Hamilton pede salário alto e bônus, assusta Mercedes e dá ‘all-in’ para seguir na F1

A Daimler sabe das três exigências do heptacampeão para um novo contrato, mas considera duas delas exageradas: os € 40 milhões (R$ 259,5 milhões) mais bônus se a equipe for campeã novamente. O contra-ataque? George Russell. Virou um jogo de pôquer

Ao mesmo tempo em que abriu o ano recebendo a honraria como Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, Lewis Hamilton passou a viver uma situação curiosa e ímpar na sua carreira como piloto de Fórmula 1. Desde quando fez sua estreia no Mundial, em 2007, o britânico, prestes a completar 36 anos, jamais ficou sem contrato. E desde 1º de janeiro de 2021, o heptacampeão do mundo está desempregado, uma vez que seu último vínculo com a Mercedes venceu no último dia do ano passado. De acordo com o jornal britânico Express, Hamilton partiu para o tudo ou nada e tem três exigências para assinar um novo contrato e continuar na Fórmula 1. Duas delas envolvem grandes cifras, o que assusta a Daimler. A empresa-mãe da Mercedes, por sua vez, tem um trunfo na manga caso Lewis não diminua sua pedida: George Russell.

Maior campeão e vencedor da história da Fórmula 1, Hamilton recebeu, segundo a publicação francesa Business Book GP, um salário anual de € 47 milhões em 2020 (R$ 305 milhões), disparado o maior de todo o grid. Lewis quer uma quantia razoavelmente menor na comparação com o que embolsou no ano passado, mas os € 40 milhões anuais (R$ 259,5 milhões) são vistos ainda como um valor bastante alto para os cofres da Daimler.

A teórica redução de € 7 milhões (R$ 45 milhões) no salário, quando são comparados os números de 2020 e o que é pedido, seriam compensados de outra forma. É que Hamilton também quer 10% do prêmio em dinheiro a ser recebido pela Mercedes em caso de conquista do Mundial de Construtores em 2021. Levando em conta que a escuderia sediada em Brackley recebeu cerca de € 140 milhões (R$ 908 milhões) de premiação pelo hepta no ano passado, Lewis teria de embolsar cerca de € 14 milhões (ou R$ 90,8 milhões) de bônus.

LEWIS HAMILTON; F1; FÓRMULA 1;
Lewis Hamilton abriu 2021 com título de ‘Sir’, mas juridicamente está desempregado (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

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A terceira exigência de Hamilton para renovar contrato com a Mercedes é algo que vai além das grandes cifras. O heptacampeão mundial pretende desempenhar uma função como a de embaixador do grupo, sendo uma bandeira da marca no projeto voltado para sustentabilidade, leia-se, carros elétricos. Até por isso, Lewis deixou claro que quer ganhar o próximo lançamento elétrico da AMG, marca de alta performance da Mercedes.

Lewis sabe o valor que tem. Dono da carreira mais laureada da Fórmula 1 com 95 vitórias, 98 poles, 53 voltas mais rápidas, 165 pódios e os sete títulos mundiais, o piloto não é apenas sinônimo de um atleta extremamente bem-sucedido. O britânico tornou-se uma figura que transcende as pistas como ícone na defesa dos direitos humanos e da biodiversidade e no combate ao racismo e todo tipo de preconceito. A potente voz de Hamilton ecoa nos cinco continentes e também serve como o garoto propaganda perfeito para a Mercedes.

Por outro lado, a Mercedes também tem na mente a necessidade de reduzir custos. A questão aí não diz respeito especificamente ao teto orçamentário de US$ 145 milhões (R$ 768 milhões) que a Fórmula 1 vai impor às dez equipes a partir deste ano, uma vez que os salários dos pilotos não fazem parte desta conta. Mas a pandemia fez com que as escuderias do grid sofressem com a perda de receita. Só a Mercedes recebeu US$ 32 milhões (R$ 169,5 milhões) a menos na comparação com o ano passado.

Se Hamilton tem as suas cartas para jogar, a Mercedes tem um trunfo outrora pouco provável há menos de um mês. A ausência de Lewis do GP de Sakhir, em 6 de dezembro de 2020, em razão do teste positivo para Covid-19, fez com que a escuderia heptacampeã do mundo colocasse Russell em seu lugar. O prodígio britânico de 22 anos pulou do pior carro — a Williams — para o melhor com enorme facilidade, se adaptou muito rápido e fez um fim de semana exuberante, ficando muito perto de uma vitória que lhe foi tirada pelos erros da equipe no pit-stop e por um pneu furado nas voltas finais.

O fato é que Russell deixou uma ótima impressão e mostrou que a Mercedes pode ficar tranquila em relação ao futuro quando Hamilton decidir não continuar na Fórmula 1. Além da qualidade e de um talento para liderar a equipe por muitos anos, George também tem outro atrativo: é muito mais barato do que cobra o heptacampeão.

George Russell deixou ótima impressão em Sakhir e é o trunfo da Mercedes diante das exigências de Hamilton (Foto: Mercedes)

Hamilton tem ao seu lado um dos acionistas da Mercedes. Toto Wolff, um dos artífices do projeto vencedor da escuderia anglo-alemã, detém um terço das ações, repartindo a propriedade da escuderia com a Daimler e com a Ineos, empresa petroquímica britânica que recentemente adquiriu 33,3% da equipe. Grande amigo de Hamilton na equipe, o ex-piloto austríaco, visto como fundamental para a continuidade do piloto, recentemente renovou contrato e vai seguir chefiando a Mercedes pelos próximos três anos.

Ainda que o nome de Hamilton esteja na lista provisória de inscritos para a temporada 2021 da Fórmula 1 como piloto da Mercedes, paira um grande mistério sobre seu futuro. As duas partes tentam equilibrar anseios e demandas em busca de um acordo. O jogo continua, mas está cada vez mais perto de um desfecho.

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