Pilotos reagem à crítica de Hamilton e protestam contra racismo

Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Lando Norris e Sergio Pérez foram alguns dos que se manifestaram após Lewis Hamilton se queixar do silêncio da Fórmula 1 em meio aos enormes protestos antirracistas nos Estados Unidos em decorrência da morte de George Floyd

Foi preciso uma cobrança pública de Lewis Hamilton, mas o mundo da Fórmula 1 rompeu o silêncio e começou a protestar contra o racismo. Após o piloto da Mercedes criticar a falta de posicionamento de seus colegas em relação à morte de George Floyd, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sergio Pérez e Lando Norris usaram as redes sociais para se unirem ao movimento antirracista.

No último dia 25, Floyd foi preso, acusado de tentar pagar compras com uma nota falsa de US$ 20. Apesar de algemado, George foi colocado no chão e o policial Derek Chauvin permaneceu ajoelhado no pescoço do homem de 46 anos por mais de 8 minutos. Floyd morreu e o policial foi demitido e preso na última sexta-feira.

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Desde então, enormes protestos tomaram várias cidades dos Estados Unidos, mas também ganharam o mundo. Tão logo o caso foi divulgado, Hamilton foi às redes sociais criticar a atuação da polícia e, no domingo, se queixou do silêncio de seus colegas em um post no Instagram.

“Eu vejo aqueles de vocês que estão calados, alguns de vocês são as maiores estrelas, e ainda assim ficam calados no meio da injustiça. Não há sinal de manifestação de ninguém na minha indústria que, é claro, é o esporte dominado por brancos. Sou um dos únicos negros lá e estou sozinho. Eu pensava que agora vocês veriam o que acontece e diriam algo sobre isso, mas vocês não podem ficar ao nosso lado. Sei quem vocês são e estou vendo tudo isso”, escreveu em seus stories.

Pouco após o post do hexacampeão, os pilotos começaram a se manifestar. Sergio Pérez foi um dos primeiros e recorreu a um vídeo de um policial branco que se colocou ao lado da multidão sugerindo uma parada ao invés de um protesto. O mexicano usou a hashtag #BlackLivesMater [com erro de grafia] acompanhada por emojis de coração e aplausos.

Pouco depois, foi Charles Leclerc quem recorreu ao Twitter para se manifestar. O piloto da Ferrari admitiu que errou em seu silêncio.

“Para ser completamente honesto, me sinto fora do lugar e desconfortável em compartilhar meus pensamentos em redes sociais sobre toda a situação e é por isso que não me expressei antes de hoje. E eu estava completamente errado”, escrever Leclerc no Twitter. “Ainda tenho dificuldade de encontrar as palavras para descrever a atrocidade de alguns vídeos que vi na Internet. Racismo precisa ser tratado com ações, não silêncio. Por favor, participe ativamente, se envolva e encoraje os outros a espalhar a conscientização”, seguiu.

“É nossa responsabilidade nos manifestar contra a injustiça. Não fique em silêncio. Estou ao lado do #BlackLivesMatters”, completou.

Lando Norris também usou sua conta no Twitter para manifestar apoio ao movimento antirracista.

“Tenho fãs e seguidores. Apoio e amor. E tenho o poder de usar isso para liderar e inspirar muitos. Mas nós também nos manifestamos pelo que é certo. Este é o momento em que peço para que vocês façam algo e ajam. Clique no link e faça a diferença… #BlackLivesMatter”, escreveu o piloto da McLaren, que postou um link com encaminhamento para petições e também doações.

Titular da Renault, Daniel Ricciardo usou o Instagram para também se posicionar.

“Ver as notícias dos últimos dias me entristeceu. O que aconteceu com George Floyd e o que continua a acontecer na sociedade atual é uma desgraça. Agora, mais do que nunca, temos de permanecer juntos, unificados. Racismo é tóxico e precisa ser tratado não com violência e silêncio, mas com união e ação. Precisamos nos levantar, precisamos ser NÓS. Sejamos pessoas melhores. É 2020, pelo amor de Deus. Vidas negras importam”, escreveu.

Já nesta segunda-feira, o primeiro a recorrer às redes sociais foi Carlos Sainz.

“Esses problemas que estamos enfrentando atualmente em 2020 nos fazem pensar que voltamos no tempo independente do sofrimento e das lágrimas dos nossos ancestrais. É uma loucura pensar no que ainda acontece no momento. Nós todos temos o mesmo sangue…”, escreveu. “Independente do nosso ambiente, somos um esporte global, com trabalhadores e fãs de todo o mundo, com várias experiências, religiões, cores de pele e condições. Nós trabalhamos juntos em grande harmonia para entreter a todos ao redor do mundo e divulgar uma mensagem de esportividade e unidade. Eu absolutamente condeno todos os tipos de racismo e todos os tipos e injustiça. A diversidade nós empurra para frente, abraçamos isso. Tomara que um dia todos façam o mesmo”, completou.

Mais tarde, George Russell, piloto da Williams, reconheceu que os pilotos precisam ter voz e usou o exemplo de Leclerc.

“Nós todos temos voz para falar do que é certo ― e, até agora, eu não sabia como usar a minha nesta situação. Para ecoar as palavras de Charles Leclerc, eu só me senti fora do lugar para compartilhar publicamente os meus pensamentos sobre essas atrocidades”, escreveu. “Tenho dificuldade de compreender o que estou vendo no noticiário e nas redes sociais no momento ― e, honestamente, ainda não consigo encontrar as palavras para explicar como me sinto. Mas, no fim, não importa o quão desconfortável possa ser falar, o silêncio não conquista nada”, seguiu.

“Agora mais do que nunca, nós precisamos de paz e igualdade no mundo. É hora de todos nós ficamos juntos e chutar o racismo para fora da nossa sociedade de uma vez por todas. Use a sua voz, espalhe o conhecimento o mais longe que você puder. Nós todos somos responsáveis por acabar com a injustiça”, completou.

João Paulo de Oliveira, a única voz no Brasil

O único brasileiro a se manifestar publicamente foi João Paulo de Oliveira. Com carreira no Japão e atuante nas redes sociais, o piloto também fez menção aos atos que ocorreram no Brasil pró-democracia e contra o autoritarismo crescente do regime local.

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