Hamilton experiente, Verstappen aguerrido: quais são as armas dos favoritos da F1 2021?

Um é experiente e lendário, outro é jovem e em franca evolução. Lewis Hamilton e Max Verstappen são muito rápidos, mas trazem peculiaridades que podem fazer a briga pelo título pender para um lado ou para o outro. É mais uma face de um 2021 imprevisível

Hamilton vence na estratégia e pega Verstappen: assista como foi o GP do Bahrein (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Pela primeira vez desde 2018, temos uma briga de verdade pelo título da Fórmula 1 entre pilotos de equipes diferentes. Lewis Hamilton não tem mais o luxo de se importar apenas com Valtteri Bottas, tendo agora de ficar de olho também na Red Bull, principalmente em Max Verstappen. A briga projetada entre os dois ganhou manchetes após o GP do Bahrein, muito pelo talento inegável de Hamilton e Verstappen. E há também um outro fator que torna a disputa particularmente interessante: os pontos fortes de cada um.

Explica-se: apesar de um ponto forte de cada um ser evidentemente a capacidade de Verstappen e de Hamilton de voar na maioria das situações, essa velocidade é usada de forma diferente por cada um. Um tem mais experiência, enquanto o outro tem menos. Um tem anos de carreira pela frente, enquanto o outro vai chegando ao fim da linha. Por esse prisma, as dinâmicas são quase opostas.

Hamilton celebra sua vitória no GP do Bahrein, após lutar contra Max Verstappen. É o primeiro capítulo de muitos (Foto: Beto Issa)

Comecemos pela idade. Hamilton já tem 36 anos e, ao contrário do visto uma década atrás, já está longe de ser um piloto altamente impetuoso e inconstante. A Mercedes lapidou um diamante, um piloto que consegue calcular risco e retorno. Junte isso a um carro de raríssimos problemas mecânicos e temos um fato da F1 moderna: é muito difícil ter um GP sem Lewis na zona de pontos. Mesmo em corridas duras, como os GPs da Alemanha de 2019 e o da Itália de 2020, o heptacampeão não costuma sair zerado. Parece bobagem, mas pode ser crucial em uma briga apertada pelo título. Basta ver o que aconteceu em 2016, quando um motor quebrado na Malásia significou terminar zerado em momento chave do campeonato.

Verstappen, apesar de já empilhar sete temporadas na F1, ainda é um jovem adulto de 23 anos. É de se acreditar que, quando o assunto é velocidade bruta, o piloto está em nível comparável com o de Hamilton. Só que o holandês tende a ter reflexos melhores pela pouca idade e, principalmente, uma agressividade ainda indomada. Quase como Lewis na McLaren, mas com a diferença de que o holandês é menos destrutivo do que o britânico era na ocasião. Enquanto o piloto da Mercedes tende a ser o cara que calcula mais, o da Red Bull parece ser o que não vai ter tanta paciência assim antes de agir. Isso parece ruim em primeira análise, mas pode ter efeitos positivos. É justamente esse ímpeto que pode fazer o #33 perder menos tempo em uma eventual escalada do pelotão, por exemplo.

Além disso, não é exagero algum dizer que Verstappen é um cara mais aguerrido nas pistas. Se Hamilton é o cara que vai privilegiar o resultado final e se arriscar um pouco menos, pensando no longo prazo, Max é um cara que mede menos esforços. É claro que isso tem a ver também com o fato de o piloto da Red Bull nunca ter brigado por título para valer até aqui, nunca precisando dos cuidados extras de Lewis, mas é difícil acreditar que esse comportamento mude radicalmente em 2021.

Max Verstappen amargou o segundo lugar no Bahrein. Perdeu a batalha, mas segue firme e forte na guerra (Foto: Lars Baron/AFP)

Até aqui, falamos de elementos que têm muito a ver com as corridas. Brigas por posições, relação entre risco e recompensa. Só que também há diferenças interessantes nos sábados de classificação, quando Hamilton é inegavelmente um piloto próximo da perfeição. Dono do recorde de mais poles da história, Lewis é cirúrgico em voltas rápidas e dificilmente dá um passo em falso. Mesmo com um carro pior no GP do Bahrein, manteve uma briga honesta com Verstappen no GP do Bahrein e seguiu sonhando com a primeira posição no grid até o cronômetro zerar.

Verstappen, por sua vez, tem um talento menos óbvio em classificação. Afinal, soma apenas quatro poles na carreira. O holandês pode muito bem se consolidar também como um especialista em voltas rápidas com o passar dos anos, mas ainda não se viu muito disso na F1. A Red Bull passou boa parte dos últimos anos com carro mais lento que os de Ferrari e Mercedes, e em alguns carros com o motor menos potente também. Foi um parto até o #33 conseguir a primeira pole, que só veio na Hungria em 2019. Missão dada foi missão cumprida no GP do Bahrein do último domingo, e isso pode ser tanto a regra quanto a exceção nos meses seguintes.

Pensando nas armas que cada favorito tem, Hamilton é certamente um cara melhor preparado para lutar por título. Já tem a mentalidade necessária para pensar no longo prazo e alia isso muito bem com sua velocidade. Verstappen é veloz também, mas ainda precisa se provar em muitos aspectos. Oportunidades perdidas como no GP do Bahrein doem e precisam ser evitadas tão cedo quanto possível. Ao mesmo tempo, seria exagero dizer que Max não tem chances: o talento bruto do jovem piloto mais brilhante da F1 atual nunca poderá ser ignorado. Olho nos dois: essas perguntas e incógnitas não vão se responder tão cedo, e quem acompanhar a temporada 2021 terá entretenimento garantido.

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