“Talvez não precisem de mim”: Hülkenberg lamenta falta de espaço como titular na F1

Nico Hülkenberg entende que o fato de ser visto por equipes como primeira opção caso seja necessário um suplente tem o seu valor. Mas, ao mesmo tempo, o alemão de 33 anos lembrou que o mercado de pilotos não anda favorável para seu regresso ao grid pra valer

Uma das grandes histórias do fim de semana do GP de Eifel foi escrita por Nico Hülkenberg. Até a última quinta-feira, o alemão de 33 anos não imaginava que voltaria ao cockpit de um carro de Fórmula 1, até que a manhã do dia seguinte mudou tudo. Primeiro, com a sondagem de Helmut Marko, consultor da Red Bull, sobre a disponibilidade de o piloto substituir Alexander Albon, que teve teste de resultado inconclusivo para o novo coronavírus. Depois, com a ligação de Otmar Szafnauer chamando-o para Nürburgring, distante cerca de 70 km de onde estava, em Colônia, para substituir o debilitado Lance Stroll na sequência do fim de semana.

Hülkenberg guiou uma ‘Mercedes rosa’ bastante diferente da que acelerou nas duas corridas que disputou em Silverstone, no GP da Inglaterra e no GP dos 70 Anos, por conta das atualizações desenvolvidas pela Racing Point nas últimas semanas. Teve pouquíssimo tempo ao volante, classificou-se em último no treino classificatório, mas fez grande corrida e cruzou a linha de chegada em oitavo, assegurando mais quatro pontos no campeonato.

Ser o primeiro piloto na mente de equipes para ser chamado em caso de necessidade é algo que até agrada Hülkenberg. Entretanto, o germânico lamenta o fato de, mesmo com a experiência de 179 GPs disputados, não ter espaço como titular na Fórmula 1. E, pelo jeito, em que pese os rumores nas últimas semanas, Nico não vê muita perspectiva para regressar ao grid no ano que vem.

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Nico Hülkenberg foi o protagonista de uma grande história no fim de semana (Foto: Racing Point)

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“Vejo isso como um elogio. Não existem muitos pilotos que possam entrar e atuar, e a equipe ainda marca pontos. Isso vale alguma coisa”, disse Hülk em entrevista à revista alemã Auto Motor und Sport.

“Essa é a clássica história do piloto substituto. E isso não é exatamente o que eu estou procurando. Claro, o coronavírus mudou o mundo, inclusive na Fórmula 1. Algumas equipes impulsionaram isso de maneira mais permanente. Mas, em princípio, um lugar como titular é prioridade para mim”, avisou.

Ao falar sobre as chances de correr como titular em 2021, o alemão lamentou. “Infelizmente, as coisas não correram tão bem depois de Silverstone. Talvez a Fórmula 1 tenha o suficiente de pilotos de qualidade e não precise mais de mim”, afirmou o piloto, que negou estar resignado com a situação.

“Não, de forma alguma. Eu ainda estou lá. Mas isso é somente um processo que vem se desenrolando há muito tempo. Há uma oferta excessiva de pilotos. Há muitos ao redor do mercado. E também há pilotos que são economicamente atraentes para certas equipes”, explicou.

Nas últimas semanas, Hülkenberg teve seu nome ligado a Alfa Romeo, Haas e até a Red Bull. A equipe ítalo-suíça, segundo informações do paddock da Fórmula 1, tende a ficar mais um ano com Kimi Räikkönen e promover a estreia de Mick Schumacher. A Haas ainda não definiu a sua dupla, e Guenther Steiner, chefe de equipe, disse que há uma lista de dez nomes de candidatos. E a Red Bull, na esteira da indefinição sobre o futuro de Albon, desponta como outra opção para Nico. Mas o alemão entende que a chance de correr pela equipe tetracampeã do mundo é bastante improvável.

“Difícil, muito difícil. Não tenho muita esperança. Essa situação de agora foi excepcional”, disse.

“Pensei que fosse piada”: a sexta-feira agitada de Hülkenberg

Nico jamais poderia imaginar que receberia uma sondagem de uma das equipes mais poderosas do grid e, pouco depois, uma ligação que sacramentaria seu regresso à Fórmula 1. Até então, sua manhã em Colônia, também na Alemanha, vinha sendo tranquila.

“Estava tomando café quando tocou o telefone. Antes, eu já tinha recebido uma mensagem por WhatsApp do Otmar, que queria saber onde estava e se estava com meu capacete. Pensei: o que ele está falando? Aí ele ligou e disse para eu ir o mais rápido possível. Pensei que fosse piada. Não pode ser que isso volte a acontecer. Mas ele falou que Lance não estava bem e que provavelmente não poderia pilotar. Resumindo: eu deveria ir. Queria ir para Nürburgring à tarde de qualquer forma porque tinha outros compromissos lá”, relembrou.

A bordo do carro #27, Hülkenberg saiu de último para terminar em oitavo em Nürburgring (Foto: Racing Point)

Hülkenberg confirmou que foi contatado por Helmut Marko, mas tudo não passou de uma sondagem depois que Albon fez novo teste para coronavírus e teve negativo como resultado, o que assegurou sua participação no fim de semana de corrida.

“Sim! Foi uma manhã agitada de sexta-feira. O ferro ficou quente por um momento, mas depois esfriou bem rápido. Mas não fui avisado [sobre Albon correr]. Mal sabia eu que Lance Stroll estava mal. Isso veio completamente do nada”, comentou.

Mas o piloto lembra que o fato de ter sido chamado pela Racing Point e entrado no carro de última hora tem de ser encarado como exceção, não como regra.

“Estou pronto e, contratualmente, livre. Cabe às equipes planejar e ter uma visão de longo prazo. De alguma forma, isso acontece por si só. Você não planeja algo como Nürburgring. Quer dizer, qual é a probabilidade de que a mesma equipe precise de você duas vezes por ano? Seu assento já está lá [na Racing Point], seu fisioterapeuta trabalha na equipe…”, explicou.

“Se isso tivesse acontecido em outra equipe, não seria possível porque não há um assento para mim. Outra equipe precisaria de um tempo de espera diferente. Ficar pulando entre equipes A, B ou C não é muito fácil ou desejável. Não é tão fácil assim”, disse.

“Claro que teria aberto uma exceção ao Dr. Marko. É uma ligação antiga. Mas seria bastante apertado porque o assento teria de ser reconstruído lá. Mas provavelmente teria sido possível porque não houve treinos na sexta-feira. Mas não teria dado tão rapidamente na Red Bull como foi com a Racing Point”, ressaltou Hülk.

Por fim, o piloto disse que leva quase uma vida de monge para se proteger do coronavírus e, assim, conseguir aproveitar as poucas oportunidades que tem neste ano. “Sim, muito. Se não, você brinca com fogo. É como uma roleta russa. Como piloto, você deve se cuidar sobre onde estiver indo, com quem estiver indo. Isso te limita muito”, concluiu.

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