Mercedes leva susto e acende alerta de terror antigo após melhor início desde 2021
O início regular da Mercedes na F1 2025 é o melhor desde a introdução do atual regulamento técnico, com pódios em sequência e presença firme no top-5. Mas o time deu um passo atrás no GP da Arábia Saudita, com desempenho que reacendeu um antigo medo na fábrica de Brackley: a rejeição do carro ao calor
O início regular de temporada em 2025 trouxe uma Mercedes diferente dos anos anteriores do atual regulamento. Não que a equipe tenha tocado a pista brigando pelo título, mas os números após as cinco rodadas iniciais são claros, com três pódios e 111 pontos — o suficiente para ocupar a segunda colocação no Mundial de Construtores. No ano passado, a escuderia era apenas quarta e não tinha um top-3 sequer para contar história. A situação, evidentemente, mudou. Mas o GP da Arábia Saudita retomou um alerta antigo sobre uma questão profunda.
Não é segredo para ninguém que acompanhe as últimas temporadas da Fórmula 1 que a Mercedes é a principal montanha-russa do pelotão de frente há algum tempo. Vivendo muitos altos e baixos desde 2022, especialmente em 2024, as Flechas de Prata rotineiramente emendaram atuações espetaculares com desempenhos pífios. Em 2025, tudo começou bem diferente disso.
George Russell abriu a temporada com pódios consecutivos em Austrália e China, sempre em terceiro. Em tempos de domínio da McLaren e com um Max Verstappen que se vira para extrair tudo da Red Bull, os resultados indicaram o teto do que a Mercedes poderia fazer. Depois, o inglês ainda foi quinto no Japão, segundo no Bahrein — na melhor atuação do ano — e quinto de novo na Arábia Saudita.
Do outro lado da garagem, a experiência dá lugar à juventude. Na primeira temporada como titular na F1, Andrea Kimi Antonelli reforça a ideia de que a Mercedes acertou ao queimar etapas. A única corrida sem pontos veio no Bahrein, quando acabou rodado por Carlos Sainz e foi 11º. De resto, terminou em quarto na Austrália e foi sexto em China, Japão e Arábia Saudita.

E o resultado em Jedá, ainda que tenha ficado perto dos anteriores, fez um velho alerta soar em Brackley. A impossibilidade de gerenciar os pneus, que se desgastaram com muito mais facilidade que os de McLaren, Red Bull e Ferrari, foi retomada devido a uma das principais fraquezas da equipe alemã nos últimos anos: o superaquecimento.
Os carros fabricados pela Mercedes desenvolveram uma espécie de gosto por temperaturas mais baixas, e o GP de Las Vegas de 2024 é um grande exemplo disso. Em uma etapa em que os pilotos costumam lutar para aquecer os pneus, a Mercedes consegue extrair muito mais dos compostos em termos de aderência. Quando a temperatura sobe, o desgaste aumenta significativamente e o carro sofre.
E os números corroboram que o calor teve boa parcela de importância no que foi descrito por Toto Wolff como “a pior corrida do ano”. A temperatura da pista de Jedá estava 7ºC mais alta do que no ano passado, enquanto o ar estava 5,7ºC mais quente. Em comparação ao Bahrein, em que Russell teve o melhor resultado do ano, o traçado da Arábia Saudita esteve, em média, 6ºC mais quente que o de Sakhir.
Além disso, ainda vale citar que os pneus escolhidos pela Pirelli em Jedá foram de uma gama mais macia do que no ano passado, na mesma pista, e a sequência de curvas de alta velocidade força um desgaste ainda maior no eixo dianteiro dos carros. O primeiro setor é um excelente exemplo, com curvas de pé embaixo alternadas e em ângulos curtos.

Tudo isso contribuiu para um carro que não encontrou alternativas para acompanhar o ritmo de Oscar Piastri e Verstappen, que andavam à frente. A tentativa foi de estender o stint de Russell, mas os pneus do inglês ficaram destruídos e a troca precisou ser feita. Charles Leclerc, que ficou nove voltas a mais na pista, saiu dos boxes novamente atrás do inglês, mas com muito mais borracha para atacar.
O detalhe é que antes de parar, ainda com os médios da largada, Leclerc mantinha ritmo muito parecido com o de Russell — que já calçava os duros do segundo stint. Logo, o monegasco passou — e Lando Norris ainda derrubou George para a quinta posição no fim.
Não há nenhuma espécie de sinal vermelho ligado neste momento, e principalmente por dois motivos: o primeiro é que a Mercedes segue fazendo muito mais do que fez nos últimos anos, e o problema da temperatura não é nenhuma novidade; o segundo é que o regulamento se encaminha para o fim em 2025, e o time alemão já divide as atenções com as regras de 2026 — nas quais deposita grandes esperanças de voltar ao topo.
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Ainda assim, é algo que precisa ser solucionado com urgência, justamente por ser um problema tão conhecido e por tanto tempo. Nada indica que, em tempos de teto orçamentário, a Mercedes vá conseguir resolver uma característica tão profunda com a temporada em andamento. Mas é vital que esse defeito não contamine a próxima geração, sob risco de causar um novo déficit em um início de regulamento, como em 2022. É tudo que a montadora quer evitar.
Com uma sequência de pistas que prometem temperaturas maiores pela frente, a Mercedes já teme o que pode encontrar. Antes de pensar em qualquer retomada de trono na F1, a rejeição dos bólidos ao calor é uma característica que precisa deixar de existir. Não que os monopostos devam odiar o frio, mas é necessário equilíbrio para conseguir funcionar em janelas diferentes. Afinal de contas, o melhor carro não é só o mais rápido, mas aquele que consegue se adaptar a uma gama maior de situações ao longo de uma temporada.
O início de 2025 segue forte, a Mercedes está claramente acima do que conseguiu fazer nos anos anteriores (principalmente em inícios de temporada) e Russell tem somado quase todos os pontos alcançáveis, à espera de um carro melhor para brigar por vitórias. Resta ao time entender se vai seguir na montanha-russa dos últimos anos ou se é possível evitar que um alerta antigo atrapalhe mais um campeonato — ou, mais importante ainda, o tão esperado início de regulamento.
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