‘Jovem e afiado’: como Alonso retorna para Fórmula 1 após dois anos fora do grid

Fernando Alonso está de volta. O bicampeão mundial regressa à estrutura da Renault, agora rebatizada como Alpine, motivado pelo que tende a trazer a revolução na Fórmula 1 para 2022

Fernando Alonso está de volta à Fórmula 1. Depois de um ano e meio de muito mistério, alimentado pelo próprio bicampeão, sobre um retorno à categoria, o espanhol anunciou, no meio do ano passado, o seu regresso ao grid como piloto da Renault. A equipe anglo-francesa, sediada em Enstone, foi rebatizada e terá como novo nome a Alpine, marca do grupo, na esteira do processo de renovação promovido pelo novo CEO Luca de Meo. Para Alonso, também é o momento de renovação de ânimo. O piloto, que em 29 de julho vai completar 40 anos, se sente como um menino para encarar seu novo ciclo na categoria que o consagrou como um dos melhores pilotos do século.

Alonso acabou sendo até ironizado por ter recebido a permissão para participar do chamado teste de novatos em Abu Dhabi em dezembro passado, ganhando um dia a mais de quilometragem com o carro de 2020 da Renault, na esteira do amplo processo de readaptação à Fórmula 1. Mas o bicampeão de fato se sente mais novo, com o físico em dia e, principalmente, com objetivos renovados.

Fernando Alonso regressa à Fórmula 1 com ânimo renovado em 2021 (Foto: Renault)

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Um dos pontos que Alonso elencou como motivação para voltar à Fórmula 1 é a revolução que a categoria vai promover em 2022 com a adoção de novos regulamentos técnico e desportivo. A grande mudança no Mundial aconteceria neste 2021, mas a pandemia forçou o adiamento por um ano. Fernando deixou claro que volta não pensando em títulos, mas sim pelo amor ao esporte.

Em entrevista ao site WTF1, que contou com as presenças também dos brasileiros Tony Kanaan e Rubens Barrichello, Alonso relembrou os motivos que o levaram a deixar a Fórmula 1 e como, num espaço de dois anos, conseguiu resgatar o ânimo para fazer parte do grid em 2021.

Naquela época, no fim de 2018, Alonso já estava envolvido com a Toyota e disputava simultaneamente a Fórmula 1 com a McLaren e o Mundial de Endurance com a marca japonesa. Focado em conquistar o título mundial depois de ter conquistado pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans, o bicampeão da F1 decidiu ficar livre dos compromissos com a categoria e alçar outros voos.

“Eu tinha outras coisas em mente e minha cabeça estava ocupada com a Indy e o objetivo da Tríplice Coroa. Queria terminar o Mundial de Endurance da melhor maneira possível. Naquela época, o GP da Austrália e a etapa de Sebring estavam conflitando”, lembrou.

“Queria conquistar o título do Mundial de Endurance, conquistar Le Mans pela segunda vez, tinha Daytona com a Cadillac também. E tive a sensação de que poderia de que poderia tentar o Dakar”, citou Alonso.

Fernando Alonso brilhou no Endurance e foi bem até no Dakar. Agora, o bicampeão volta à F1 (Foto: IMSA SportsCar)

O espanhol disputou — e venceu — as 24 Horas de Daytona de 2019 com um Cadillac DPi da Wayne Taylor Racing ao lado de Renger Van der Zande, Kamui Kobayashi e Ricky Taylor. Ainda em 2019, venceu novamente as 24 Horas de Le Mans e confirmou o título do WEC. Em 2020, com a Toyota, desenvolveu um amplo programa de testes, no Oriente Médio e na Europa, fez seu debute no Dakar e foi bem, deixando ótima impressão. Na Indy, contudo, Fernando fracassou. Se em 2017 chegou até a ser um postulante à vitória na sua estreia nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2019 amargou vexame histórico e sequer conseguiu uma vaga no grid de 33 carros. No ano passado, passou quase despercebido e foi um mero coadjuvante de luxo.

Em razão da sua busca por novos horizontes no automobilismo, a Fórmula 1 ficou de lado. “Enfim, tinha muitas coisas na minha mente que não eram a Fórmula 1. A F1 não era atraente para mim naquela época, não oferecia o que outras categorias me ofereceram. Então pensei: ‘Olha, é melhor parar por aqui, não sei se voltarei com as novas regras em 2021 ou não, então vamos dizer que esta é minha última corrida’”, recordou Fernando, fazendo menção ao GP de Abu Dhabi de 2018, que marcou sua despedida da McLaren e, de certa forma, da própria F1.

Desde que foi anunciado oficialmente pela Renault, hoje Alpine, Alonso intensificou ainda mais o trabalho físico e também trabalhou no processo de imersão no seu retorno à Fórmula 1, seja testando com carros mais antigos da equipe ou o polêmico teste de novatos, quando teve a chance de guiar o R.S.20.

Depois da intensa preparação iniciada no meio do ano passado e que segue nos primeiros dias de 2021, o bicampeão, dono de 32 vitórias, 22 poles, 23 voltas mais rápidas, 97 pódios e dois títulos mundiais ao longo de 312 GPs e 17 temporadas, está pronto para o retorno.

“Depois de completar alguns desses desafios, faltando só a Indy, achei que era o momento certo para voltar, mesmo que as novas regras valham para 2022. Eu me sinto bem, me sinto jovem, me sinto afiado, então vamos tentar novamente”, concluiu.

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