F1

Tricampeão da F1 e dirigente da Mercedes, Lauda não resiste a problema renal e morre aos 70 anos

Uma lenda da F1 e do automobilismo de forma geral saiu de cena. Niki Lauda, um dos maiores pilotos de todos os tempos, tricampeão nas pistas, e dirigente de sucesso, morreu na Suíça após problemas nos rins. Apesar de fazer diálise, Lauda, que tinha 70 anos, não resistiu

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Três vezes campeão mundial de F1 nas décadas de 1970 e 1980, Andreas Nikolaus Lauda, conhecido no mundo do esporte como Niki Lauda, não resistiu a problemas renais e morreu na noite desta segunda-feira (20), na Suíça. Lauda tinha 70 anos e nunca deixou a F1, sendo que nos últimos anos ocupou a função de presidente não-executivo da Mercedes, equipe pentacampeã mundial.

A saúde do austríaco se complicou em agosto de 2018, quando Lauda precisou passar por um transplante de pulmão, em Viena. Mesmo em estado considerado muito grave, evoluiu seu quadro e, três meses mais tarde, teve alta do hospital e iniciou intensiva reabilitação, mas com muitas restrições pela situação delicada.

Na esteira da sua recuperação, Lauda se mostrou muito animado com a perspectiva de regressar ao paddock e à garagem da Mercedes e prometeu: "Vou voltar em breve".
 
No início do ano, contraiu uma forte gripe e se viu obrigado a retornar ao hospital, mas recebeu alta e seguiu o tratamento em casa, se ausentando das primeiras corridas da temporada da Fórmula 1, mas com perspectiva de voltar.
Niki Lauda morreu aos 70 anos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Nesta terça-feira, o ex-piloto foi internado em uma clínica na Suíça, onde passou por diálise, para lidar com problemas renais, detectados durante a gripe contraída em janeiro.

As primeiras informações sobre a morte de Lauda indicavam uma mensagem enviada pela família, por e-mail, à imprensa austríaca. A mensagem foi confirmada posteriormente pelas agências de notícias. Nem Mercedes nem a Fórmula 1 se manifestaram por enquanto.

"Niki Lauda morreu. Tenho de confirmar isso", disse Walter Klepetko, o médico que fez o transplante de pulmão no ano passado, alguns minutos depois que a notícia foi divulgada.

"Com profunda tristeza, anunciamos que nosso amado Niki morreu pacificamente com sua família na segunda, 20 de maio de 2019. Suas realizações únicas como atleta e empreendedor são e permanecerão inesquecíveis. Seu incansável entusiasmo pela ação, sua franqueza e sua coragem seguem um modelo e uma referência para todos nós. Ele era um marido amoroso e atencioso, pai e avô longe do público, que vai sentir sua falta", divulgou a família do austríaco em e-mail.

O transplante do pulmão em 2018
 
A intervenção cirúrgica de transplante pulmonar aconteceu um dia após o aniversário de 42 anos do famoso acidente que o então campeão mundial vigente Lauda sofreu no GP da Alemanha de 1976, em Nürburgring, e que provocou queimaduras tão severas que perduraram pelo resto da vida. 
 
Lauda, que quase morreu no acidente, espantou o mundo ao voltar ao cockpit da Ferrari 40 dias depois para seguir a disputa pelo título contra o rival e amigo James Hunt. A história virou produção hollywoodiana com o filme 'Rush - No Limite da Emoção', em 2013.
Promo filme Rush; James Hunt e Niki Lauda; Chris Hemsworth; Daniel Brühl
Após ser campeão em 1975, vice em 1976 e bicampeão em 1977 pela Ferrari, Lauda deixou a escuderia de Enzo Ferrari, ainda com mágoas que duravam desde que a equipe colocou um piloto em seu lugar após a batida de Nürburgring. Lauda guiou mais dois anos por uma Brabham enfraquecida antes de se aposentar e passar três anos afastado. Mas 1982 a McLaren chamou, e Lauda atendeu. Foram mais quatro anos de F1, com direito a um derradeiro título, já aos 35 anos, em 1984.
 
No fim das contas, a carreira de Lauda como piloto da F1 terminou com 171 largadas, 25 vitórias e 54 pódios, além claro, dos títulos. Eleições recentes da revista inglesa 'Autosport' e emissora de TV também inglesa BBC colocam Lauda entre os dez maiores pilotos da história do esporte. 
 
Apesar de empresário de sucesso em outros ramos e de um conhecido fascínio por aviões, o austríaco nunca deixou a F1 de uma vez por todas. Chegou a ser chefe de equipe da Jaguar no fim dos anos 1990 e atualmente atuava como presidente não-executivo da Mercedes. Neste cargo, comemorou os últimos oito títulos do Mundial de F1 - quatro de Pilotos, com Lewis Hamilton e Nico Rosberg, e quatro de Construtores. 
 
A última vez que Lauda esteve no paddock da F1 foi no GP da Inglaterra. Por conta da situação de saúde, ele já não esteve nos GPs da Alemanha e da Hungria. 
 
Lauda deixa quatro filhos. Os gêmeos Max e Mia, de oito anos, filhos do casamento com a atual esposa Birgit Wetzinger, e Lukas e o também piloto Mathias, respectivamente de 39 e 37 anos, filhos do casamento de 15 anos com a ex-esposa Marlene Knaus.