Hamilton se diz aberto a conversar com sauditas, mas vê opressão “aterrorizante”

Britânico destacou que não cabe aos atletas negociarem com países questões relacionadas a direitos humanos, mas se disse disposto a fazê-lo. O piloto da Mercedes ressaltou que a Fórmula 1 fez uma escolha ao decidir correr na Arábia Saudita

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Lewis Hamilton classificou como “aterrorizante” violação aos direitos humanos na Arábia Saudita. O britânico reconheceu que a Fórmula 1 fez uma escolha ao aceitar correr no país, mas se disse disposto a conversar com as autoridades sauditas, mesmo reconhecendo que este não é um papel que cabe aos atletas.

Desde o fim de 2019, a Arábia Saudita tem ganhado espaço no esporte a motor. Primeiro, o país recebeu a Fórmula E. Depois, passou a sediar o Rali Dakar e a Fórmula 1. E agora já começa até a olhar para a MotoGP. Tudo isso faz parte de um projeto chamado ‘Visão 2030’, um plano do príncipe Mohammed Bin Salman para reduzir a dependência de petróleo, diversificar a economia e desenvolver setores como saúde, educação, infraestrutura, recreação e turismo.

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Lewis Hamilton se disse aberto a conversar com autoridade da Arábia Saudita (Foto: AFP)

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A Arábia Saudita é uma ditadura, um dos países mais fechados do mundo e um lugar onde os direitos humanos e das mulheres são constantemente violados. Além disso, os sauditas seguem o wahabismo, a vertente mais rígida e conservadora do Islã, que é conhecida popularmente como mãe de todos os movimentos fundamentalistas. Por isso, a aproximação dos sauditas com o esporte é vista como uma tentativa de ‘sportswashing’, quando modalidades esportivas são utilizadas para transformar a imagem de algum lugar.

“O esporte fez a escolha de estar aqui, sendo certo ou errado”, disse Hamilton. “Acho que, enquanto estamos aqui, mais uma vez, sinto que é importante tentarmos aumentar a conscientização”, defendeu.

Hamilton, contudo, classificou as violações aos direitos da população LGBTQIA+ na Arábia Saudita como “aterrorizantes”.

Segundo relatos da imprensa internacional, mais de cem pessoas foram executadas Arábia Saudita em 2022, 81 delas só em 12 de março. E a expectativa é que o total alcance a marca de 500 até o fim do ano.

Indagado se tinha alguma ressalva por correr no país, Lewis respondeu: “A minha posição ainda é a mesma que manifestei no ano passado. Não há muito que eu possa dizer que vá fazer a diferença”.

Ainda, o britânico comentou sobre uma carta que recebeu, enviada por um jovem de 14 anos que está no corredor da morte na Arábia Saudita.

“É, obviamente, alucinante ouvir essas histórias. Ouvi que me enviaram uma carta, por exemplo, de uma pessoa de 14 anos que está no corredor da morte. Aos 14, você não sabe que diabos está fazendo da vida”, defendeu. “Nós não decidimos para onde vamos [na F1]. Mas temos a obrigação de tentar fazer o que pudermos enquanto estamos aqui. Não é necessariamente nossa responsabilidade, mas nós tentamos e fazemos o que podemos”, seguiu.

“Acho que é importante tentarmos nos educar e com uma pequena diferença, podemos tentar garantir que estamos fazendo alguma coisa. Mas, no fim, a responsabilidade é daqueles que estão no poder para realmente fazer mudanças e não estamos vendo o bastante. Precisamos ver mais”, pressionou.

Mesmo entendendo que a responsabilidade não cabe a ele, Hamilton se disse aberto a conversar com as autoridades sauditas sobre temas ligados a direitos humanos. O piloto da Mercedes, junto com Sebastian Vettel, tem sido um dos grandes responsáveis por trazer essa temática para dentro da F1.

“De novo, refletindo que não deveria ter de ser nossa responsabilidade ter de fazer isso. Mas, obviamente, é uma situação muito, muito complexa. Estou sempre aberto a conversar, a aprender mais e a tentar entender exatamente o motivo de as coisas estarem acontecendo e a razão de não estarem mudando”, falou. “Estamos em 2022, é fácil fazer mudanças. Mas estou aberto a fazer isso. Não sei com quem exatamente teria de falar, mas adoraria ver isso. Sei que Boris [Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido] esteve aqui recentemente. Ouvi dizer que a questão dos direitos humanos foi levantada, mas o que foi dito, o que foi feito, não ouvi nada a respeito disso”, completou.

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