Na Garagem: GP de Portugal restringe luta pelo título a Mansell, Prost e Piquet

Faltando duas corridas para o fim da temporada, a tabela apontava Mansell com 70 pontos, Piquet com 60, Prost com 59 e Senna, com 51, já fora da briga. Para o inglês, bastava ser terceiro no México e na Austrália. No entanto, Prost foi segundo no Hermanos Rodriguez e venceu em Adelaide, se sagrando bicampeão do mundo

Quando a F1 chegou ao Estoril, em 21 de setembro de 1986, para a 14a das 16 provas daquele ano, o quarteto fantástico dos anos 1980 continuava em disputa ferrenha pelo título. Nigel Mansell tinha 61 pontos, Nelson Piquet, seu companheiro de Williams, vinha com 56, Alain Prost, da McLaren, somava 53 e Ayrton Senna, com uma Lotus inferior aos carros rivais, contabilizava 48. Com 27 pontos em disputa, o jogo estava aberto para todos eles, mas um deslize seria fatal para as pretensões à taça.
 
Enquanto isso, a ‘rádio paddock’ já informava um troca-troca nas equipes de ponta: Gerhard Berger, fazendo excelente temporada na Benetton, assinara com a Ferrari, para ocupar o lugar de Stefan Johansson. Já o sueco, por sua vez, iria para a McLaren, assumindo o cockpit de Keke Rosberg – o pai de Nico planejava se aposentar. 
 
Com a saída da Renault da F1 em 1988, a Honda passaria a fornecer motores para a McLaren e para a Lotus. Já a McLaren inovou na pintura: para promover uma versão light do cigarro, a Marlboro usou uma pintura branca e amarela no carro de Rosberg na corrida de Portugal.
Ayrton Senna foi o pole do GP de Portugal (Foto: Sergio Roseiro/Forix)
O treino de sábado estava em seus instantes finais quando Senna fez uma de suas voltas voadoras e conquistou a pole-position, marcando o tempo de 1min16s673. O brasileiro da Lotus foi o único andar na casa do 1min16s – Mansell cravou 1min17s489. Prost ficou em terceiro, dois décimos atrás do inglês, com a marca de 1min16s710. Piquet foi apenas sexto, com 1min18s180. As duas Benetton se meteram entre os postulantes ao caneco – Berger foi quarto e Teo Fabi foi o quinto.
 
Na largada, Mansell pulou na frente de Senna e, ao fim da primeira volta, a ordem era Mansell, Senna, Berger, Piquet, Prost e Fabi. O austríaco da Benetton e o brasileiro da Williams aproveitaram a má largada de Prost para ganhar posições e se recuperar do mau desempenho no treino de sábado. 
 
Mansell e Senna se distanciavam do resto do pelotão, enquanto Berger, Piquet e Prost formavam um trenzinho. Apesar de ter um carro pior, Berger se valia da potência do motor BMW para evitar a ultrapassagem de ambos. Piquet e Prost estavam numa situação ruim para quem lutava pelo título. 
 
Depois de apenas oito voltas, Mansell já tinha aberto cinco segundos de vantagem para o brasileiro da Lotus e rumava para uma vitória tranquila. Na mesma volta, Piquet, em bela manobra, finalmente conseguiu passar Berger na curva Parabólica Interior. Na volta 9, foi a vez de Prost ultrapassar o austríaco – dessa vez, sem grande dificuldade.
 
Por algumas voltas, os quatro pilotos da frente estavam assentados em suas posições e o cenário só foi alterado com as paradas nos boxes. Piquet foi o primeiro a parar, na volta 28 das 70 previstas, voltando à pista em quarto lugar. Na volta 32, Senna vai aos pits, retornando em terceiro e deixando Prost temporariamente em segundo. No giro seguinte, o francês foi aos boxes, reestabelecendo a ordem após a largada: Mansell, Senna, Piquet, Prost.
 
Uma briga brasileira pela segunda posição após a rodada de pit-stops: por 30 voltas — entre os giros 35 e 64 —, Senna pilotou com Piquet em seus espelhos. Nem o melhor carro, nem as dificuldades de Senna em passar os retardatários fizeram com que Piquet conseguisse passar o compatriota. Na volta 64, Piquet rodou na curva 6 e voltou em quarto. Prost agradeceu e pulou para terceiro.
Pódio no Estoril teve Mansell, Piquet e Prost (Foto: Rainer Nyberg/Forix)
Mansell cruzou a linha de chegada na frente para vencer a quinta corrida no ano. Na volta final, Senna ficou sem gasolina e, se arrastando pela pista, tentou completar o giro final. Prost e Piquet passaram o brasileiro e completaram o pódio. O francês ganhou duas posições na sorte e embolsou seis pontos. Piquet, mesmo com um bom carro, se contentou com o terceiro lugar.
 
Faltando duas corridas para o fim da temporada, a tabela apontava Mansell com 70 pontos, Piquet com 60, Prost com 59 e Senna, com 51, já fora da briga. Para o inglês, bastava ser terceiro no México e na Austrália. No entanto, Prost foi segundo no Hermanos Rodriguez e venceu em Adelaide, se sagrando bicampeão do mundo.

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