz de usar a pleno no apagar das luzes. E já há um movimento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em ajustar o modo ultrapassagem, porque o funcionamento ainda é incerto.
Outro ponto polêmico e que balançou as estruturas foi a brecha encontrada pela Mercedes com relação à taxa de compressão do motor. Ainda em dezembro do ano passado, descobriu-se que a marca alemã havia encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento. Como resultado, calculou-se que os carros movidos pelo propulsor de Stuttgart ganhariam cerca de 0s3 por volta.
A questão foi levantada pelas rivais, especialmente Honda, Audi e Ferrari, o que forçou a FIA a rever os protocolos de aferição. Porque a medição era feita fora da temperatura ideal de funcionamento — a taxa de compressão do motor alemão aumentava quando estava aquecido. Agora, depois de uma grita enorme e de inúmeras reuniões na tentativa de acalmar todas as partes, a entidade que rege o esporte decidiu mudar os procedimentos de avaliação.

Quer dizer, antes mesmo do alinhamento do grid no Albert Park, a Fórmula 1 já se vê em apuros com ajustes constantes naquilo que considerou uma revolução nas regras.
De toda a forma, há ainda uma enorme promessa de espetáculo. Afinal, não existe uma certeza absoluta sobre a ordem de forças e a performance geral dos novos carros nos diversos circuitos ao redor do mundo, e isso por si só já é motivo para apreciar a nova temporada. Mas há outros pontos de interesse: a F1 terá um grid maior e mais sólido, com fabricantes fortes e dispostas no compromisso de fazer valer o investimento, para aproveitar também a popularidade reconstruída cuidadosamente na última década, sob a batuta do Liberty Media.
E falando no alcance do Mundial, são quatro campeões do mundo em disputa em 2026 em um grid que conta também com nomes em ascensão e em busca de reconhecimento — não só do fã, mas principalmente da própria equipe. E não dá para negar a quantidade de talento deste campeonato, da ponta ao pelotão do fundo. Boas histórias não devem faltar.
A McLaren chega para defender o título e mostrou na pré-temporada que tem um projeto dos mais interessantes, enquanto parte para um novo round entre Norris e Oscar Piastri. Já a Mercedes, vice em 2025, aposta na força da unidade de potência para reproduzir o domínio da mudança das regras em 2014 e tem em George Russell e Kimi Antonelli uma dupla com potencial explosivo. A Ferrari é outro ponto de atenção, com um carro cheio de pequenas inovações. Talvez seja o impulso que falte para Charles Leclerc e Hamilton — que entra em uma temporada decisiva para a carreira na F1.
E há a Red Bull sob nova direção. Tudo ainda gira em torno de Verstappen, mas será no mínimo curioso entender a relação com o novo e insolente Isack Hadjar, além dos frutos da parceria com a Ford. E o grid ainda deve trazer cenários inesperados, como a associação da Mercedes com a Alpine, o crescimento da Racing Bulls e a atuação do único novato, Arvid Lindblad.
A volta de Sergio Pérez e Valtteri Bottas com a estreante Cadillac também é um fator, enquanto Haas e Williams tentam puxar o bloco intermediário, porque a Aston Martin, que reserva grande expectativa em função da presença luxuosa de Adrian Newey, não disse ainda a que veio.

O Brasil será novamente representado por Gabriel Bortoleto, agora com a Audi pleníssima por trás. Em um segundo ano na Fórmula 1, a expectativa é de maior consistência e interação com a equipe. Ainda sobre a perspectiva nacional, a volta da transmissão pela TV Globo também gera alvoroço e interesse na mesma proporção.
Portanto, é fundamental dizer que, apesar dos tropeços iniciais, a Fórmula 1 que dá o pontapé inicial neste fim de semana ainda não possui favoritos, e essa talvez seja a grande notícia desta véspera de temporada.
O GRANDE PRÊMIO abre a semana com um guia completo da temporada 2026 da F1. Do regulamento às principais histórias, tudo que é preciso saber sobre a nova era da maior categoria do esporte a motor.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Treino livre 2 | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
GUIA DA F1 2026: o que esperar da temporada
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