Mercedes aponta Flecha, Racing Point desponta e Red Bull decepciona na volta da F1

Passaram-se quase quatro meses desde a pré-temporada e uma mudança de layout, mas nada disso mudou o fato de que a Mercedes domina novamente a F1. Os agora carros pretos lideraram a primeira sexta-feira de 2020 e assustaram. Mas o dia ainda teve uma grata surpresa com a Racing Point, a decepção da Red Bull e o mais do mesmo da Ferrari

A Flecha não é mais prata, mas ainda é uma Flecha. O lindíssimo carro preto que foi à pista, nesta primeira sexta-feira (3) da F1 2020, no Red Bull Ring, assustou os rivais. A equipe chefiada por Toto Wolff confirmou a performance lá da pré-temporada e deixou claro que é, sim, favorita à pole, à vitória, ao título. O W11 é veloz em tudo que se propõe. Tanto é verdade que Lewis Hamilton e Valtteri Bottas lideraram com folga a tabela nos dois treinos livres para a primeira das duas corridas que a Fórmula 1 vai disputar na Áustria, neste início de campeonato um tanto estranho. Afinal, arquibancadas vazias, máscaras e distanciamento ainda provocam uma sensação de que nada está mesmo sob total controle.

De qualquer forma, a esquadra seis vezes campeã já disse a que veio. Durante as atividades, o time dedicou a avaliar os pneus macios e médios – ainda há o composto duro, mas agora, dentro do novo regulamento, é a Pirelli quem determina a quantidade de jogos por pilotos (8 macios, 3 médios e 2 duros). O hexacampeão foi o melhor em ritmo de corrida com os amarelos. Bem melhor, colocou quase 0s5 em média na concorrência – leia-se Sergio Pérez. Com os vermelhos, Bottas foi ligeiramente mais rápido que o inglês. Mas ambos ainda muito distantes do resto.

A Mercedes ainda fez uso do seu DAS – o sistema de direção de eixo duplo. O recurso auxilia também em um gerenciamento melhor da temperatura dos pneus, o que pode ajudar bem em termos de desgaste da borracha, além da melhora em termos aerodinâmicos. Também sobre o DAS, Toto Wolff admitiu que há uma desvantagem, relacionada ao peso. Mas revelou que o dispositivo pode ser utilizado na volta de apresentação ou sob a intervenção do safety-car. A Red Bull entrou com um protesto contra o recurso da rival – entende-se que os rubro-taurinos também tenham desenvolvido um dispositivo semelhante. Enfim, a polêmica que ficou em espera desde março.

Ainda sobre os atuais campeões, o único ponto de interrogação aí foi a suspeita de falha no câmbio no carro de Bottas no segundo treino livre. O finlandês também acabou a simulação de corrida 10 minutos antes do usual. Quer dizer, neste momento, apenas um problema mecânico tira a Mercedes do páreo.

Lewis Hamilton comanda dia na Áustria (Foto: Mercedes)

Mas se o ótimo desempenho do time alemão era esperado, a surpresa mesmo ficou por conta dessa impressionante Racing Point. Bem, desde a pré-temporada já se imaginava a performance dos rosáceos, que acabou confirmada, mas foi muito além. O W10 disfarçado de RP20 é muito bom, rápido e consistente. Nas mãos de Pérez, o ritmo de corrida, especialmente em cima dos pneus médios, foi excelente, sendo quase 0s3 mais rápido que Max Verstappen. Em voltas rápidas únicas, o mexicano se estabeleceu em terceiro, à frente da Ferrari e da Red Bull. Já Lance Stroll parece ser o elo fraco desse conjunto. O canadense cometeu erros, inclusive durante a simulação de classificação e perdeu bem para o companheiro de equipe.

Quem mais perto ficou da Racing Point foi a Ferrari. A escuderia viveu um dia apagado, dando a impressão de que ainda está procurando performance. Afinal, parece que perdeu aquela velocidade de reta incrível – são cerca de 8 km/h de déficit para a Mercedes – e ainda há mostrou certa dificuldade em termos de classificação. Também é certo dizer que os italianos priorizaram o ritmo de corrida. E aí existe uma luz no fim do túnel: Sebastian Vettel conseguiu se colocar em quarto na tabela, ainda que quase 0s7 atrás de Hamilton, mas teve um desempenho muito bom com os pneus duros em stints mais longos. Charles Leclerc não foi capaz de andar próximo do colega alemão.

Sergio Pérez foi o destaque do dia ao exibir o grande desempenho da Racing Point (Foto: Racing Point)

Mas enquanto a Ferrari faz mais ou menos o que se pensava dela, a Red Bull é a grande decepção do dia – ao menos neste primeiro momento. É claro que a equipe austríaca chegara à pista caseira envolta em expectativa, uma vez que venceu por lá nos últimos dois anos, além da ótima impressão deixada na parte final da sessão de testes lá de Barcelona. O RB16 é rápido, de fato, mas também extremamente nervoso. E isso ficou nítido no trabalho que Max Verstappen e Alex Albon tiveram para manter o carro na pista.

O arisco modelo de Adrian Newey sai muito de traseira. Inclusive, foi alvo de queixa pelos dois pilotos nesta sexta-feira. Aliás, os dois rodaram na tentativa de tirar mais performance e domar a máquina. Verstappen cometeu mais erros, foi parar na brita e perdeu a simulação de corrida. O mesmo, curiosamente, também aconteceu com a AlphaTauri. Que encontra dificuldade semelhante com um carro que também é mais traseiro.

Também merece atenção a performance da McLaren. A equipe surgiu forte, colocando seus dois pilotos no top-10, enquanto a Renault foi ainda melhor com Daniel Ricciardo, o quinto melhor do dia. Enquanto isso, Alfa Romeo, Haas e Williams ainda carecem de mais tempo.

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