F1

Mercedes anula antigo ponto fraco e se põe tão dominante em Mônaco que pode até dispensar ‘modo festa’

A Mercedes deu sinais no Azerbaijão, mas principalmente em Barcelona. O caso é que, até ano passado, o carro prata sofria em pistas travadas, e Mônaco era uma dor de cabeça, porém o excelente time alemão anulou essa desvantagem, e isso ficou nítido nesta quinta-feira de treinos em que Lewis Hamilton e Valtteri Bottas colocaram quase 0s8 em cima da Ferrari

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
Houve um tempo em que Mônaco causava calafrios nas garagens da Mercedes – por mais louco que isso pudesse parecer. Ao menos nas três edições mais recentes, o travado circuito do Principado representou um pesadelo para os prateados. A última vitória, em 2016, só veio depois de uma presepada da Red Bull. No ano seguinte, Sebastian Vettel levou a melhor e, em 2018, Daniel Ricciardo fez as pazes com a pista e venceu com sobras. O caso é que o carro alemão sofria com as curvas de baixa, com os pneus e a aderência mecânica. De fato, era o grande calcanhar de Aquiles desse conjunto vencedor. Só que a esquadra atingiu um ponto de excelência tão alto nesta temporada que parece não ter mais áreas com déficit de performance. E ninguém pode se queixar de ter sido pego de surpresa. A equipe ligou o primeiro aviso no Azerbaijão, onde se deu muito melhor nos setores de menor velocidade e, depois, em Barcelona, traçado em que voou no sinuoso trecho final. Daí um desempenho tão assustador logo de cara, transferindo os piores temores para a concorrência nas estreitas e traçoeiras ruas de Monte Carlo. 
 
A Mercedes foi a mais rápida desde os primeiros momentos. Lewis Hamilton e Valtteri Bottas se revezaram na ponta da tabela e não deixaram transparecer qualquer problema. É verdade que, na manhã monegasca, Max Verstappen se pôs muito próximo, menos de 0s1 do inglês, mas a esperança de embate caiu por terra à tarde, quando a dupla prateada revelou a real: em ritmo mais forte e usando os pneus médios (C4/amarelos) – em Mônaco, equivalentes aos ultramacios do ano passado –, foi quase 0s3 mais veloz do que a Ferrari, quem mais próxima ficou dos carro prateados. Só que os italianos andavam com os macios (C5/vermelhos) – basicamente, os hipermacios e mais rápidos.

Aí já era o começo do fim. 
Sebastian Vettel foi mais perto ficou da Ferrari (Foto: Beto Issa)
Depois, quando a simulação de classificação teve início de verdade, a Mercedes impôs um domínio supremo, mesmo tendo certa dificuldade para aquecer corretamente os pneus – o dia em Mônaco foi de temperaturas mais amenas, e isso teve muita influência quanto à geração de calor dos compostos. 
 
Usando os macios, Hamilton e Bottas, de novo, voaram pelo Principado. O inglês chegou a perder a volta ‘boa’ do pneu, depois que se viu atrás de uma Ferrari no trecho final do traçado. Ainda assim, o #44 foi capaz de tirar do composto maior performance até virar 1min11s118, marca bem próxima ao recorde de 1min10s810. Os dois companheiros de equipe ficaram separados por apenas 0s081, o que indica que a pole-position será decidida nos detalhes.
 
E a menos que a chuva ou um eventual acidente acometa as Mercedes, a briga pela posição de honra será restrita aos homens de Brackley. E isso se dá pelo simples fato de que nem Ferrari e nem Red Bull têm performance suficiente para encarar a rival prateada. A diferença para Vettel, o terceiro colocado, foi de 0s763 – uma desvantagem significativa, especialmente sendo Monte Carlo o circuito mais curto da temporada. 
 

Já Verstappen sofreu um revés que lhe custou tempo: detritos da pista danificaram os radiadores do seu carro, e isso lhe segurou nos boxes até os reparos. Mas também não quer dizer que Max tinha, de fato, a chance de bater os carros prata. A oportunidade certa, porém, se apresenta em forma de briga com os italianos. O que ficou claro é que, em uma volta rápida, o holandês pode se colocar na disputa, o que não está ainda certo é qual é o real desempenho em ritmo de corrida, uma vez que a Ferrari já possui uma performance bem mais consistente, ainda que não esteja próxima do que mostrou a Mercedes.
 
Como se sabe, a classificação de Mônaco é quase meia corrida. E para Ferrari e Red Bull será fundamental estar na segunda fila do grid. A primeira, parece já ter dono. E esses donos, diante do cenário que se apresentou nesta quinta-feira, não vão precisar sequer do ‘modo festa’ – aquele impulso maroto do motor – para garantir as primeiras colocações. Ou seja, a Mercedes está fazendo exatamente o que os rivais temiam. E mais.

A F1 retorna à pista em Monte Carlo apenas no sábado, com a sexta-feira sendo dedicada aos vários eventos programados. O terceiro treino livre está marcado para 7h (horário de Brasília), enquanto a sessão que define o grid de largada acontece às 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REALSiga tudo aqui.

 
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