Lauda quis convencer Mercedes a fornecer motores para Red Bull, mas foi voto vencido, revela diretor

No auge da crise da Red Bull com a Renault, em 2015, quando a equipe taurina até ameaçou deixar a F1 se não tivesse um motor competitivo, Niki Lauda se mostrou favorável à Mercedes fornecer suas unidades motrizes ao time de Milton Keynes. Mas foi voto vencido, revelou o diretor esportivo da Mercedes, Ron Meadows

O casamento de ‘tapas e beijos’ vivido por Red Bull e Renault, cujo divórcio aconteceu no fim do ano passado, teve o auge da crise em 2015. Insatisfeita pela falta de potência e confiabilidade dos motores construídos em Viry-Châtillon, a equipe austríaca ameaçou não apenas romper a união com a montadora como cobrou de Mercedes e Ferrari que uma das duas lhes fornecesse unidades de potência. À época, Christian Horner e até Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, ameaçaram tirar o time de campo.
 
No fim das contas, a Red Bull acabou renovando com a Renault por mais duas temporadas, rebatizando seus motores com um dos seus patrocinadores, a marca de relógios TAG Heuer. Mas se dependesse de Niki Lauda, presidente não-executivo da Mercedes e amigo de Helmut Marko, consultor da Red Bull, a realidade poderia ter sido bem diferente. O austríaco, tricampeão mundial de F1 como piloto, morreu na segunda-feira, 20 de maio, aos 70 anos.
Niki Lauda era amigo próximo de Helmut Marko, consultor da Red Bull (Foto: Reprodução)

Em vídeo divulgado pela própria Mercedes, Ron Meadows, diretor esportivo da escuderia pentacampeã do mundo, revelou que Lauda queria que os carros taurinos fossem empurrados por motores da montadora alemã, construídos em Brixworth. O que acabou não acontecendo.

 
“Lembro que, no começo, Niki queria que a Red Bull usasse motor Mercedes. Ele pensava que isso nos faria uma equipe mais forte porque teríamos uma competitividade maior”, disse o dirigente.
 
“Mas nós não quisemos isso e quisemos manter o motor só para nós. Tivemos de convencê-lo, mas no fim das contas, ele entendeu. Entendo o que ele queria porque seu desejo era fazermos melhores a cada dia”, acrescentou.
 
A Mercedes descartou a Red Bull como cliente porque não queria equipar uma outra equipe de ponta com seus motores, o que fortaleceria um adversário em potencial. Nos últimos anos, a Mercedes tem como clientes a Williams e a Racing Point, antiga Force India. A Manor também foi cliente da marca alemã até fechar as portas, em 2016.
 
A Red Bull, depois de cumprir seus dois últimos anos de contrato com a Renault, é empurrada desde a atual temporada pelos motores da Honda, que também equipa o time B taurino, a Toro Rosso.

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