GUIA 2026: Fórmula 1 embarca em revolução elétrica e promete nova versão de si mesma
Com unidades de potência completamente novas e carros menores, mais leves e repaginados, a Fórmula 1 entra em uma nova era a partir da temporada 2026 — a da eletricidade. Em meio a tantas mudanças, categoria promete uma nova versão de si e o fim de antigas dores de cabeça, sempre correndo o risco de encontrar algumas novas pelo caminho
Enfim, a hora da revolução chegou à Fórmula 1. Após anos prevendo como seriam os novos carros e unidades de potência da categoria, totalmente repaginados sob um novo regulamento técnico, as agora 11 equipes do grid já fizeram os testes de pré-temporada e aguardam o início do campeonato, no GP da Austrália. E, sem dúvida nenhuma, as alterações no conjunto de regras prometem gerar corridas muito diferentes aos fãs em 2026 — para agrado de alguns e, por enquanto, desagrado de muitos.
Pautada na relevância para a indústria, a Fórmula 1 decidiu, ainda em 2022 — justamente o primeiro ano do último ciclo —, que partiria em direção à eletrificação. Era uma condição fundamental para que novas montadoras entrassem no grid, e o forte interesse da Volkswagen (que observava inicialmente uma empreitada dupla, com Audi e Porsche) inclinou de vez a categoria a mudar. No fim, a montadora de Stuttgart não veio, mas a Cadillac completou a lista e terá a General Motors (GM) como fabricante a partir dos próximos anos.
Trata-se, inclusive, de um caminho natural. As mudanças profundas encaradas pelo automobilismo nos últimos anos alteraram completamente a forma de se ver o esporte, que tenta se manter viável e relevante ao mesmo tempo. Ou seja, o objetivo da FIA — e aqui entram todas as categorias sob o guarda-chuva da entidade — é seguir inovando e gerando impacto na indústria, mas sem os gastos desenfreados de outrora. Foi assim que o WEC, por exemplo, conseguiu fechar um grid com incríveis 14 montadoras para 2026, contabilizando todas as classes.
Para chegar lá, obviamente, nem todo mundo ficaria satisfeito. A decisão foi por revolucionar completamente as unidades de potência, o que forçou uma mexida profunda também nos chassis e a tão pedida redução de peso. Por fim, em termos aerodinâmicos, o efeito solo perdeu terreno mais uma vez para carros que terão assoalhos menos complexos e diferenças sensíveis nos difusores, que ficaram consideravelmente maiores. A consequência, claro, é a perda de pressão aerodinâmica — e um carro mais lento que no ano passado.
Por fim, outro motivo se apresentou para que a Fórmula 1 decidisse mudar: as disputas de pista. Afinal de contas, o ciclo de regras que entrou em cena em 2022 veio justamente para destruir a turbulência causada pelos carros, que evitava aproximações e tornava as disputas monótonas. O objetivo até foi alcançado, principalmente nos primeiros anos, mas as equipes trataram de encontrar novas maneiras de jogar ar sujo para trás. Como consequência, o fim do regulamento foi pautado por provas sem grandes disputas e com muitas dificuldades de aproximação.
Para 2026, o desejo da Fórmula 1 é que isso acabe — ou, vá lá, que seja reduzido ao máximo. Com carros completamente diferentes de pilotar e a necessidade da gestão de energia, já que 50% da alimentação do motor será da parte elétrica, a tendência (sob a ótica da FIA) é de que as batalhas sejam mais intensas e estratégicas do que nunca.

