Mercedes pressiona FIA sobre aplicação do ADUO na F1 2026: “Não pode ser trampolim”

Chefe da Mercedes, Toto Wolff disse que ficaria "surpreso e decepcionado" se atualização da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) interferisse na ordem de forças atual da F1

O adiamento dos GPs do Bahrein e Arábia Saudita fez com que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) trabalhasse em mudanças na aplicação do ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização), mecanismo criado para equilibrar o desempenho das unidades de potência da Fórmula 1 em 2026.

Mesmo sem citar diretamente a Aston Martin e a Honda, Toto Wolff, chefe da Mercedes e que hoje detém o posto de melhor carro do grid, disse que espera que as ADUO sejam ajustadas exclusivamente para beneficiar o “fabricante que tem um problema e precisa de ajuda.”

O mecanismo visa proporcionar às equipes a possibilidade de mudanças na homologação dos motores, alívio adicional no teto de gastos — principalmente para quem sofrer com problemas sérios de confiabilidade — e horas adicionais nos testes de desenvolvimento. Tudo para evitar que uma montadora sobressaia e desequilibre a disputa.

“O princípio do ADUO era permitir que as equipes que estavam atrás em termos de unidade de potência pudessem se aproximar, mas não que fosse utilizado como um mecanismo de controle. Qualquer equipe à qual seja permitido um ADUO deve levar em conta que isso terá um grande impacto no desempenho e pode influenciar o campeonato se não for feito com absoluta precisão, clareza e transparência. Não se trata de espírito esportivo, mas de um espírito adequado da regra”, analisou, durante entrevista coletiva virtual realidade nesta segunda-feira (20).

Toto Wolff (Foto: AFP)

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“Todas as equipes terão estimativas de desempenho em relação aos outros motores e, ao que tudo indica, há um fabricante que tem um problema e precisa de ajuda. Os demais estão mais ou menos na mesma faixa, então eu ficaria bastante surpreso, e decepcionado, se fossem tomadas decisões de ADUO que interferissem na ordem competitiva atual”, completou Wolff.

O chefe da Mercedes também ressaltou que dados internos e análises próprias coincidem com as informações observadas pela federação, reforçando a necessidade de cautela na aplicação do regulamento.

“Temos dados precisos com base em análises próprias e vemos o desempenho dos rivais e o próprio desempenho. A FIA está observando os mesmos dados, então a expectativa é que a integridade do esporte continue protegida. Não seria adequado permitir um sistema a uma equipe que, de repente, dê um salto à frente. O ADUO serve como mecanismo de recuperação, não como um trampolim”, concluiu.

Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

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