Hamilton se arrepende e diz que teve protesto antirracista “silenciado” na Fórmula 1

Líder do protesto contra o racismo na Fórmula 1, Lewis Hamilton tentou homenagear Colin Kaepernick em 2016 com capacete vermelho e número do jogador, mas recebeu pedidos para desistir

Lewis Hamilton fez história antes do GP da Áustria, realizado no último domingo (5). O piloto liderou o movimento antirracista do grid da Fórmula 1 e se ajoelhou durante o hino nacional, ao lado de outros 13 nomes da categoria.

Após a corrida, completada na quarta posição, Hamilton relembrou que planejou se ajoelhar anos atrás em apoio ao quarterback Colin Kaepernick, que eternizou o gesto em protesto ao racismo em 2016, na NFL. 

O hexacampeão mundial revelou que recebeu pedidos para recuar nos protestos. Hamilton não citou quem pediu, mas confessou que se arrepende de desistir do gesto.

Lewis Hamilton liderou o movimento com outros 13 pilotos no GP da Áustria (Foto: Mercedes)

“Ele se ajoelhou no hino nacional e recebeu muitas críticas. Foi uma postura muito poderosa que o fez perder o emprego. Falei com ele alguns anos atrás, pouco tempo depois daquilo, antes do GP dos Estados Unidos. Eu tinha um capacete e tudo pronto em vermelho com o número dele no topo. Mas naquela época, eu fui meio que silenciado, falaram para eu recuar, não o apoiar. Eu me arrependo. Por isso, era tão importante para mim ter certeza que fiz minha parte durante este período de tempo”, disse o piloto da Mercedes à Reuters.

Voz ativa contra o racismo e único piloto preto do grid da F1, Hamilton utilizou uma camiseta diferente no protesto realizado antes da corrida. Enquanto os outros 19 carregavam a mensagem ‘End Racism’ (Acabe com o racismo, em tradução livre), o hexacampeão trouxe o movimento ‘Black Lives Matters’ (Vidas Pretas Importam) no peito.

Lewis, que recentemente participou de manifestação do grupo em Londres, afirmou que sua postura é de apoiar a igualdade racial, sem tomar lado político.

“Se vou continuar a ajoelhar, não sei se teremos oportunidades para isto. Não quero fazer em hinos nacionais. Quando eu visto a camisa e falo é quando estou apoiando. Não estou necessariamente endossando os movimentos políticos. Há conscientização nas últimas semanas, e não precisamos de uma morte silenciosa, um desaparecimento sem mudança. Eu poderia ser a cobaia lá. Eu tenho de continuar falando”, completou.

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