Hamilton celebra condenação de policial por assassinato de George Floyd: “É monumental”

Lewis Hamilton, que desde a morte de George Floyd passou a ter um forte engajamento na Fórmula 1, disse que sente emoções "difíceis de descrever" com a prisão de Derek Chauvin

A terça-feira (20) foi um dia histórico na justiça norte-americana. 12 jurados decidiram que o ex-policial Derek Chauvin é culpado pelo assassinato de George Floyd, estrangulado em 25 de maio do ano passado, em Mineápolis, no estado americano do Minnesota, após ser acusado de usar uma nota falsa. Lewis Hamilton, um dos atletas mais ativos na busca por justiça pela morte de Floyd, usou as redes sociais para celebrar a condenação.

“JUSTIÇA para George! As emoções que sinto agora são difíceis de descrever. Derek Chauvin foi considerado culpado. Esta é a primeira vez que um oficial branco é condenado por matar um homem negro em Minnesota. Isso é monumental, a morte de George não foi em vão”, escreveu o heptacampeão.

Lewis voltou a marcar posição na luta antirracista e contra a truculência policial. O inglês pediu uma sociedade mais igualitária, bem como garantiu que a luta por justiça não termina apenas com a condenação de Chauvin. Hamilton, em 2020, chegou a ir ao pódio na Toscana com uma camiseta protestando contra a morte de Breonna Taylor, jovem negra, assim como Floyd, morta a tiros pela polícia de Louisville.

Lewis Hamilton usou camisa pedindo a prisão dos policiais que mataram a jovem negra Breonna Taylor (Foto: AFP)

“O resultado do julgamento de Derek Chauvin hoje foi o correto. Condená-lo por todas as três acusações marca um novo amanhecer da luta por justiça racial. O resultado de hoje é uma vitória sombria para George e sua família, mas mostra que nossos esforços para promover a justiça não são em vão. Vozes pretas foram ouvidas e a ação está acontecendo. Quando estamos juntos, podemos fazer a diferença. Mas este é apenas um passo no caminho para uma sociedade mais igualitária. Desde a morte de George, muitos outros pretos morreram nas mãos da polícia e devemos garantir que o ímpeto de hoje continue. A luta não acabou e há mais a ser feito. Meus sentimentos e orações estão com a família de George. Espero que eles sintam uma sensação de paz com este resultado. #BlackLivesMatter”, completou Lewis.

Quatro policiais brancos participaram da operação e Derek Chauvin ficou ajoelhado no pescoço de Floyd por mais de 8 minutos. De acordo com a investigação, Floyd não respondia mais nos últimos 2 minutos.

O caso gerou revolta nos Estados Unidos, com uma onda de protestos nas ruas de grandes cidades americanas. O fato de mais um homem negro morrer após uma operação truculenta de policiais brancos causou indignação em muitos esportistas, inclusive em Hamilton, que passou a protestar ativamente durante as corridas da F1.

LEWIS HAMILTON; F1; FÓRMULA 1;
Lewis Hamilton alcançou a icônica marca de sete títulos mundiais da F1 em 2020, mas também cresceu no ativismo (Foto: LAT/Mercedes)

Ainda em maio do ano passado, enquanto a Fórmula 1 seguia parada por conta da pandemia do novo coronavírus e os protestos pelo assassinato de Floyd eclodiam pelo mundo, Hamilton foi para a rua protestar, em Londres, mas mais que isso: cobrou publicamente o mundo da Fórmula 1 e suas estrelas pela falta de um posicionamento oficial que fosse qualquer um, na direção do antirracismo.

“Eu vejo aqueles de vocês que estão calados, alguns de vocês são as maiores estrelas, e ainda assim ficam calados no meio da injustiça. Não há sinal de manifestação de ninguém na minha indústria que, é claro, é o esporte dominado por brancos. Sou um dos únicos negros lá e estou sozinho. Eu pensava que agora vocês veriam o que acontece e diriam algo sobre isso, mas vocês não podem ficar ao nosso lado. Só sei que sei quem vocês são e estou vendo tudo isso”, escreveu no Instagram.

Hamilton voltaria à rede social para ilustrar casos de violência policial nos Estados Unidos com a frase “vocês são uma desgraça”. Foram apenas os primeiros movimentos de Hamilton, que puxou os movimentos contra o racismo na Fórmula 1 nos meses seguintes, ajoelhando antes de cada corrida – junto da maior parte do grid -, sempre com camisas e máscaras com o movimento ‘Vidas Pretas Importam’ estampado. No GP da Toscana, Hamilton foi ao pódio com uma camisa que dizia “prenda os policiais que mataram Breonna Taylor”, em outro caso de assassinato por violência policial em 2020.

Além de forçar a conversa na Fórmula 1, a criação da Comissão Hamilton, que trabalhará na base, para facilitar acesso de jovens vindos de minorias sociais para estudos relacionados à ciência aplicada na F1 e, claro, o ingresso no esporte.

Sempre ativo nas redes sociais e constantemente marcando posição em temas-chave como meio ambiente, o piloto assumiu uma luta pública contra o racismo e a repressão policial. Hamilton não foi só voz ativa nas redes sociais: o heptacampeão foi para as ruas em Londres protestar e levou o debate para dentro da própria equipe: “Não é suficiente ser racista. Você tem de ser antirracista”.

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