Para isso, a grande revolução começou nas unidades de potência. O primeiro passo foi remover o MGU-H, peça que elevava os custos dos motores e não tinha real aplicação prática na indústria automobilística. Para efeitos de explicação, a peça era usada para recuperar energia térmica e convertê-la em eletricidade, seja para o motor de tração ou o reservatório de energia. Além disso, mantinha o turbo girando sob altas rotações, evitando o turbo lag — tão comentado em 2026.
Restaram motor de combustão interna (ICE), turbocompressor (TC), reservatório de energia (ES), controles eletrônicos (CE) e MGU-K, que também regenera energia, mas de maneira cinética, por meio da pilotagem. Essa última peça, ao contrário do MGU-H (que funciona à base de temperatura), expandiu e passa a ter 350 kW de potência, cerca de 475 cv. Em relação ao motor, os carros seguirão equipados com um V6 Turbo de 1,6 litro, com cerca de 400 kW (543 cv) de potência e alimentado por combustíveis sustentáveis.
Ainda que a potência total exceda 1.000 cv, combinando combustão e eletricidade, o fato é que a mudança tornou os carros mais lentos, ao menos inicialmente. Desta forma, a Fórmula 1 decidiu também alterar os chassis, promovendo a entrada de carros menores, mais ágeis e consideravelmente mais tecnológicos. Sai de cena o tão criticado DRS, acusado de gerar ultrapassagens fabricadas, e entram aerodinâmica ativa e Modo Ultrapassagem.
O segundo, assim como a asa móvel, permitirá que os pilotos recebam um incremento elétrico de 0,5 MJ, o suficiente para manter velocidades mais altas por mais tempo e buscar ultrapassagens. No caso da aerodinâmica ativa, os carros vão alternar entre Modo Reta e Modo Curva ao longo das corridas, gerando uma mudança visual bastante importante. O primeiro modo reduz o arrasto aerodinâmico em busca de velocidade pura, enquanto o segundo faz o oposto e serve para prender o carro no chão e melhorar o desempenho em velocidades menores.

O efeito disso tudo, no fim das contas, só poderá ser visto ao longo da temporada. No entanto, os testes do Bahrein já mostraram que será necessário fazer uma gestão importante de energia ao longo das corridas, aumentando a importância da estratégia e de uma pilotagem inteligente. Com a divisão entre combustão e eletricidade em 50%, a fonte de energia do carro não é suficiente para uma volta inteira em ritmo máximo, o que vai gerar uma nova missão: regenerar o máximo possível de energia com o MGU-K ao longo das voltas, dentro do limite de 350 kW permitido pelo regulamento.
Para carregar as baterias, os competidores poderão frear, tirar o pé do acelerador (o famoso ‘lift and coast‘ ou ‘LiCo‘) ou chegar ao super clipping, que gera recarga quando o carro estiver com o acelerador pisado até o fim, em velocidade máxima (neste modo, as regras permitem até 250 kW de regeneração). Além disso, em momentos de pressão parcial no acelerador durante curvas, o acerto do carro também pode fazer com que o MGU-K receba parte da energia gerada para o eixo traseiro. Tudo isso, claro, pode ser ajustado pelas equipes.
Ou seja, veremos formas muito diferentes de lidar com a energia. Por exemplo: no uso do super clipping, bastante testado pelos pilotos no Bahrein, o carro chega ao fim da reta sob pressão máxima no acelerador e o Modo Reta ativado; ou seja, mesmo com a diminuição de velocidade pelo desvio de energia rumo ao MGU-K, há uma redução de arrasto — o que ajuda a segurar a velocidade final.
Por outro lado, ao tirar o pé antes da curva e deixar o carro correr (lift and coast), a ativação do Modo Curva será feita em velocidades mais baixas, prejudicando o tempo de volta. A tendência é que, ainda mais neste início, planos muito diferentes sejam postos em prática.

As reclamações, claro, já começaram a surgir. Há o medo de que as ultrapassagens não funcionem, por falta de energia disponível, mas também de que pareçam ainda mais artificiais que na época do DRS. Outro ponto que tem chamado atenção é a aplicação de ‘truques’ para alimentar a bateria, como reduzir as marchas de forma antecipada e forçar o giro do motor a aumentar. Tudo faz parte de uma nova Fórmula 1, que vai exigir dos pilotos absoluta capacidade de adaptação à forma de guiar.
Há quem torça o nariz, mas o fato é que, se o entretenimento do público crescer, as reclamações dos pilotos dificilmente serão lembradas. A Fórmula 1 caminhou na direção da eletrificação não apenas por vontade própria, mas simplesmente porque é o que vai mantê-la relevante para o futuro. É uma rota natural e que, por trazer tantas mudanças de uma vez, causa um estranhamento inicial forte. Focada em expandir, a categoria começa a desbravar em 2026 um caminho ainda novo, sem saber qual será o destino. A esperança principal, sem dúvidas, é de que a viagem seja mais divertida do que nunca.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Treino livre 2 | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
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