Michael Andretti revela contrato com Ferrari para temporada 1992

Michael Andretti estava a caminho de ser campeão da Indy em 1991 quando teve a chance de repetir os passos do pai e correr pela principal equipe da Fórmula 1 no ano seguinte. Mas Carl Haas, sócio de Paul Newman na Newman/Haas, descumpriu a promessa e impediu a ida do norte-americano para Maranello: “Fiquei muito, mas muito bravo com ele”, revelou o ex-piloto

Um ‘não’ impediu que a carreira de Michael Andretti na Fórmula 1 tomasse outro rumo. Em 1991, o piloto norte-americano, pouco antes de conquistar o título da Indy naquele ano, assinou contrato com a Ferrari, a equipe mais tradicional do Mundial, com validade a partir da temporada seguinte. Com Alain Prost demitido, a escuderia de Maranello procurava um nome vencedor para formar dupla com Jean Alesi e viu no filho de Mario Andretti — que defendeu a Ferrari entre 1971 e 1972 e no fim da carreira, em 1982 —, o nome ideal. Estava tudo certo se não fosse pelo veto de Carl Haas, sócio de Paul Newman na Newman-Haas, onde corria Michael no início dos anos 1990.

Em entrevista ao jornalista Marshall Pruett, Andretti, hoje dono de equipe da Indy, relembrou o episódio e a chance perdida de defender a Ferrari na F1.

“Tinha acabado de assinar um contrato com ele para 92. Mas havia uma cláusula ali sobre a Fórmula 1, que ele [Carl Haas] disse que nunca se aplicaria e que, se eu fosse para a F1, ele jamais me barraria”, contou.

Michael Andretti em 1993
Michael Andretti só teve a chance de correr na F1 em 1993, pela McLaren (Foto: AFP)

“Então, em 1991, aconteceu que assinei um contrato. Isso é algo que poucas pessoas sabem. Assinei um contrato com a Ferrari para pilotar para eles em 1992”, disse Michael.

“Quando eu trouxe [o contrato] de volta para Carl, ele me falou: ‘Não vou deixar você ir’. E eu: ‘Bem, você disse que eu iria’. E fiquei muito, mas muito bravo com ele”, revelou o norte-americano, hoje com 57 anos.

A recusa aconteceu em meados de setembro, pouco antes da etapa de Road América. Michael lutava pelo título contra Bobby Rahal. Andretti lembrou a decepção com o ex-patrão, que ficou marcado não apenas pela trajetória vencedora, mas também por sempre estar com um charuto apagado na boca. Mas recordou também que a tristeza com o antigo chefe, que morreu em junho de 2016, não durou muito tempo.

“A próxima corrida foi em Elkhart Lake, e nós ficamos no mesmo hotel. Saímos pela manhã, e eu nem quis saber de falar com ele. Ele foi no carro da frente. Entramos no carro, e a manga do braço do casaco dele ficou do lado de fora da porta”, comentou Michael, que venceu aquela prova.

“Então, durante o caminho para o aeroporto, eu via essa coisa balançando com o vento, e eu era como Deus. Queria estar bravo com ele, mas simplesmente não conseguia. Que cara!”, complementou Michael.

Sem Andretti, a Ferrari contratou Ivan Capelli, italiano que despontava como revelação após ter feito boas corridas com a March e a Leyton House. Mas o piloto nascido em Milão não emplacou e foi dispensado antes do fim da temporada de 1992.

O duelo entre Michael Andretti e Bobby Rahal se repetiu em 1992. Rahal, que tinha sociedade na equipe ao lado de Carl Hogan, ficou com o título daquela vez, mas Andretti conseguiu realizar finalmente o sonho de se transferir para a Fórmula 1. O norte-americano foi contratado pela McLaren para a temporada de 1993, tendo Ayrton Senna como companheiro de equipe.

No entanto, a trajetória de Michael naquela que é uma das equipes mais poderosas da Fórmula 1 durou pouco. O piloto levou cinco corridas para pontuar pela primeira vez e ficou na McLaren somente até o GP da Itália, em Monza, justamente palco do seu melhor resultado na categoria, onde finalizou a prova em terceiro. A partir do GP de Portugal, Andretti foi substituído pelo então piloto de testes do time de Woking, Mika Häkkinen.

Andretti voltou para a Indy no ano seguinte para correr pela Ganassi antes de voltar para a equipe que marcou sua carreira, a Newman/Haas, sendo novamente comandado por aquele que barrou sua ida para a Ferrari.

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