Opinião GP: supremacia de Vettel na reta final da temporada deixa luta pelo título quase desumana a Alonso

Sebastian Vettel venceu as quatro últimas corridas da temporada e abriu 13 pontos de vantagem para Fernando Alonso, que precisará de uma reação épica para conquistar o tricampeonato

É possível dizer que o Mundial de F1 teve, no GP de Cingapura, seu divisor de águas. O equilíbrio e a imprevisibilidade saíram de cena para dar lugar à supremacia do mesmo piloto que conquistou o título das duas últimas temporadas: Sebastian Vettel. Desde a corrida na cidade-estado, o alemão liderou 205 voltas seguidas, venceu lá e depois no Japão, Coreia do Sul e, por fim, o GP da Índia, no último domingo (28).

Fernando Alonso, único capaz de lutar pelo tri contra o poderio de Vettel, tem feito o possível. “Lutador com talento extraordinário”, nas palavras da Ferrari, o espanhol sabe que o campeonato está nas mãos do rival, mas não perde a fé. Entretanto, é quase desumano chegar à reta final do campeonato, brigando pela taça, mas tendo contra si o melhor carro e o piloto mais confiante desta fase do Mundial. Sem falar no fator de desequilíbrio disso tudo: Adrian Newey.

Quase não se viu o GP da Índia, dada a neblina poluente. Não seria lá de todo mal (Foto: Force India)

O Opinião GP desta segunda-feira traz a avaliação do modorrento GP da Índia na visão dos jornalistas do Grande Prêmio. Corrida que “não foi das melhores, mas pelo menos teve bons momentos”, afirma Flavio Gomes, diretor da Agência Warm Up e do Grande Prêmio. “A largada, por exemplo, daquelas de prender a respiração até terminar a primeira volta, com Alonso passando os dois carros da McLaren numa balada só, para levar o troco de Jenson Button logo depois e, na quarta volta, devolver o passão no britânico.”

Para Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio e da Revista Warm Up, até mesmo o segundo turno das eleições municipais no último domingo estava mais empolgante que a corrida disputada em Buddh. “Muita gente quis ser convidada para a festa da democracia para ver se encontrava um ambiente mais animado.”

Fato é que Sebastian abriu 13 pontos de vantagem para o espanhol na liderança do campeonato e pode ser campeão no GP dos Estados Unidos — decisão que pode acontecer sem exibição pela TV aberta, já que o horário da prova, 17h, coincide com o futebol, exibido no mesmo horário — caso vença em Abu Dhabi, no próximo domingo, e em Austin, no dia 18, mesmo que Alonso termine em segundo.

Vettel fez mais uma corrida soberana na India e segue firme rumo ao tricampeonato (Foto: Red Bull/Getty Images)

No fim das contas, um Mundial que parecia ter um desfecho incrível e imprevisível no Brasil, ganhou contornos semelhantes à temporada passada, com o alemão podendo garantir o tricampeonato por antecipação. Martins traçou um paralelo interessante entre a F1 e o mundo artístico para falar sobre o desfecho da temporada 2012. “Vettel realmente mudou o campeonato que se iniciou como o melhor da história para o roteiro de 2011, um João Emanuel Carneiro que fez de ‘Avenida Brasil’ uma novela memorável em seus primeiros capítulos e depois caiu na vala comum dos demais autores.”

Ainda com chances de título, embora cada vez mais reduzidas, Alonso disputa cada curva com a vontade do faminto que vai atrás de um prato de comida. Depois de largada soberba, o espanhol se garantiu à frente dos carros da McLaren e aproveitou uma falha no Kers de Mark Webber para conquistar o segundo lugar e ‘respirar’ no campeonato. “A luta pelo título é quase desumana ao espanhol, que pelo menos brigou para que Vettel aumentasse o mínimo possível a diferença no campeonato”, opinou Martins.

Matematicamente, até Lewis Hamilton, quinto colocado no Mundial de Pilotos com 165 pontos, 85 a menos que Vettel, ainda tem chance de título. Contudo, parece no mínimo improvável que o britânico tenha alguma possibilidade nesta altura do campeonato, com apenas três corridas para o fim e, principalmente, pela forma incrível com que Vettel vem se exibindo nesta reta final de temporada.

Quanto aos brasileiros, Felipe Massa — em sua primeira corrida depois de ter renovado contrato com a Ferrari para mais uma temporada — e Bruno Senna conquistaram resultados bastante razoáveis no circuito de Buddh. Felipe, em bom duelo com Kimi Räikkönen, seu ex-parceiro na equipe de Maranello, garantiu o sexto lugar.

“Massa fez uma corrida correta, nem muito boa, nem muito ruim”, avaliou Gomes. “Largou em sexto, em sexto chegou. Quando foi ultrapassado por Räikkönen, retomou a posição imediatamente como se dissesse: garotão, é para ficar tudo como está, não inventa.”

Massa, em corrida bastante razoável, foi o sexto no GP da Índia (Foto: Shell/Getty Images)

Bruno, por sua vez, quebrou o jejum de pontos que perdurava desde o GP da Itália, em setembro. “Senna, em ótima aparição, beliscou um pontinho. Bruno, diga-se, recuperou-se bem do 13º posto no grid. Andou junto com Nico Rosberg, Pastor Maldonado e Romain Grosjean e deu um passão no companheiro que foi bonito”, opinou Martins.

Embora reconheça que o resultado de Senna foi bom, Victor entende que sua passagem pela Williams está chegando ao fim. “Um pontinho a mais no bolso, e a disputa fica 33 a 26 em favor do venezuelano, ainda que ela não valha mais nada para o brasileiro na Williams.”

Se as duas últimas provas da temporada — Coreia do Sul e Índia — foram monótonas, ainda que o circuito indiano seja um dos melhores da temporada, o GP de Abu Dhabi não deve ser muito diferente disso. “Essas corridas asiáticas têm sido um anticlímax danado. Abu Dhabi, que só não é pior que aquele show de horrores de Yeongam, vai só confirmar isso”, afirmou Martins, que mesmo após ter visto corrida tão monótona, apontou o melhor momento do domingo. “O mais legal foi aquela dança dos Dhalsim em cima do pódio quase soltando um yoga fire. Bem que poderiam mandar para dar uma esquentada de novo na F1.”

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