F1
22/10/2015 07:30

Prévia: sem TV aberta no Brasil, Hamilton tem primeiro 'match point' da F1 2015

No GP dos Estados Unidos deste fim de semana, Lewis Hamilton tem grande chance de conquistar o título do Mundial de F1. Basta que um resultado que já foi visto quatro vezes neste ano se repita: o inglês em primeiro, Nico Rosberg em segundo e Sebastian Vettel em terceiro. E, pela primeira vez em 11 anos, a definição do título não passaria ao vivo na TV Globo
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 Lewis Hamilton celebra vitória no GP da Rússia (Foto: AP)
Em 2004, foi a final olímpica do vôlei. Em 2015, deve ser uma rodada do Campeonato Brasileiro que vai tirar da TV Globo a definição do título do Mundial de F1. Se há um lado positivo nisso, é que tanto há 11 anos quanto agora a coroação do campeão é mais uma questão burocrática, afinal, tudo está mais do que encaminhado para Lewis Hamilton.

Com 66 pontos de vantagem para Sebastian Vettel e 73 para Nico Rosberg, é muito provável que o britânico confirme o tricampeonato ou no GP dos Estados Unidos, neste domingo, ou no GP do México, no dia 1º de novembro. E nenhuma dessas duas corridas, marcadas para o fim da tarde pelo horário brasileiro de verão, terá exibição ao vivo na TV aberta para o Brasil: é o SporTV que vai assumir os eventos. Está prevista, no site da TV Globo, a exibição de um compacto de uma hora a partir das 23h58.

Em Austin, a partir das 17h (de Brasília) deste domingo, Hamilton terá o primeiro 'match point'. O caneco será dele com um resultado bem verossímil, combinação que já foi vista quatro vezes só em 2015: ele em primeiro, Rosberg em segundo e Vettel em terceiro. Desta forma, o inglês abriria 76 pontos de vantagem para Seb e não poderia mais ser alcançado.
Hamilton comemorou, na Rússia, a nona vitória da temporada (Foto: AP)
Ver-se em situação tão confortável em um autódromo que adora é algo que certamente deixa Hamilton bem tranquilo. O Circuito das Américas abrigou o GP dos EUA pela primeira vez em 2012, quando Hamilton venceu seu último GP pela McLaren. Em 2013, já com a Mercedes, Lewis foi quarto. Em 2014, tornou a vencer, deixando bem encaminhado o bicampeonato.

E não é só em Austin que seu retrospecto é bom assim, é na América do Norte como um todo. Hamilton também venceu o último GP dos EUA realizado em Indianápolis, em 2007, e ganhou quatro vezes o GP do Canadá.

"Eu aprendi com a experiência que nada está totalmente definido neste esporte, por isso não vou tomar tudo como garantido neste fim de semana", afirmou Lewis. "Estou indo para a próxima etapa com a mesma motivação das provas anteriores. Há quatro corridas ainda para que eu possa assegurar esse campeonato e, enquanto eu não cruzar a linha de chegada em Abu Dhabi, nada está decidido. E isso é o que realmente importa".

Ok então.

 

Veja na íntegra a edição #3 do Paddock GP, o programa em vídeo do GRANDE PRÊMIO. Eric Granado foi o...

Posted by Grande Prêmio on Quarta, 21 de outubro de 2015


A matemática do título

Hamilton é campeão em Austin com...

...vitória, Rosberg em segundo e Vettel em terceiro.
...segundo lugar, Rosberg em terceiro e Vettel em sexto.
...terceiro lugar, Rosberg em quarto e Vettel em sétimo.
...quarto lugar, Rosberg em quinto e Vettel em nono.
...quinto lugar, Rosberg em sexto e Vettel em décimo.
Vettel, o vice-líder, está contente com o ano que fez. Mas quer mais em 2016 (Foto: AP)
Há esperança?

