Red Bull acerta meio que sem querer e garante forte dupla para 2020

Quase que sem querer, a Red Bull tomou uma das decisões mais acertadas da temporada. Quando não tinha nenhum nome ‘elegível’, foi buscar Alexander Albon e o fez estrear na F1 pela Toro Rosso, para, depois, jogá-lo em uma prova de fogo contra Max Verstappen. E apesar do risco, Albon se mostrou melhor do que a encomenda e o prêmio veio com a confirmação para o cockpit da equipe principal em 2020

Não é segredo que, há tempos, o severo programa de jovens pilotos da Red Bull sofre com a escassez de bons nomes, mas, principalmente, com a política de tolerância zero de Helmut Marko. Isso se reflete, claro, nas decisões que a empresa dos energéticos toma sobre aqueles que vão assumir os cockpits na F1. E 2019 foi particularmente emblemático nesse cenário. 
 
Quando foi para formar as equipes para essa temporada, apenas Max Verstappen tinha o posto totalmente assegurado e a confiança do time. Ainda que cercado de dúvidas, Pierre Gasly acabou ficando com a outra vaga, depois da experiência com a Toro Rosso no ano anterior. Já a equipe de Faenza teve de ser ‘remendada’, foi atrás de Daniil Kvyat, que já havia sido rebaixado e demitido, mas ainda restava um lugar. E lá foi Marko abrir a agendinha dos ex-pilotos do programa de novo. O nome de Alexander Albon estava nela. Mas o tailandês já seguia sua vida por outras bandas, depois de ter sido dispensado pelo mesmo consultor. Só que um convite para a F1 não aparece sempre, e ele aceitou a oferta. O caso, no entanto, ficou como a prova maior das falhas do sistema criado pelo conselheiro de Christian Horner.
 
Quer dizer, a formação que a Toro Rosso contou foi mais com a sorte do que propriamente com o olhar apurado de Marko. E foi quase sem querer que a Red Bull começou a moldar ali a forte dupla que terá a partir de 2020, portanto.
Pierre Gasly não suportou a pressão na Red Bull, mas se deu bem na Toro Rosso  (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Só que, muito antes disso, Gasly se mostrou pouco preparado para a pressão de enfrentar Verstappen. As primeiras 12 corridas do ano foram complicadas para o francês, que viveu apenas duas boas corridas: no Azerbaijão, apesar do abandono, e em Silverstone, onde fez belas ultrapassagens e bateu o colega de equipe. Mas o imediatismo da Red Bull não tolerou o desconforto de Pierre, que acabou rebaixado com a pausa das férias.
 
Para seu lugar, subiu Albon. Em um primeiro momento, a escolha pareceu equivocada e precoce, mas não surpreendeu, dado o histórico de ‘moedor de carne’ dos energéticos. A crítica era baseada na premissa de que a Red Bull agia de forma precipitada ao colocar em risco alguém que havia acabado de chegar à F1, em meio também aos problemas que o próprio programa enfrenta com a ausência de nomes promissores. O questionamento era válido e a história justificava. Mas o jovem quebrou essa premissa.
Albon era, certamente, o novato com menos holofotes no início do campeonato. Mas isso era, até certo ponto, injustificável. Quem já acompanhava de perto a carreira do tailandês sabia que se tratava de uma grande joia, de um cara que, por exemplo, foi rival duro de Charles Leclerc na então GP3.
 
Só que também é fato que se trata do auge de Albon. E aí não é apenas por estar em uma das melhores equipes do grid, mas também estamos falando em auge técnico. Sempre foi rápido, agressivo, mas a combinação das duas coisas está absolutamente afiada nas últimas provas.
Alexander Albon (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
E é curioso também porque, em um esporte em que oscilar é tão comum, Albon vem tendo um crescimento totalmente linear. De cinco anos para cá, o tailandês só melhora em resultados e, principalmente, em performance. Em 2015, foi sétimo na F3 e já começou a chamar a atenção, mas cresceu com um vice da GP3, teve um 2017 em que a posição final, definitivamente, não reflete a performance, já que sofreu uma lesão que atrapalhou boa parte da temporada, e, em 2018, brigou pelo título da F2 com a Dams.
 
Não é muito comum vermos o terceiro colocado da F2 subindo no ano seguinte, mas aí está uma exceção totalmente justificável. Contando também com o fato do programa de jovens da Red Bull ter emperrado, Albon foi chamado de volta ao grupo que ocupou apenas por meses em um 2012 muito fraco, antes da fase de franca evolução da carreira.
 
Valeu muito a iniciativa dos austríacos, que tiraram Alex da Nissan, onde seria parceiro de Sébastien Buemi na Fórmula E. O retorno foi imediato, com exibições de gala na China e na chuva da Alemanha, por exemplo, antes de conseguir a promoção da Toro Rosso para a Red Bull.
 
Aí, contrariando previsões de que sentiria a mudança do carro e até uma certa pressão, foi logo tendo ótimas performances, não termina atrás do sexto lugar desde então e tem até mais pontos no período que o projeto de fenômeno Verstappen. É, certamente, um dos cinco melhores pilotos do ano e o grande novato até aqui.

A Red Bull acerta, portanto. Não só por seguir com o jovem tailandês, mas também por aceitar que Gasly precisa de mais tempo.

 

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