Opinião GP: Red Bull aprende a contra-atacar e enrola Mercedes em vitória dominante

A corrida tática na Holanda mostrou que a Red Bull enfim aprendeu uma lição valiosa: marcar o adversário. Ainda que sua performance estivesse muito acima e a estratégia adversária não fosse um primor, a esquadra austríaca não hesitou e acompanhou o ‘erro’ da oponente, anulando qualquer eventual reação. Já a Mercedes se assustou porque, apesar de ter tentado de tudo, jamais esteve em condição de vencer

“Eles estavam rápidos demais para nós hoje”. A Red Bull pegou a Mercedes na Holanda de tal forma que Lewis Hamilton acabou a corrida reconhecendo o domínio do adversário e pedindo que sua equipe não desista de melhorar o W12. A verdade é que o GP da Holanda acompanhou, uma vez mais, um enorme Max Verstappen na pista, que pareceu inume a todas as tentativas dos rivais – e foram muitas. A corrida não pode fugir da tática, diante de uma Zandvoort deliciosamente ardilosa que exigiu um pouco mais dos pilotos e de quem estava no pit-wall. Só que mais do que desempenho, a esquadra austríaca deixa o autódromo holandês com a impressão de que, enfim, sabe como lidar com a heptacampeã.

Os taurinos têm nas mãos o melhor conjunto da temporada 2021, e isso é facilmente notado pelo fato de que simplesmente poderiam ter vencido todas as corridas do campeonato até aqui. A questão é que, em algumas delas, os energéticos caíram em armadilhas tolas, como a inércia diante de táticas de corrida diferentes, algo que aconteceu no Bahrein e na Espanha, por exemplo. É certo dizer ainda que Verstappen teve lá seus infortúnios, como na Hungria, Inglaterra e Azerbaijão, mas foram provas em que a oportunidade de ganhar esteve sempre lá. Só que restava ainda fechar uma lacuna, e isso parece ter acontecido nesta Zandvoort pintada de laranja.

Quando o grid de largada se formou no sábado, Verstappen se viu solitário no pole, cercado pelos dois carros da Mercedes de Hamilton, segundo, e Valtteri Bottas, o terceiro. Neste cenário, a equipe alemã rapidamente entendeu que a estratégia seria a principal arma para bater o rival. Era um claro 2 x1. Toto Wolff, inclusive, antecipou essa opção logo após a classificação, quando falou sobre uma decisão de dividir as escolhas de pit-stops entre seus pilotos, entendendo que Max estaria exposto, porque caberia a ele ditar o que seria feito.

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Pole, Max Verstappen tinha as duas Mercedes no encalço (Foto: Beto Issa)

Acontece que a corrida contou uma história divertidamente diferente. Verstappen saltou bem da pole e não deu qualquer chance a Hamilton. O holandês abriu uma distância bem interessante, o que fez a Mercedes começar a pensar antes mesmo do primeiro movimento dos rivais, como previra Wolff. Então, o heptacampeão foi aos boxes na volta 20, para mudar os compostos macios pelos médios novos. Era a tentativa do undercut, ou seja, de voltar à frente, quando o líder parasse. Mas a chance acabou em uma parada lenta, na dificuldade de mudar o pneu dianteiro direito. Aliado a isso, veio o xeque-mate da Red Bull, que chamou Max logo no giro seguinte.

Seguindo o plano, Bottas permaneceu na pista, com a tarefa de aproximar os dois postulantes ao título. Só que o ritmo do carro #33 era absurdo e não demorou para Verstappen reestabelecer a ordem das coisas. Lewis não pode com a performance do oponente, que apenas controlava o ritmo. Aí o pit-wall da Mercedes acionou Hamilton. Nova troca. Agora para pneus médios usados, na volta 39. Na 40, os taurinos pediram a Max que viesse aos boxes. Só que o holandês não tinha mais jogos de médios, então a Red Bull foi de compostos duros mesmo – aqui é o ponto: a impressão deixada inicialmente era que a equipe austríaca iria para apenas uma parada, então veio a surpresa.

A Red Bull enfim aprendeu a contra-atacar, fazendo bom uso do enorme desempenho de seu carro. A confiança em Max e no acerto cirúrgico para Zandvoort foram recompensados. Apesar de calçar os pneus de marca branca, Max seguiu em um ritmo forte e sem erro, neutralizando por completo seu rival. E isso ficou claro também na reclamação de Hamilton, que entendeu que a equipe o parou cedo demais na segunda visita aos boxes.

É fato também que, em nenhum momento, o time alemão esteve em condição de vencer. Esse cenário é reforçado por uma certa confusão que tomou conta dos boxes da Mercedes. Hamilton e Peter Bonnington trocaram mensagens de uma conversa de doido durante boa parte da corrida. Uma hora, Lewis se queixava dos pneus e Bono pedia calma. Em outro momento, Hamilton forçava o ritmo e queria ir para cima, mas era repreendido.

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Lewis Hamilton fez questão de cumprimentar Max Verstappen após o rival vencer o GP da Holanda (Foto: Mercedes)

Já no fim da corrida, a Mercedes chamou Bottas para a troca de pneus e colocou compostos macios no carro do piloto. Em teoria, o finlandês partiria para fazer a volta mais rápida, mas o estrategista James Vowles pediu para tirar o pé para não prejudicar Hamilton. Mesmo assim, Valtteri tirou o ponto extra de Lewis. O heptacampeão, então, precisou voltar aos boxes para colocar pneus macios e tentar a volta mais rápida no último giro da corrida. E conseguiu. Mas nada disso apaga a tensão nas garagens da estrela. E isso é muito sintomático.

Mesmo que a Mercedes tenha errado na estratégia e parado Hamilton cedo demais, a Red Bull renunciou ao que eventualmente poderia ser certo e simplesmente foi no ‘erro’ da adversária, mas que era a decisão mais correta dentro daquele contexto. No fim das contas, os taurinos tinham de fazer o que fizeram para vencer e retomar a liderança do Mundial de Pilotos.

Combinado a isso, a corrida holandesa também passa a impressão de que a Mercedes, se não trabalhar mais neste carro, só poderá fazer frente aos energéticos em situações fora do roteiro. Mas nem isso é garantido, diante de uma Red Bull que sabe que pode sair da zona de conforto.

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