Por que ADUO dá à Mercedes poder de controlar avanço de rivais na Fórmula 1 2026

Com direito a uma atualização no motor a combustão em 2026 e outra em 2027, a Mercedes agora tem tudo o que precisava para brecar o crescimento de Red Bull e Ferrari e continuar dominando na atual temporada

Engraçado como as chamadas Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, da sigla em inglês), criadas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para evitar que uma montadora dominasse completamente a Fórmula 1, assim como aconteceu em outras mudanças de regulamento, podem ter exatamente o efeito contrário. Isso porque, diferentemente do que todos de dentro e de fora do paddock imaginavam, a Mercedes não foi apontada como a grande referência, o que desmontou os planos de Red Bull e Ferrari e deu aos prateados a chance de controlar o avanço das rivais.

Introduzido pela entidade que rege o esporte a motor na atual temporada, a primeira do novo conjunto de regras, o mecanismo tem como principal objetivo impedir que fabricantes ficassem muito para trás em relação às outras. A maneira de determinar esse ranking — embora não tenha sido amplamente divulgada — leva em consideração alguns fatores: rotação do motor, o torque no eixo de entrada e a potência do MGU-K, além de uma avaliação minuciosa sobre o impacto da potência no tempo de volta ao longo das voltas analisadas.

É sempre bom destacar que o ADUO só leva em consideração o motor de combustão interna (ICE) e, por isso, a FIA reconhece que ele não representa totalmente o desempenho da unidade de potência como um todo, visto que o Sistema de Recuperação de Energia (ERS) também possui um papel fundamental na performance geral do conjunto. Essa escolha, no entanto, foi uma opção das próprias equipes, como bem destacou Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da federação.

“O fato de que a potência do motor não é apenas um único número sempre foi algo bem conhecido. Tivemos, eu diria, por volta da primavera de 2025, discussões bastantes longas [com as fabricantes]. Chegamos a propor se deveríamos considerar certos aspectos, como a pressão do turbo, o diâmetro do turbo ou o controle da temperatura do plenum (peça que fica na entrada dos cilindros), por exemplo, entre outros pontos”, destacou o dirigente durante a semana do GP de Miami.

“A posição unânime das fabricantes de unidade de potência naquela época foi de que deveríamos fazer tudo da maneira mais simples. Portanto, o fato de que a medição atual de potência do motor a combustão interna é essa já era algo compreendido desde o início. Eu, pessoalmente, estaria bastante aberto à ideia de tornar os parâmetros um pouco mais complexos. Mas essa discussão aconteceu há mais de um ano, e ficou bastante claro qual foi a conclusão”, encerrou.

Como resultado, a Mercedes, que viu a própria unidade de potência vencer todas as corridas realizadas até aqui na temporada — incluindo o triunfo da McLaren na sprint de Miami —, conquistou todas as pole-positions e liderou o maior número de voltas, não foi eleita a referência na F1. Papel este que ficou a cargo da Red Bull, que possui números muito mais modestos em comparação com a rival, visto que só foi ao pódio em duas oportunidades, no Canadá e em Mônaco, com os terceiros lugares de Max Verstappen e Isack Hadjar, respectivamente — e que nem pode reclamar, uma vez que, assim como as outras dez escuderias, votou para que o sistema funcionasse exatamente assim.

O ADUO deu à Mercedes o poder de controlar o crescimento das rivais (Foto: Rodrigo Ruiz/Grande Prêmio)

Acontece que os taurinos aparentemente estão com problemas na parte elétrica, além de um chassi deficitário e a falta de confiabilidade, enquanto a Mercedes vive situação oposta. As Flechas de Prata levam vantagem na questão da bateria, recuperação de energia e principalmente na integração do sistema híbrido. Apesar de tudo isso, como o motor dos alemães foi avaliado como estando 2% atrás do da equipe de Laurent Mekies, eles terão direito a uma atualização em 2026 e outra em 2027, além de uma concessão de US$ 3 milhões (R$ 15,57 milhões, na cotação mais recente) no teto orçamentário.

Ou seja, as Flechas de Prata estão com a faca e o queijo na mão para ampliarem ainda mais o domínio visto até aqui neste novo regulamento. E podem fazer isso sem ter de necessariamente atualizar o motor a combustão de imediato. Isso porque, com base na facilidade com a qual tem derrotado as rivais, a escuderia de Toto Wolff agora tem o direito de dedicar recursos extras e mais testes de bancada no desenvolvimento de melhorias, mas levando-as para a pista apenas quando considerar o momento ideal — o que manteria a Red Bull como referência nas próximas medições da FIA, sem direito a benefícios e, desta forma, de mãos atadas em relação ao próprio propulsor.

A situação da Ferrari é um pouco mais tranquila do que a da Red Bull, mas ainda assim muito pior do que os vermelhos estavam esperando. Por estar 4% atrás da referência, o time de Lewis Hamilton e Charles Leclerc terá direito a duas atualizações nesta temporada e outras duas na próxima — a grande questão, porém, é que os italianos imaginavam que a Mercedes ficaria estagnada, o que provou não ser o caso. É possível dizer que a escuderia agora está mirando em um alvo em movimento e que, ainda que consiga trabalhar bem na unidade de potência, a tendência é que siga em desvantagem.

Bem, se o ADUO era visto como a oportunidade com a qual as rivais sempre sonharam para encostar de vez em Andrea Kimi Antonelli e George Russell, acabou virando um pesadelo. No fim das contas, por ironia do destino, o mecanismo criado para evitar a hegemonia de uma equipe no início das novas regras pode muito bem ter o efeito oposto.

Ferrari espera alcançar a Mercedes com o ADUO, mas agora vive pesadelo (Foto: Ferrari)

Inclusive, será importante ficar de olho em como tudo isso pode influenciar nas conversas acerca da nova divisão entre motor térmico e eletrificação para 2027. A Ferrari, ao lado da Audi, é uma das montadoras que não está de acordo com a proposta de mudança para 60/40, principalmente porque, além de outros fatores, permitiria que a Mercedes trabalhasse na parte a combustão. Mas isso era antes de ter conhecimento sobre o resultado das concessões, o que pode fazer com que a situação mude a partir de agora, considerando que os prateados terão esse direito de qualquer maneira.

Com a reunião final para tratar deste assunto programada para o fim de semana do GP da Catalunha, muita coisa deve surgir nos bastidores da F1 dentro dos próximos dias.

Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 12 a 14 de junho, com o GP da Catalunha, sétima etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura completa das atividades, o GRANDE PRÊMIO também estará IN LOCO em Barcelona com o repórter Leonid Kliuev.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 108:3010:3012:3013:30
Treino livre 212:0014:0016:0017:00
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horário de Brasília

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