Bem, Rosberg não quer jogar a toalha. No início da semana, na prévia do GP dos EUA divulgada pela Mercedes, adotou o discurso do 'só o título interessa'. “Só luto pelo título, não penso em outra coisa”, bradou. “O melhor que posso fazer agora é vencer.” Em 2015, ele foi três vezes ao alto do pódio: na Espanha, em Mônaco e na Áustria.

No córner vermelho, Maurizio Arrivabene, chefe da Ferrari, reconheceu após o GP da Rússia: já era. “Agora Seb é segundo no campeonato e, matematicamente, a temporada segue aberta, mas nossa humildade nos diz que esse não é o caso. De modo que, como prioridade, temos de trabalhar corrida a corrida para consolidar nossa posição atual”, falou o italiano, mostrando que o vice do Mundial de Pilotos interessa, sim, a Maranello.
O Autódromo Hermanos Rodríguez foi aprovado na inspeção conduzida na quarta-feira pelo delegado de segurança da FIA e diretor de provas da F1, Charlie Whiting. Assim, a pista está oficialmente liberada para voltar a receber o GP do México, prova marcada para o próximo dia 1º de novembro.

A preparação do circuito para o GP atrasou devido às condições climáticas, segundo o relatório da FIA, porém Whiting se disse satisfeito apesar disso.
Recentemente, Pérez e Fittipaldi guiaram no Hermanos Rodríguez (Foto: F1)
Os últimos preparativos incluem as zebras, placas antes das curvas e as placas de publicidade. Inicialmente, 80 mil ingressos haviam sido colocados à venda, todos vendidos em duas semanas. Por causa disso, arquibancadas adicionais foram construídas.

"Nós estamos satisfeitos com o trabalho que foi feito aqui. Eu espero uma corrida espetacular", Whiting disse à revista alemã 'Auto Motor und Sport'.
 
Enquanto isso, o promotor Federico Gonzalez destacou que a mutilação da famosa curva Peraltada será substituída à altura na nova configuração do autódromo, com os carros passando por dentro de um estádio de beisebol. "Este é o novo cartão postal do nosso autódromo. Os pilotos vão chegar feito rock stars em um estádio que estará lotado com 28 mil pessoas", destacou.

Antes do GP do México, a F1 passa pelos Estados Unidos para abrir uma sequência de três provas em solo americano. O GP em Austin acontece neste domingo, e, em 15 de novembro, Interlagos recebe o GP do Brasil.
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O que vem depois?

É um fim de semana de festa para Sauber, que completa 400 GPs na F1. São 23 anos de história na categoria, quase sempre revelando talentos. Vários pilotos que passaram por Hinwil se mudaram para times maiores depois, como Felipe Massa, Heinz-Harald Frentzen, Kimi Räikkönen, Nick Heidfeld e Robert Kubica.

Como Sauber, jamais uma vitória foi conquistada, mas houve festa no período em que a BMW controlava a operação, com dobradinha no Canadá em 2008 e Kubica no lugar mais alto do pódio. E, recentemente, a temporada 2012 foi excelente, com três pódios de Sergio Pérez e um de Kamui Kobayashi. No momento, a situação é mais delicada, com Felipe Nasr e Marcus Ericsson suando por pontos e uma condição financeira bem apertada.
Estreia da Sauber na F1 em 1993. JJ Lehto marcou os primeiros pontos da equipe (Foto: Sauber)
Aos EUA, a escuderia chega embalada pelo sexto lugar de Nasr no GP da Rússia. Acertando na preparação do carro e com alguma sorte, novamente terá a chance de conseguir um bom resultado.

Mas, atrás de Hamilton e sua briga pelo título, é uma corrida em que mais uma vez Ferrari e Williams devem brigar pelo pódio. Ambas têm carros que devem se adaptar bem ao Circuito das Américas.

No ano passado, diga-se, a Williams já andou bem, só que perdeu o terceiro lugar para Daniel Ricciardo em uma sequência de pequenos erros nos pit-stops de Felipe Massa e Valtteri Bottas. Erros que, em 2015, têm se repetido com alguma frequência, e que novamente podem custar um troféu. Será necessária uma atuação perfeita para superar a Ferrari no ritmo de corrida.

