F1

Leclerc perde pole no Azerbaijão e erra em cima de mais um erro da Ferrari. Mercedes só agradece

A pole em Baku tinha nome e sobrenome. Ainda que a Mercedes lançasse mão do poderoso ‘modo festa’, Charles Leclerc vinha imperial neste fim de semana e conquistaria seu lugar de direito na ponta do grid. Ele errou, de fato, em um momento decisivo, mas a Ferrari também tomou uma decisão arriscada ao mandá-lo à pista com os compostos médios em cenário de pista mais fria e de pouco downforce. Lá se foi uma chance de ouro de tentar a redenção no campeonato

GRANDE PRÊMIO / VICTOR MARTINS, de São Paulo / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
O cenário de sexta-feira no Azerbaijão era levemente similar ao do Bahrein, tirando os problemas com bueiros e bandeiras vermelhas. Com Charles Leclerc, a Ferrari assustava a Mercedes colocando 0s7. Lewis Hamilton já dava praticamente a situação como definida em favor da Ferrari mesmo que o ritmo de corrida apresentado pelos carros prateados fosse similar ao dos rivais - "A gente parecia mais forte em ritmo de corrida que em classificação aqui. E Valtteri é sempre rápido e precisarei trabalhar para buscar", disse o pentacampeão. Ao menos para a classificação deste sábado (27), não havia ‘modo festa’ que desse jeito.
 
A situação ficou ainda mais espantosa quando Leclerc colocou 1s5 na rapa no treino livre 3, inclusive no companheiro Sebastian Vettel. A situação era mais clara ainda: o monegasco havia se achado tanto na pista que ia levar a pole com uma mão na roda. Sabe-se agora que não levou porque ‘kubicou’ durante o Q2. Ao ato de ‘kubicar’, entenda-se, cometeu o mesmo erro dando com o carro #16 na barreira de proteção do Castelo de Baku.
 
“Sou um estúpido, um inútil, eu mereço”, martirizou-se várias vezes Leclerc via rádio, via Twitter e depois nas entrevistas aos jornalistas. Leclerc tem se cobrado muito e se chamado de estúpido com alguma frequência. Se lhe faz bem cobrar-se desta forma, que continue, mas há um tom de exagero nisso que precisa ser trabalhado delicada e progressivamente. Mas, fora dele, há um outro trabalho muito maior a ser feito: o da Ferrari mesmo. Foi ela quem, novamente, se perdeu e fez o moleque, ao fim e ao cabo, perder a pole.
 
O carro de Charles Leclerc volta aos boxes da Ferrari após acidente no Q2 (Foto: AFP)
A regra da Fórmula 1 indica que quem passa ao Q3 larga na corrida do domingo com os pneus com os quais se classificou no Q2. A Ferrari estava tão segura de si que resolveu arriscar: mandou Leclerc, e também Vettel para a pista com pneus médios, os amarelos, os mais lentos que os vermelhos. Só que os tempos de volta que os dois fizeram com tais compostos colocavam em risco a passagem à fase final, já que a pista estava mais fria – o sol estava se pondo diante da demora necessária para arrumar a terra arrasada por Kubica – e com menos downforce – a equipe escolhera a velocidade de reta como garantia para uma boa performance em Baku, impulsionada pela asa traseira mais larga neste fim de semana.

Ainda, a decisão era tão sem sentido que, mesmo que os dois carros passassem à parte final, a corrida estaria seriamente comprometida, uma vez que partir de pneus médios contra os macios dos rivais deixaria os vermelhos vulneráveis na parte inicial de uma prova que promete de um tudo, dado o que se viu até agora.  E tanto foi assim que os dois pilotos voltaram aos pits para que a Ferrari efetuasse a troca para pneus melhores. Sob pressão, deu no que deu. Vettel, inclusive, quase bateu no mesmo trecho e teve habilidade em não perder o carro em manobra de kart.
 
Mattia Binotto e seus red caps apresentam uma capacidade imensa de perder o que já conquistaram de melhor. Leclerc tinha um quarto lugar, ao menos, garantido no GP da China, todos se lembram. Para priorizar Vettel, alteraram a tática de paradas do jovem monegasco, depois voltaram atrás, e o moleque acabou em quinto.
Valtteri Bottas e Lewis Hamilton fizeram 1-2 (Foto: Mercedes)
Veio o Q3, e aí a Mercedes mostrou tudo que tinha para mostrar, enquanto Seb não mostrou o que Leclerc apresentou ao longo do fim de semana. Proporções feitas e noves fora, a disputa pela pole acabou incrivelmente deliciosa e se deu da seguinte forma: Lewis Hamilton parecia ser o premiado com uma volta 0s4 melhor que Vettel. O alemão foi para a tentativa final fazendo o primeiro melhor setor, ficou pouca coisa para trás no segundo e sabia que poderia ganhar no terceiro; tivesse um vácuo qualquer à frente, teria conseguido. Bottas, que não vinha melhor que nenhum deles nos dois setores iniciais, arrebatou a primeira colocação.
 
É uma tentativa de desforra do piloto que tinha a vitória nas mãos no fim da corrida louca do ano passado, mas se viu com um pneu furado e a garganta entalada. Ainda tem um trabalho inacabado com Baku, certamente. 
 
A classificou provou de novo a excelência da Mercedes. Em nenhum momento, a esquadra alemã parecia capaz de frear essa veloz Ferrari, especialmente no terceiro setor, o mais rápido. Então, o que fazer? Ser melhor onde os carros vermelhos não são. Ou seja, na parte mais seletiva do circuito. É ali que os prateados ganham, além de uma estratégia de classificação primorosa: o jogo do vácuo e o poderoso ‘modo festa. Mas é na corrida que está a força do W09. Como dito ontem, o ritmo de Hamilton, especialmente, é superior ao dos italianos. 
 
Max Verstappen terminou também perto em quarto, o que significa que a briga vai ter os quatro neste domingo. Só os quatro? Não. Não descarte Leclerc. É bem óbvio que ele tem o melhor carro do grid. E é Baku, onde tudo sempre acontece – a corrida da F2 horas antes já deu o acepipe do fim de semana. Só que a política de amanhã, de Charles e da Ferrari, é zero erro. E nisso se inclui abolir qualquer iniciativa para chegar via rádio e pedir/ordenar ao moleque que faça o que bem entender para paparicar Vettel.
Max Verstappen (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
No pelotão da ‘F1 B’, vale olhar bastante para o que farão as Alfa Romeo e as Toro Rosso. São elas que dominam o fim de semana no lugar das frágeis e cambaleantes Renault e Haas. Estas ocupam o fim do grid junto com a Williams que só tem prejuízo. A McLaren é uma que pode surpreender, sobretudo com este crescente Lando Norris.

A largada do GP do Azerbaijão de F1 está marcado para as 9h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL


Confira a programação do fim de semana do GP do Azerbaijão de F1
Horários de Brasília, GMT -3

SESSÃO DIA DATA HORA
TL1 Sexta 26/4 6h
TL2 Sexta 26/4 10h
TL3 Sábado 27/4 7h
TC Sábado 27/4 10h
GP Domingo 28/4 9h10