Seis pilotos ignoram protesto contra racismo e não se ajoelham antes da largada na Áustria

Pilotos como Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Sergio Pérez e Alex Albon se ajoelharam ao lado de Lewis Hamilton em apoio ao combate ao racismo. Nomes como Charles Leclerc e Max Verstappen optaram por ficar de pé, vestindo uma camiseta com a frase ‘End Racism’

A Fórmula 1 não conseguiu um consenso entre os pilotos em relação à manifestação antirracismo que aconteceu neste domingo (5) na Áustria. Ainda assim, a maioria se uniu a Lewis Hamilton ao se ajoelhar no grid antes da largada no Red Bull Ring.

Minutos antes da largada no Red Bull Ring, os pilotos se reuniram em duas filas, respeitando o isolamento necessário por conta da pandemia do novo coronavírus. E foi no momento do hino que o protesto aconteceu. Além de Hamilton, Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Romain Grosjean, Esteban Ocon, Sergio Pérez, Kevin Magnussen, Lance Stroll, Lando Norris, Pierre Gasly, George Russell, Nicholas Latifi e Alex Albon se ajoelharam em apoio à luta antirracista. Max Verstappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi ficaram de pé.

A manifestação não contou apenas com a participação de pilotos. Alguns mecânicos se juntaram ao movimento, como os de Verstappen, por exemplo.

Maioria dos pilotos optou por acompanhar Lewis Hamilton no protesto (Foto: Reprodução)

Em meio a um movimento mundial antirracismo ― deflagrado após a morte de George Floyd nos Estados Unidos em uma violenta abordagem policial ―, a expectativa era de que os pilotos se unissem a Hamilton em uma manifestação.

Desde a morte de Floyd, Hamilton tem sido bastante ativo nas redes sociais e participou pessoalmente de uma manifestação em Londres. O britânico usou Instagram e Twitter para protestar contra a brutalidade policial e a desigualdade e vociferou contra seus pares por ser uma voz solitária no mundo do esporte a motor. A cobrança deu resultado e tirou alguns de seus pares do silêncio nas redes sociais.

Assim, a expectativa era de uma ação mais efetiva na abertura da temporada 2020, mas nem todos quiseram participar. O gesto de colocar um joelho no chão é uma forma de mostrar apoio aos pedidos justiça e combate ao racismo e protesto contra a violência policial. Em 2016, já no contexto do movimento Black Lives Matter, o jogador de futebol americano Colin Kaepernick passou a se ajoelhar durante a execução do hino dos Estados Unidos e, ainda que o protesto tenha impactado frontalmente a carreira do quarterback, o gesto passou a ser reproduzido mais e mais.

Às vésperas da largada, Leclerc já tinha anunciado no Twitter para que não iria se ajoelhar.

“Acredito que o que importa são os fatos e o comportamento na nossa vida diária ao invés de um gesto formal que pode ser visto como controverso em alguns países. Não vou me ajoelhar, mas isso não significa de maneira nenhuma que estou menos comprometido do que os outros na luta contra o racismo”, escreveu.

Pouco depois, Max Verstappen recorreu à mesma rede social para anunciar postura similar.

“Estou muito comprometido com a igualdade e a luta contra o racismo. Mas eu acredito que todos têm o direito de se expressar na hora e da maneira que considerem apropriada. Não vou me ajoelhar hoje, mas respeito e apoio a escolha individual de cada piloto #WeRaceAsOne #EndRacism”, anunciou Verstappen.

Lando Norris também se manifestou, mas, ao contrário de Leclerc e Norris, não anunciou com antecedência sua posição.

“Uma mensagem rápida antes que as pessoas façam suposições sobre qual decisão os pilotos vão tomar no grid para manifestar seu apoio contra o racismo. Nós todos compartilharmos a mesma crença em acabar com o racismo e apoiar a igualdade para todos. #WeRaceAsOne #EndRacism #PeaceAndLove”, disse Norris.

Todos os 20 pilotos foram para o uma camiseta no grid estampando a frase ‘End racism’ [Fim do racismo, em português].

Na sexta-feira, em uma reunião da Associação dos Pilotos, o assunto tinha sido debatido e alguns pilotos já tinha se mostrado contrários ao geste de se ajoelhar. Hamilton chegou a classificar o briefing como “interessante” e ressaltou que alguns pilotos seguem em “silêncio” em meio ao movimento antirracista.

A GPDA tinha emitido um comunicado ressaltando que os pilotos estão livres para “mostrarem seu apoio pelo fim do racismo a sua própria maneira” antes da corrida.

Titular da Renault, Daniel Ricciardo não detalhou o encontro entre os pilotos, mas explicou que nem todos se sentem confortáveis para ajoelhar.

“A conversa com os pilotos foi essencialmente para dizer que todos nós estamos 100% a bordo em apoiar isso e acabar com o racismo. Nenhum de nós é contra isso, todos apoiamos”, disse Ricciardo. “Só acho que teve um pouco de dificuldade com alguns pilotos e a nacionalidade deles e o que algo como ajoelhar representaria”, seguiu.

“Obviamente, as razões pelas quais faríamos é puramente para apoiar o Black Lives Matters. Não tem nada político ou algo assim”, explicou. “Mas tem uma linha fina com alguns pilotos e suas nacionalidades e a maneira como isso é percebido. Nós ouvimos todos eles, todas as opiniões e não vamos tentar colocar ninguém em risco. Nós todos entendemos que vamos fazer o que nos sentirmos confortáveis para fazer. Mas ninguém será julgado ou criticado se não ficarem lá de uma certa maneira ou ajoelhar”, assegurou Ricciardo.

Kevin Magnussen ressaltou que o gesto de ajoelhar pode ter interpretações diferentes, mas se disse disposto a acompanhar o movimento.

“É difícil, pois as pessoas sempre vão interpretar de maneiras diferentes. Eu vou ajoelhar, mas não por que apoio a organização BLM. Eu apenas apoio todo o movimento que o mundo parece estar se unindo para apoiar, que é o fim do racismo”, justificou. “É isso que estou mostrando ao apoiar. Eu espero que as pessoas vejam como um símbolo de apoio a todo o movimento que está acontecendo pelo fim do racismo e da discriminação”, completou.

Carlos Sainz Jr., por sua vez, defendeu que a conversa entre os pilotos permaneça um assunto privado.

“Vocês estão assumindo que nós vamos ajoelhar. O que quer que tenha sido discutido na GPDA é uma questão privada. E é absolutamente confidencial”, indicou. “É necessário que, quando participamos dessas reuniões, os pilotos sintam que é uma coisa provada, uma discussão particular”, insistiu.

“No momento, nem todos decidiram. Ninguém deixou sua posição 100% clara. Acho que você terá de esperar para ver”, encerrou.

Chefe da McLaren, Andreas Seidl defendeu que os pilotos sejam livres para se expressarem da maneira que julgarem apropriada.

“Não gosto que este tema importante seja reduzido no momento ao ponto de se alguém vai se ajoelhar ou não. Esse não é o ponto da discussão. Acho que é importante que cada piloto, cada time, decida por si só como querem se expressar”, opinou. “Como vocês sabem, do lado da McLaren, nós temos várias iniciativas em curso. Nós estamos aqui com uma pintura diferente e também temos no carro a hashtag pelo fim do racismo, pois era importante para nós mostrar apoio e quão sério levamos esses tópicos e iniciativas diferentes. É isso que acho muito importante e não a discussão sobre ajoelhar ou não”, completou.

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