Completando o top-10, a Red Bull outra vez surge como favorita, mas o motor Mercedes deve ajudar bastante a Force India e a Lotus. São dois times que podem sonhar com algo de bom em Austin. Não seria uma surpresa ver Pérez, Nico Hülkenberg, Pastor Maldonado ou Romain Grosjean pintando em sétimo lugar na classificação. O bolo terá ainda a Toro Rosso.

Por fim, a McLaren Honda pode esperar vida bem dura. O motor japonês sofrerá no longo traçado de Austin. Há trechos em que o downforce faz a diferença, mas, o MP4-30 tende a perder muito nas longas retas.
A F1, em Austin, costuma ver um céu limpo e azul. Mas pode ser diferente neste fim de semana (Foto: Getty Images)
Olhando para cima

É claro que a expectativa apresentada até agora leva em conta um fim de semana normal. Basta olhar para a previsão do tempo para se ter motivos para pensar em uma corrida maluca no Texas.

A previsão é de chuva para os três dias, o que deixaria a Mercedes forte, naturalmente, mas talvez mais ameaçada pela Ferrari de Vettel, e certamente complicaria a vida da Williams. A Red Bull sorriria, bem como a Toro Rosso e a McLaren Honda, que veriam aumentar suas chances de bater os times com motores Mercedes e Ferrari.

Os horários

Prepare-se para bastante F1 depois do almoço. Na sexta-feira, o TL1 é às 13h (de Brasília), e o TL2, às 17h. No sábado, o TL3 também tem início às 13h, e a definição do grid será às 16h. Por fim, no domingo, a largada será dada às 17h.

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 1) De três corridas disputadas no Circuito das Américas, Hamilton venceu duas: em 2012 e em 2014. No primeiro ano, chamou a atenção o chapéu de cowboy entregue pela Pirelli aos pilotos no pódio.

2) Aquela vitória de 2012 foi a 21ª e última de Hamilton pela McLaren, que se despediu do time na corrida seguinte, em Interlagos, para se juntar à Mercedes em 2013.

3) Dos pilotos em atividade, Hamilton é o que mais venceu no GP dos EUA, três vezes: duas em Austin e uma em Indianápolis. Dos demais, só Vettel, com o triunfo do ano passado. Mais ninguém sabe o que é ganhar na terra do Tio Sam... Nem mesmo Fernando Alonso ou Kimi Räikkönen.

4) Na história, os maiores vencedores do GP dos EUA são Ayrton Senna e Michael Schumacher, com cinco triunfos cada. Todos de Schumi foram em Indianápolis, entre 2000 e 2006. Já os de Senna foram em Detroit (três) e Phoenix (dois).

5) O GP dos EUA é um GP itinerante: oito circuitos já receberam a prova, sendo que Watkins Glen segue sendo a casa mais tradicional. Foram 15 edições no estado de Nova York entre 1961 e 1980.

6) Fora isso, ainda houve uma série de outros traçados que abrigaram 'segundas' e até mesmo 'terceiras' provas nos EUA, como os chamados GP do Oeste dos EUA ou então o GP de Las Vegas. A F1, em solo norte-americano, também passou por Long Beach, Vegas e Dallas.

7) Em Austin, só Vettel largou na pole e venceu. Nas duas vezes em que triunfou, Hamilton partiu da segunda posição no grid.

8) O último brasileiro a vencer nos EUA foi Rubens Barrichello, em 2002. E, além do já mencionado Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi também já venceram em território estadunidense.

9) Será a primeira vez que um GP dos EUA terá um piloto norte-americano no grid desde 2007, quando Scott Speed corria pela Toro Rosso. Alexander Rossi volta ao cockpit da Manor Marussia no lugar de Roberto Merhi
 (Foto: McLaren F1)