GUIA 2026: McLaren defende título com carro bem nascido ainda ofuscado por regras papaias

Indiscutivelmente, a McLaren chega com força para defender os títulos de Pilotos e Construtores, só que todo o status técnico alcançado graças ao ótimo trabalho dos engenheiros ainda fica em segundo plano quando o assunto é o gerenciamento da disputa entre Lando Norris e Oscar Piastri

Se alguém pensou que a quase perda do título do Mundial de Pilotos no ano passado faria a McLaren repensar a utilidade das tais regras papaias, enganou-se. A segunda maior campeã da história da Fórmula 1 já deixou claro que a igualdade de condições entre Lando Norris e Oscar Piastri vai persistir, por mais que a diretriz tenha trazido algumas dores de cabeça e inúmeras contestações a ponto de roubarem o protagonismo da melhor parte de uma escuderia que acertou em cheio sob um complicado regulamento: o ótimo carro.

Esse crescimento que começou na metade de 2024 e se traduziu em domínio em 2025 é o que deveria, portanto, ser o carro-chefe do time chefiado por Andrea Stella, até pelo que também foi apresentado durante os testes coletivos da pré-temporada, no Bahrein. Apesar do ciclo de regras vigente ser totalmente diferente do último, do motor à aerodinâmica, a impressão que se teve é que a McLaren também acertou a mão no MCL40, por mais que tenha sido um tanto ofuscada pelas rivais diretas, que sobressaíram tanto pelo motor (Mercedes e Red Bull) quanto pelas inovações (Ferrari).

Sim, o carro da McLaren é muito bem nascido, e isso se prova principalmente pelos números obtidos ao longo dos seis dias de atividades em Sakhir. A equipe liderou a tabela de voltas completadas, com 817, um total de 4.421 km acumulados. Ainda demonstrou nos stints realizados tanto por Norris quanto por Piastri que o ritmo de corrida promete se destacar, e tal regularidade é fundamental para se ter boas performances nos fins de semana.

Esse, aliás, foi o grande trunfo da McLaren na temporada passada por conta da facilidade de adaptação do equipamento a diferentes tipos de pista. Claro que isso seria mais problemático se os papaias não tivessem desenvolvido um sistema inteligente de arrefecimento para cuidar dos pneus, e como o carro de 2026 também trouxe uma entrada de ar no bico para auxiliar ainda mais na refrigeração, a expectativa é que o MCL40 seja ainda mais forte.

“Estamos animados com a confiabilidade do carro e com o aprendizado adquirido. Concluímos com sucesso a pré-temporada, permitindo longas sessões e familiarização sistemática da configuração, aerodinâmica e pneus, além da boa performance da unidade de potência”, celebrou Stella ainda no Bahrein. “A cada dia, conseguimos adicionar mais desempenho e agora temos uma compreensão clara do potencial do carro ao entrarmos nesta nova era da Fórmula 1“, completou.

Só que toda a parte técnica é posta de lado quando se olha para o gerenciamento dos pilotos. Em 2025, quando Piastri deixou o GP dos Países Baixos com 34 pontos de vantagem sobre Norris e incríveis 104 para Max Verstappen, parecia certo que, a partir dali, o australiano teria o apoio dos ingleses para administrar a vantagem no terço final. Nesse caso, o perigo real era o neerlandês, sobretudo após as quatro etapas que se seguiram, que tiveram três vitórias de Verstappen.

Lando Norris achou equilíbrio emocional, mas também contou com as polêmicas regras papaias para bater Oscar Piastri (Foto: Reprodução/Bahrain Circuit)

Foi nesse período também que as regras papaias atingiram o ápice da incredulidade, quando, no GP da Itália, a McLaren achou por bem mandar o líder do campeonato abrir passagem para dar o segundo lugar àquele que, até então, era o principal adversário. E tudo para reparar um erro dela própria no pit-stop. Claro que, ao saber da patacoada ainda no carro, não restou outra coisa a Verstappen a não ser cair na risada.

Deixar a disputa correr livre entre os pilotos é algo que faz parte do DNA da McLaren, qualquer pessoa que acompanhe a F1 com o mínimo de afinco sabe muito bem. Foi embasada nessa política que a história nos proporcionou a maior rivalidade que já percorreu pistas mundo afora, entre Ayrton Senna e Alain Prost, mas foi essa mesma linha de pensamento que fez a equipe implodir em 2007, quando Lewis Hamilton e Fernando Alonso brigaram tanto que terminaram rigorosamente empatados — e 1 ponto atrás de Kimi Räikkönen, o campeão.

No caso de Piastri e Norris, não houve a perda do título, porém Oscar teve de engolir não apenas o caneco ir para Lando, como ainda foi o terceiro colocado na classificação geral, atrás de Verstappen, algo impensável após aquele GP dos Países Baixos. E depois da virada do ano, desferiu a primeira crítica categórica à trupe de Stella, Zak Brown e companhia.

“Provavelmente criamos algumas dores de cabeça desnecessárias para nós mesmos em alguns momentos do ano passado. Como princípio geral e forma de conduzir as corridas, isso traz muitos pontos positivos, e a questão agora é: como podemos refinar isso para tentar manter apenas os aspectos positivos, basicamente”, salientou Piastri em coletiva de imprensa em fevereiro.

Do lado da McLaren, ninguém se inclina à mudança. Stella profere o discurso dos “princípios de equidade, igualdade e espírito esportivo” e minimiza qualquer possível atrito da parte dos pilotos. “Até quando se trata dos princípios de corrida que temos e na forma como competimos na McLaren, com Lando e Oscar. Na pós-temporada pudemos confirmar isso com eles, e nas conversas em curso também.”

Oscar Piastri chega a 2026 contestado: afinal, vai se impor se novamente estiver com tanta margem na liderança do Mundial? (Foto: McLaren)

“Nós conversamos realmente com os pilotos, meio que corrida a corrida”, começou Brown em entrevista ao site GranPrix247. “Nós fazemos uma revisão da temporada e uma prévia da temporada. Estamos sempre aprimorando nossa estratégia de corrida a cada nova etapa. Eles continuam livres para correr. Seremos estratégicos e inteligentes quando as situações surgirem, e não vai haver muita mudança, pois eles eram livres para correr no ano passado”, enfatizou.

Mas o que aconteceu com Piastri deixou marcas, não há dúvidas disso. Fala-se na imprensa australiana que o empresário, Mark Webber, entrou em atrito com o time de Woking, tanto que não vai mais acompanhar o #81 em todas as corridas. A antes exaltada força mental de Piastri também se mostrou frágil diante dos constantes erros na reta final do campeonato. Nesse ponto, Norris também conseguiu inverter o jogo ao se mostrar mais concentrado e menos emotivo, focando no que de fato interessava.

E Norris é muito rápido, não há como diminuir o mérito do inglês. Se a McLaren confirmar a performance exibida em Sakhir, a tendência é que Lando tome as rédeas da livre disputa, a julgar puramente o desempenho. Sim, Piastri também tem qualidades, mas terá de contornar a enorme interrogação que passará a acompanhá-lo, ao menos na primeira parte do campeonato. E com a disputa livre, cada detalhe será determinante para desequilibrar a balança.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 122:300:3002:3003:30
Treino livre 202:0004:0006:0007:00
Treino livre 322:300:3002:3003:30
Classificação02:0004:0006:0007:00
Corrida01:0003:0005:0006:00

*Horário de Brasília

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