Pérez bobeia e entrega justificativa de bandeja para Racing Point ir atrás de Vettel

Sebastian Vettel precisa de uma vaga, Lawrence Stroll garante a do filho e a Aston Martin só necessitava de uma justificativa fácil para tirar Sergio Pérez da equipe. Parece que o mexicano quis facilitar tudo

Quando somos os chatos que pregam respeito ao isolamento social, boa parte das pessoas reclama, xinga, contesta, fala em exagero. Quando falamos que os ditos protocolos são mal feitos e que tal palavra é apenas bonita e convincente, não útil, as ofensas pioram. E quando dizemos que não é sobre o individual, é sobre o coletivo, a resposta não precisa nem vir de forma oral: é só olharmos as ruas, bares, praias cheias.

Sergio Pérez testou positivo para Covid-19 na última semana e ficou fora do GP da Inglaterra. Ao se pronunciar, disse que seguiu todas as recomendações da Racing Point e da FIA. E, surpresa!, mesmo assim pegou o coronavírus.

Porque é muito simples: não existe protocolo que funcione para uma doença em que nem transmissão, nem cura, são de total conhecimento da ciência.

Sergio Pérez – de máscara (Foto: AFP)

Mas a questão aqui não é sobre responsabilidade social – essa já se mostrou inexistente em nosso mundo. É sobre, também, entregar de bandeja motivos para que superiores na hierarquia te tirem espaço na Fórmula 1 – e, quem sabe, até acabem com sua carreira.

Porque ao viajar para o México e para a Itália (apagou imagens no Instagram do passeio) durante o intervalo entre os GPs da Hungria e da Inglaterra – e possivelmente contrair o vírus durante tais viagens – Pérez pode ter dado o motivo final para a Racing Point apostar em Sebastian Vettel para 2021, e o mexicano olhar para o resto do grid e não achar um espaço sequer para seguir na categoria.

Pérez posa ao lado da esposa na Itália. Publicação foi deletada (Foto: Reprodução/Instagram)

Ele tem contrato para 2021 (quando a equipe se torna a Aston Martin), é importante lembrar. Mas quebras de contrato não são tão difíceis para equipes ricas – e, hoje, a Racing Point é bastante, já que é comandada por Lawrence Stroll -, e tudo que é necessário é uma justificativa simples.

Todos do time rosa podem olhar para Pérez hoje e dizer: “É, mas você ficou fora de uma (ou duas) corridas. Irresponsabilidade. Está fora”. Frio? Claro. Mas esse é o mundo do esporte, dos negócios, da Fórmula 1.

Sebastian Vettel
Sebastian Vettel esperando a vaga ficar livre (Foto: Scuderia Ferrari Press Office)

O curioso é que Pérez sabe que está com um pé fora da Aston Martin, tanto que já afirmou que foi procurado “por outras equipes e categorias”. Não poderia ter se arriscado como fez, mesmo pelo motivo nobre: ver a mãe.

Infelizmente, Pérez, nem todos podemos ver nossas mães no momento, pois isolamento social é necessário – e deveria ser a norma, por mais que negacionistas forcem o contrário.

E se você se arrisca com Sebastian Vettel claramente precisando ocupar um espaço de qualidade para não deixar a F1 em 2021, e a Aston Martin é o único espaço restante neste nível, a derrota é até merecida, caso venha a se concretizar.

Até porque os resultados também não estão agindo a favor do mexicano: com a suposta ‘Mercedes Rosa’, a Racing Point precisava brigar por pódios, algo que só Lance Stroll conseguiu até o momento, ou ao menos se aproximou, com o quarto lugar em Hungaroring.

Lance Stroll já venceu a batalha contra Pérez (Foto: Racing Point)

Nem nas classificações Pérez tem mostrado força com um dos três melhores carros do grid, já que a Ferrari desabou. E se o filho do dono da equipe é seu companheiro, meu caro, é bom andar à frente dele – porque o emprego dele está garantido.

O ponto é que Pérez foi irresponsável. E lembrou algo que Esteban Ocon disse no episódio 6 da primeira temporada de ‘Drive to Survive’: “Ele vai de helicóptero do hotel para a pista. Não estou nesse nível. Lá está ele, naquele outdoor enorme, está vendo? Ele está em todo lugar”.

Era hora de Pérez estar em um lugar só. Mas ele quis estar em mais, e pode ter assinado o fim de um capítulo que tinha ao menos mais um ano de duração.

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