Prefeitura pede arquivamento de projeto para licença ambiental de autódromo em Deodoro

De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a gestão Eduardo Paes deu início a estudos para iniciar no local uma unidade de conservação ambiental

A Prefeitura do Rio de Janeiro ergueu mais uma barreira contra o projeto de construção de um autódromo em Deodoro, na zona oeste da cidade. De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a gestão do prefeito Eduardo Paes (DEM-RJ) pediu ao INEA (Instituto Estados do Ambiente) o arquivamento do processo de licenciamento ambiental para a construção do circuito.

O projeto do consórcio Rio Motorsport para a construção do autódromo em Deodoro ganhou o apoio do governo federal, do governador afastado Wilson Witzel, e também do ex-prefeito Marcelo Crivela, mas foi alvo de inúmeros protestos da sociedade civil e também de entidades ligadas a preservação do meio ambiente, já que a área destinada para a obra é de Mata Atlântica nativa e abriga espécies de fauna e flora raras e ameaçadas de extinção.

A F1 pressionou pela liberação da construção do circuito em Deodoro, mas acabou renovando com Interlagos (Foto: Reprodução)

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Ainda de acordo com Jardim, além de pedir o arquivamento do processo, a gestão Paes também deu início a um estudo para transformar o local em uma unidade de conservação ambiental.

No início de janeiro, Paes já tinha se mostrado contrário a destruição da Floresta do Camboatá para dar lugar a um autódromo.

“Não vai ter autódromo em Deodoro. É meu compromisso com os ambientalistas, com o Partido Verde, que me apoiou nas eleições, é de identificar uma nova área para esse autódromo, um novo local”, disse Paes em entrevista concedida para a Rádio Bandeirantes.

Uma das áreas aventadas é em Guaratiba, também na zona oeste. Há que se levar em considerações também as alternativas locacionais incluídas no Estudo de Impacto Ambiental do autódromo. Estas estão no Gericinó, em Realengo, Santa Cruz e Campo Grande.

Antes de acertar a permanência da Fórmula 1 em São Paulo, o agora ex-diretor-executivo do Liberty Media, Chase Carey, tentou influenciar a aceleração das licenças ambientais com uma carta enviada a Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro. A informação foi revelada pelo site DIÁRIO MOTORSPORT, parceiro do GRANDE PRÊMIO.

Em outubro de 2019, a Dorna anunciou um contrato de cinco anos com a promotora Rio Motorsport para trazer a MotoGP de volta ao Brasil em 2022.

A área em Deodoro (Foto: Divulgação)

INEA tem parecer técnico contra autódromo

Em outubro de 2020, o INEA divulgou parecer técnico de 192 páginas e com 47 pontos levantados nas considerações finais nos quais afirma não ver garantias na preservação da floresta do Camboatá e, assim, buscou manter o impedimento para que o autódromo na região de Deodoro tenha licença para realizar suas obras.

A conclusão do parecer foi assinada por cinco representantes do instituto – um engenheiro ambiental, uma arquiteta e urbanista, uma geógrafa, uma bióloga e uma engenheira florestal.

O longo relatório apresentou avaliações incisivas sobre as irregularidades do EIA – alinhados com o interesse da Rio Motorsports. Um dos pontos referiu-se à conclusão de que a área do Camboatá é a menos indicada para receber o empreendimento, dentre cinco opções.

No relatório, é destacado que as medidas propostas para atenuar os impactos sobre a fauna e a flora foram consideradas insatisfatórias para a proteção das espécies ameaçadas em extinção, além da obra não ser definida como de utilidade pública.

Projeto de Autódromo em Deodoro é cercado de polêmicas

O processo de construção do autódromo na região militar é alvo de suspeitas pelo envolvimento da Rio Motorsports, de José Antonio Soares Pereira Júnior, que virou JR Pereira para evitar expor os problemas judiciais que enfrenta desde que uma de suas empresas, a Crown Processamento de Dados, acumulou dívidas superiores a R$ 25 milhões à União.

A Rio Motorsports, por meio do próprio JR Pereira e de uma das companhias vertentes da Crown, participou da regulação do processo de licitação da obra, algo que qualquer ente público proíbe. Ainda, nunca houve comprovação, por parte da Rio Motorsports, da origem dos mais de R$ 800 milhões inicialmente previstos para a obra — na região da floresta do Camboatá, área de Mata Atlântica.

A promessa da Rio Motorsports era tirar o GP do Brasil de Interlagos já a partir de 2021 para correr em Deodoro. A proposta ganhou apoio do presidente Jair Bolsonaro, que, em 24 de junho do ano passado, disse que era “99% certo” que a corrida passaria a ser realizada no RJ. O projeto do novo autódromo de Deodoro segue parado e, em novembro, sofreu novo baque: o GP do Brasil segue em Interlagos, conforme confirmado pela própria F1.

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