Opinião GP: É guerra! Verstappen x Hamilton dá início a rivalidade que faltava na F1

O toque da primeira volta do GP da Inglaterra é um marco importante para a F1 2021. A partir de agora, a disputa pelo título ganha ares de guerra e com nervos à flor da pele. É pessoal. E ninguém parece muito disposto a ponderações. Era tudo que faltava à mais especial das categorias do esporte a motor

Hamilton resiste após batida com Verstappen e vence GP da Inglaterra (Vídeo: Reuters)

Tem um episódio de ‘Sherlock’ que se chama ‘The Great Game’. É quando o excêntrico, porém brilhante detetive descobre com quem realmente está lidando e muda o jogo. Entende que tem um rival ardiloso e focado – um tanto afeito a espetáculos, é verdade, o professor –, mas é neste momento que os lados da disputa ficam claros. A rivalidade se estabelece, de fato. Não vou apontar aqui quem é quem, mas as posições opostas se revelam, e isso também acontece depois de um grande embate. A temporada 2021 precisou de um choque igualmente forte entre Lewis Hamilton e Max Verstappen para pegar fogo de vez. O toque entre ambos serviu para deixar o jogo de sombras e partir para o ataque. Era apenas o faltava para que esse campeonato, do qual se esperava muito, tomasse forma de vez.

E tudo começa com uma abordagem mais agressiva da Mercedes e de Hamilton. A equipe alemã sabia muito bem que tinha de vencer a qualquer custo o GP da Inglaterra ou a chance de amargar a primeira derrota na era híbrida se tornaria sombria para viver com ela. Por isso, o carro veio revisado. As mudanças surtiram o efeito esperado. O redesenho do assolhado, combinado com novos bargeboards deram ao manhoso W12 a velocidade de reta que o heptacampeão queria. Mas isso só não era suficiente, frente a uma Red Bull bem acertada, rápida nas clássicas curvas do circuito de Silverstone.

Lewis precisava superar o adversário rapidamente, para não virar refém de estratégias e afins. Portanto, quando a largada se deu de novo com Verstappen à frente, o britânico não hesitou em atacar. Só Max também sabia dos riscos de perder a liderança tão cedo para o rival e se determinou seu espaço. A colisão foi inevitável – e há quem diga que até demorou.

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MAX VERSTAPPEN; ACIDENTE; GP DA INGLATERRA; LEWIS HAMILTON;
Situação do carro de Max Verstappen depois do acidente em Silverstone (Foto: Reprodução)

Pior para o holandês, que teve um dano no pneu traseiro direito antes de bater com força na barreira de pneus na Copse. O acidente provocou uma bandeira vermelha. Lewis foi considerado pelos comissários de prova culpado pelo incidente e teve de pagar 10s de punição no momento do pit-stop. Só que antes de cumprir a sanção, o ritmo de Hamilton atrás de ótimo Charles Leclerc o pneu médio mostrou por que o inglês tinha de pular à frente rápido: como na corrida de classificação, o carro da Mercedes sofreu esse composto, ao ponto de não fazer frente a uma Ferrari inesperadamente forte. Foi somente depois da segunda parada, já com os compostos duros, é que o britânico pode tirar vantagem e andar rápido.

A partir daí, Hamilton teve enorme atuação para recuperar o tempo da punição e superar os carros à frente. E a ultrapassagem final, em cima do monegasco ferrarista, teve como palco a mesma Copse do toque da primeira volta. Lewis partiu para a oitava vitória em casa e diante de arquibancadas lotadas e enlouquecidas. O triunfo reabriu o campeonato, mas, mais do que isso, incendiou a relação com Verstappen.

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Isso porque a Red Bull esbravejou contra a manobra do inglês e chegou até a pedir por suspensão. “O que Lewis fez foi perigoso e inaceitável. Ele é experiente o bastante para saber que numa curva como a Copse, a mais rápida do campeonato, não se faz o que ele fez. Estou muito decepcionado de ver um piloto do calibre dele fazer isso. Foi um acidente muito violento”, disse Christian Horner logo após a corrida.

“Você não pode fazer isso no código esportivo normal. Não sei qual seria a punição máxima, mas um comportamento tão perigoso e imprudente deveria ser punido com suspensão ou algo assim”, criticou o consultor Helmut Marko.

O clima pesado se alastrou pelos boxes taurinos e alcançou Max no hospital, que disparou contra o adversário: “Feliz que estou OK. Mas muito chateado por ter saído da corrida desse jeito. A punição não nos ajudou em nada e não faz justiça à manobra perigosa que Lewis fez na pista. Vendo sua comemoração pela TV no hospital, achei seu comportamento desrespeitoso e não compatível com o que se espera de um esportista. Mas vamos em frente.”

Enquanto isso, Hamilton celebrava com a torcida, com a Mercedes, com a parceira Angela Cullen, com Tom Cruise, com o mundo. Aqui é importante dizer que Lewis se preocupou, ainda no início da corrida, com o estado de Max. Mas é claro que o heptacampeão foi chamado a falar sobre o incidente e as declarações dos adversários. E se defendeu.

Lewis Hamilton não se conteve ao comemorar a oitava vitória em Silverstone, a 99ª da carreira (Foto: Mercedes)

“Não acho que esteja em posição de precisar pedir desculpas por qualquer coisa. Nós estamos ali correndo”, disse Hamilton. “Não concordo com os comissários, mas mato no peito a punição e sigo com meu trabalho. Não vou ficar choramingando, todos tem uma opinião diferente, realmente não me importo com o que as pessoas acham”, acrescentou.

O tom elevado das declarações já permite pensar em uma batalha ainda mais acirrada daqui para frente, com um Max ávido em devolver o abandono e um Lewis querendo demarcar território a qualquer preço. Além do peso da vitória neste momento da temporada, a forma como a Mercedes trabalhou também deixa claro que a equipe sete vezes campeã não pretende desistir facilmente da briga pelo título. E a Red Bull, da maneira como agiu com os comissários e aos microfones, vai para o tudo ou nada.

O campeonato está aberto – talvez mais aberto do que nunca, e essa é a grande notícia do dia. E se Sherlock pudesse dizer algo, certamente diria que o ‘The Game is on’, e ele nunca esteve mais certo.

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