‘Que sera, sera’: Red Bull esconde opinião, e reação ao DAS da Mercedes é mistério

Com o retorno da Fórmula 1, um dos protagonistas da pré-temporada está de volta: o DAS. Novo sistema da Mercedes está banido para 2021, mas a equipe pretende usar na Áustria. E a Red Bull, que antes prometia protestar, agora esconde o jogo

O retorno da Fórmula 1 às pistas, que acontece neste fim de semana, na Áustria, traz não apenas o ronco do motor, mas o ronco da chefia. A politicagem e o jogo de bastidores, algo tão presente no Mundial quanto as próprias corridas, não vão esperar convites para que voltem à baila. O DAS põe Mercedes e Red Bull frente a frente em Spielberg logo de cara.

Cabe aqui uma recordação sobre o que é o DAS, a Direção de Eixo Duplo – Dual Axis Steering, na sigla em inglês. O sistema inovador permite mudanças na configuração do volante e cambagem do carro. Com o DAS, os pilotos puxam e empurram o volante, em vez de apenas virar para um lado e outro. É assim que controlam o posicionamento da suspensão e, por tabela, dos pneus e sua área de contato com o asfalto.

Em suma, puxar para a frente faz a barra de direção puxar também o sistema de suspensão do carro, alterando a cambagem. Empurrando-o para trás, o efeito oposto.

Grande inovação dos testes de pré-temporada de Barcelona, antes da pandemia do novo coronavírus parar com tudo, o DAS mostrou que, apesar de todos os títulos, a Mercedes segue apostando numa tecnologia de vanguarda, quase renascentista. O problema é que ainda há dúvidas sobre a validade da tecnologia e, além disso, a FIA já anunciou formalmente que o DAS está banido do regulamento para 2021.

Mas 2020 está na porta, e o DAS está instalado no carro. Em março, quando o campeonato originalmente estava marcado para estrear, a Mercedes titubeou quando questionada sobre o uso da tecnologia em atividades oficiais. Só que o surto da Covid-19 já era um elemento àquele ponto: haviam muitas interrogações sobre a atitude que a F1 tomava frente à ebulição da doença, que ganhava cores de pandemia segundo a Organização Mundial da Saúde.

A Mercedes decidiu não trazer mais preocupação, tirou o time de campo momentaneamente. Tinha uma questão a mais: a Red Bull deixava claro para quem quisesse ouvir que protestaria oficialmente o uso do sistema. Christian Horner sugeriu que a Mercedes se explicasse na reunião da sexta-feira, antes que levasse o DAS à pista de modo competitivo. O recuo alemão fez a polêmica ser engarrafada e, com a mudança drástica do tema na sequência, o DAS ficou praticamente esquecido nos meses seguintes.

Só que a situação mudou. Com o atraso de quase quatro meses, a Fórmula 1 começa – após o terceiro maior intervalo entre corridas oficiais na história – exatamente no austríaco Red Bull Ring, a casa da equipe rubro-taurina. A situação é diferente. A pandemia não acabou, longe disso, mas superou os piores dias na Europa e, enfim, a Fórmula 1 e seus circenses podem pensar novamente na pista, na política e nas picuinhas poupadas meses atrás. Nenhuma maior que o DAS.

De acordo com a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, a Mercedes pretende, sim, colocar o DAS na pista da Áustria no próximo fim de semana. Quer ver o que o novo sistema representa em ganho de pista, algo que ainda é um mistério grande, até contrastante com o tempo com que tem sido discutido. Há que fale em 0s5, há quem fale em parcos centésimos. Não se sabe ao certo.

E o DAS, hein? (Foto: Red Bull Content Pool)

O que se sabe, além da abordagem diferente da Austrália assumida pela Mercedes, é que a Red Bull também resolveu atuar de outra maneira. Na surdina, desta vez. A Ferrari, quieta, preocupada com os próprios problemas com o carro e com a dificuldade em produzir atualizações – é a única do top-3 que terá o mesmo carro em Spielberg que teria em Melbourne -, está, ao menos até o presente momento, fora do assunto.

A Red Bull é a chave. Barulhenta nos arredores do Albert Park, resolveu espiar. Ainda segundo a revista alemã, o entendimento entre as duas é bem diferente. Os austríacos acreditam que o DAS é ilegal, porque “o volante não desempenha o papel real de um volante quando é puxado e empurrado”. Por outro lado, a Mercedes acredita que isso acontece até com as barras de direção normais, uma vez que “dependendo do projeto do volante, o carro só reage em ângulos específicos”.

Ainda à revista, Helmut Marko, diretor da equipe da casa, comentou o assunto. “Pensaremos nisso mais tarde. O que queremos agora é organizar esse GP em segurança”.

Mas o que quer a Red Bull? Caso note que o DAS, de fato, representou ganhos violentos para a rival anteriormente prateada e resolva entrar com um protesto oficial junto à FIA após a corrida, colocará a Mercedes em situação complicada. Aí, não mais com uma proibição à utilização do sistema, mas com uma possível desclassificação da corrida.

Agora, nesse exato momento, o DAS ainda demanda mais perguntas do que oferece respostas. Dependendo de como funcione, desencadeará diferentes respostas das equipes.

“O futuro não é nosso para ver. Que sera, sera”, já cantava Doris Day nos anos 1950 e, vez ou outra, os versos se aplicam para a F1. É mais comum do que parece.

A Fórmula 1 voltou, os bastidores não ficariam de quarentena.

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