Hamilton se diz “muito grato” por pilotos que se ajoelharam, mas respeita quem não quis

Lewis Hamilton pensa que “ninguém deveria ser forçado” a se ajoelhar em manifestação antirracista da F1. O britânico não fez comentários negativos sobre os seis colegas de grid, incluindo Max Verstappen e Charles Leclerc, que ficaram de pé

Lewis Hamilton passou por um momento especial antes do GP da Áustria do último fim de semana. O britânico foi um dos 14 pilotos que decidiram se ajoelhar antes da corrida de Fórmula 1, protestando contra o racismo e fazendo rara manifestação social no certame. Mesmo que “muito grato” pela solidariedade de parte dos colegas de grid, Hamilton não guarda sentimentos ruins contra os seis que decidiram permanecer de pé.

“Sinceramente, eu não sei os motivos e as opiniões de cada um”, disse Hamilton, questionado pela revista britânica Autosport. “Eu sei que há opiniões diferentes entre alguns pilotos, mas isso é algo mais privado e não quero comentar. Acho que ninguém deveria ser forçado a se ajoelhar. Eu quero corrigir uma notícia que eu vi, pelo menos uma que estava muito incorreta. Eu nunca pedi ou forcei alguém a se ajoelhar. Nem fui eu quem fez a sugestão. Foi sugerido pela F1 e pela GPDA [Associação de Pilotos]”, seguiu.

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O protesto contra o racismo antes do GP da Áustria envolveu 14 pilotos (Foto: AFP)

“Quando fizemos o briefing dos pilotos, Seb [Vettel] e Grosjean comentaram e perguntaram aos pilotos se faríamos isso ou não. Claro, alguns disseram que não. Eu deixei que todos falassem o que quisessem, mas aí eu comentei: ‘Olha, eu vou me ajoelhar, mas vocês fazem o que acharem melhor’. Sou muito grato por aqueles que se ajoelharam comigo. É uma mensagem muito poderosa. Só que, decidir se ajoelhar ou não, não é isso que vai mudar o mundo”, destacou.

O protesto seguiu a mesma linha do visto na NFL em anos recentes. Na liga de futebol americano, jogadores negros começaram a se ajoelhar durante a execução do hino dos Estados Unidos. Colin Kaepernick se tornou um líder no movimento, que começou a denunciar racismo e violência policial no país.

Na F1, ainda tocada por manifestações antirracistas que afloraram ao longo de junho, a decisão de ajoelhar tinha objetivo de mostrar solidariedade. Seis pilotos, entretanto, não concordaram: Max Verstappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi optaram por ficar de pé. Nada que faça Hamilton ter visão mais negativa sobre a categoria.

“Se a gente vai seguir se ajoelhando, eu não sei se teremos outras oportunidades para isso. Certamente não durante os hinos. Acho ótimo que a F1, a Mercedes em particular, percebeu o problema que temos no mundo e resolveu fazer algo a respeito disso. No fim das contas, tudo que fizermos não será suficiente. Precisamos sempre fazer mais. Acho que tivemos maior conscientização nessas últimas semanas. O que nós realmente não precisamos é que isso morra por completo, desapareça e fiquemos sem mudanças”, encerrou.

Hamilton terminou o GP da Áustria em quarto lugar, consequência de uma punição de 5s por toque com Alexander Albon. A vitória coube ao companheiro de equipe Valtteri Bottas.

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