McLaren escapa de diretiva, mas Espanha reserva mais com Verstappen à espreita
Em um dia de expectativa em função da mudança nas asas dianteiras, a McLaren passou ilesa das alterações e liderou com folga a sexta-feira de treinos livres com Oscar Piastri. Mas não se engane: o grid está mais equilibrado do que a tabela de tempos faz crer. Max Verstappen demonstrou velocidade com uma Red Bull revisada e é um candidato forte não só à pole neste sábado, mas à vitória no domingo
A sexta-feira de treinos livres da Fórmula 1 na Espanha teve a chance de perceber de perto o trabalho das equipes em relação às mudanças quanto à flexibilidade das asas dianteiras. E a grande expectativa do dia pairou sobre a McLaren, para entender qual seria o impacto das alterações no tão bem azeitado MCL39. Isso porque todo o grid praticamente precisou revisar ou adotar um conceito completamente novo diante da diretiva imposta pela Federação Internacional de Automobilismo. Mas qual foi a surpresa observar que a equipe laranja sequer refez sua peça frontal. A verdade é que os papaias apenas adaptaram a asa à nova regra e, para a preocupação dos rivais, o carro inglês seguiu muito rápido em Barcelona. Oscar Piastri liderou o dia — Lando Norris foi o mais veloz no TL1. Mas há um ponto de imprevisibilidade ainda. É que Max Verstappen está à espreita. A Red Bull repaginou seu RB21, e isso já parece dar ao neerlandês a confiança necessária para tentar entrar na briga não só pela pole, mas principalmente pela vitória no domingo.
De fato, o dia de treinos terminou com a sensação de que há um equilíbrio interessante entre os ponteiros, mas com uma McLaren que ainda lidera as ações. A equipe chefiada por Andrea Stella minimizou os efeitos das mudanças da FIA e não levou sequer uma atualização para a Catalunha. A asa dianteira dos dois carros é praticamente a mesma do início do ano, com um pequeno ajuste para atender à nova demanda — é de amplo conhecimento que o desenho da asa projetado pela equipe inglesa é um dos segredos do sucesso desde 2024. Só que o time decidiu testar outros elementos e configurações ao longo das duas sessões, e isso talvez tenha impressionado mais.
Por exemplo, os engenheiros optaram por usar duas especificações diferentes em termos de asa traseira. À tarde, o acerto utilizado foi de uma menor carga aerodinâmica, o que ampliou a performance nas retas e reduziu o arrasto — ainda assim, o carro laranja não perdeu o excelente equilíbrio nos trechos de baixa e média velocidade. A McLaren também dividiu as estratégias de pneus entre seus dois pilotos, mas Oscar foi quem se deu melhor na volta rápida.
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Dominando todos os setores em cima dos compostos macios, o australiano terminou a segunda sessão em 1min12s760, 0s286 melhor que um inesperado George Russell, segundo colocado na folha. A marca também foi 0s3 mais veloz que Verstappen e Norris, terceiro e quarto, respectivamente — e com o mesmíssimo tempo, inclusive. No entanto, chamou a atenção o consistente ritmo de corrida do tetracampeão da Red Bull, que praticamente se colocou em pé de igualdade ao do inglês da McLaren nos pneus médios. E ainda deixou a impressão de que, como vem acontecendo com frequência em 2025, há uma enorme de chance de um salto de qualidade, o que já coloca Max em posição de brigar pela pole. E isso tem potencial para mudar todo cenário da McLaren.
“Sabemos que será particularmente acirrado neste fim de semana”, reconheceu o chefe da McLaren. “Como já aconteceu em circuitos anteriores com características semelhantes, principalmente no Japão e em Ímola, foi importante começar com tudo. Tivemos um bom início hoje e temos muitos dados para analisar à medida que nos aproximamos do sábado”, completou.
Importante dizer que Piastri, embora tenha liderado, encontrou mais dificuldades que seu companheiro de equipe. “Sim, foi complicado hoje”, admitiu Oscar. “Com essas temperaturas tão altas, tentamos algumas coisas hoje, apenas para deixar o carro um pouco mais rápido. Algumas foram boas, outras nem tanto. Então, estamos aprendendo”, emendou.
Então, diante de uma Espanha equilibrada, não é possível descartar Verstappen. A Red Bull parece ter acertado na revisão da asa dianteira, além de ter exibido um bom trabalho em termos de comportamento de pneus. É bem verdade que o traçado espanhol casa melhor com o estilo do carro taurino, que gosta das curvas longas e de alta velocidade, mas é igualmente certo dizer que, nesta sexta-feira, havia mais sorrisos do que semblantes preocupados nas garagens austríacas.

“Minha sexta-feira foi ‘ok’. Eu me senti bem no carro, mas ainda não estamos onde queremos estar”, afirmou o neerlandês, antes de destacar o efeito das altas temperaturas na Catalunha para a borracha da Pirelli. “Estava muito quente, especialmente para os pneus”, acrescentou Max, que ainda preferiu a cautela quanto ao rendimento geral do modelo taurino. “Cada circuito é diferente, mas a sensação no carro aqui está um pouco melhor.”
O quatro vezes campeão tem razão ao falar do calor. As altas temperaturas devem, sim, assumir um papel fundamental ao longo do fim de semana catalão, especialmente por conta da combinação da gama mais dura de compostos da Pirelli e a abrasividade do asfalto de Barcelona. Nesta sexta-feira, muita gente sofreu com o desgaste e o superaquecimento, especialmente dos pneus traseiros.
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Esse foi o caso da Mercedes, cujo carro também não aprecia muito um clima mais quente. Apesar do terceiro lugar de Russell na tabela, a equipe alemã enfrentou dificuldades e terá de refinar mais o acerto para driblar os pontos fracos. Enquanto isso, a Ferrari ainda tenta se entender com o novo conceito de asa que levou à Catalunha, mesmo que o ritmo de corrida pareça mais decente do que os tempos em volta única.
E nesta mistura de calor e degradação dos compostos, que inclui também a McLaren, a Pirelli dá a dica: “Nessa superfície muito abrasiva, o gerenciamento da degradação térmica no eixo traseiro será um dos principais fatores no domingo. Para tentar proteger os pneus traseiros, as equipes terão de prestar atenção especial ao equilíbrio do carro, pois há o risco de aumentar o estresse sobre os dianteiros, especialmente do lado esquerdo. Com esse cenário, se alguém quiser estender muito o stint, o desgaste dos pneus deve ser levado em consideração, sempre com atenção especial ao dianteiro esquerdo, que é submetido a um estresse significativo.”
Portanto, o GP da Espanha começa mais aberto do que a tabela de tempos da sexta-feira faz parecer.
A Fórmula 1 realiza o GP da Espanha de 30 de maio a 1º de junho, em Barcelona, nona etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Barcelona para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horários em Brasília
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