Pulso elétrico e fluxo de combustível: F1 esclarece ‘treta’ Red Bull × Ferrari

A Fórmula 1 explicou o que aconteceu na guerra técnica de Austin que rendeu acusações de Red Bull e Mercedes contra a Ferrari. Segundo o Mundial, em coluna técnica publicada no site oficial, a Red Bull fez um questionamento sobre o uso de um pulso elétrico que 'enganasse' o fluxômetro. A proibição acabou coincidindo com queda de rendimento da Ferrari

Fim de campeonato? Que nada. O GP dos Estados Unidos marcou a confirmação da sexta conquista de Lewis Hamilton, enquanto a Mercedes já havia fechado o campeonato de Construtores no México. Mesmo assim, uma suspeita grande foi lançada sobre a Ferrari pela própria Mercedes e por Max Verstappen e a Red Bull. Nesta terça-feira (5), a F1 esclareceu a situação.
 
A reclamação de Red Bull e Mercedes de que a Ferrari "jogou sujo" tem origem no fluxo de combustível para ganhar potência no motor. De acordo com o regulamento técnico do Mundial, o fluxo não pode superar 100 kg/h. Como a medição acontece de forma intermitente, a Red Bull concluiu que a Ferrari poderia ter desenvolvido um método de potencializar o fluxo nos períodos sem medição e ter a velocidade de reta que vinha demonstrando. 
 
A explicação veio por meio do site oficial da F1. Segundo o texto, a FIA enviou para as equipes uma Diretiva Técnica na manhã do sábado em Austin após um questionamento feito pela Red Bull sobre a legalidade se pulsar sinais elétricos que interferissem no fluxômetro, o aparelho que mede o fluxo de combustível.
Christian Horner, Mattia Binotto, Toto Wolff e Cyril Abiteboul (Foto: Renault)
O questionamento da Red Bull era sobre a possibilidade de pulsar sinais elétricos que interferissem no fluxo de combustível de forma a que, entre os pontos de medição quando o fluxo se encontra em 2.000 Hz, o limite no fluxo pudesse ser momentaneamente aumentado sem que superasse o limite na letra fria da lei. Desta forma, o motor poderia gerar mais potência, ainda que a média do fluxo de combustível fosse a mesma dos rivais. 
 
Segundo a FIA, entretanto, o modelo – que a Red Bull acreditava vir sendo utilizado pela Ferrari -, confere clara vantagem e citou dois artigos no regulamento para avaliar como ilegal.
 
"5.10.3: Todos os carros precisam contar cum um único sensor de medição de fluxo de combustível, totalmente dentro do tanque, e que tenha sido fabricado pelo fornecedor designado pela FIA numa especificação determinada pela FIA. Este sensor pode ser usado apenas como especificado pela FIA. Além disso, todo combustível entregue à unidade de força precisam passar pelo sensor homologado e enviado para as câmaras de combustível pelos injetores de combustível descritos no artigo 5.10.2."
 
"5.10.5: "Qualquer dispositivo, sistema ou procedimento com o propósito e/ou efeito de aumentar a taxa de fluxo ou armazenar e reciclar o combustível após o ponto de medição está proibido."

Embora ninguém tenha confirmado que a Ferrari fez uso do sistema, Red Bull e Mercedes apontaram o dedo por causa da queda de rendimento imediata nos Estados Unidos após a FIA definir que o sistema era ilegal. 

Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)
Antes disso, porém, a Ferrari também fez seu questionamento sobre o duto de freio traseiro e a suspensão da Mercedes. Entretanto, a F1 explicou que o regulamento técnico define uma área interna da roda traseira que pode ser usada para o duto de freio e que o duto da Mercedes se encaixa na área estipulada. Mas há uma entrada adicional acima do braço superior da suspensão. Uma entrada triangular dentro deste componente adicional fica alinhada exatamente acima da entrada do duto de freio e sai da área estipulada. 
 
Mesmo assim, a entrada extra não vai até o disco de freio: o que ela faz é canalizar o ar entre o tambor de fibra e o aro da roda, o que aumenta o poder de resfriamento do aro e permite maior controle da temperatura das rodas traseiras. De acordo com a F1, está de acordo com as regras e a expectativa é ver outras equipes repetindo o sistema no futuro próximo. 
 
A F1 segue em dois fins de semana, dias 16 e 17 de novembro, com o GP do Brasil. O GRANDE PRÊMIO acompanha com grande equipe.
 
 

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