Red Bull ainda respira na F1 2021, mas chances desperdiçadas vão cobrar preço ao fim do ano

Max Verstappen não conseguiu criar gordura nas primeiras corridas do ano e agora terá de bancar o caçador contra Lewis Hamilton. Não é impossível, mas raros são os pilotos que conseguiram virar o jogo contra o inglês. O que fazer, Red Bull?

Hamilton pega Verstappen na tática e vence: assista aos melhores momentos do GP da Espanha (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

2021 nem era para ser um ano de briga por título na Fórmula 1, dado o regulamento virtualmente idêntico, mas quis o trabalho bem feito da Red Bull que tivéssemos uma bela briga entre Lewis Hamilton e Max Verstappen em nossas mãos. A disputa continua, mas já está claro que a vantagem é toda dos atuais campeões. Muito pelos talentos da Mercedes, mas também pelos vacilos da equipe dos energéticos: o título ainda não está perdido, mas o esforço é grande para isso.

Já se falava desde o GP do Bahrein que o momento era ideal para a Red Bull criar gordura. O carro era melhor, mas essa situação era também facilmente reversível. Bastava a Mercedes entender o que havia de errado com seu bólido que as duas principais equipes da Fórmula 1 ficariam, no mínimo, em pé de igualdade. Dito e feito: chegamos ao GP da Espanha e esse já parece ser o caso, com a força de Verstappen sendo mais pronunciada nos treinos classificatórios do que nas corridas, mas já não muito forte em nenhum dos dois.

Isso não seria tão péssimo que Verstappen e Red Bull tivessem aproveitado as primeiras corridas do ano. O que não aconteceu: Max venceu uma corrida, com Lewis embolando as outras três. Uma olhada para o Mundial de Pilotos acusa vantagem de 14 pontos a favor do britânico, que já pode controlar a situação com um pouco mais de calma.

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LEWIS HAMILTON; MAX VERSTAPPEN; RED BULL; GP DA ESPANHA; BARCELONA; F1
Max Verstappen à frente de Lewis Hamilton no GP da Espanha. Não durou muito tempo (Foto: Red Bull Content Pool)

14 pontos é uma vantagem maior do que se esperava, sem dúvida. Dito isso, ainda não é necessariamente tremenda. Uma corrida com Verstappen em primeiro e Hamilton em terceiro já corta isso para 4 pontos, que é essencialmente um empate técnico em dias de GPs valendo 25 cada, mais ponto de volta mais rápida. Se o heptacampeão abandonar, então, tudo fica ainda mais simples e surge uma chance de ouro para o novo desafiador.

O problema é: Max precisa ser perfeito para transformar essa possibilidade em algo factível. O holandês é quem está muito mais próximo de terminar corridas em terceiro e, pelo histórico da Red Bull, mais próximo também de começar a abandonar com problemas mecânicos. É difícil bancar o caçador com esses elementos, ainda mais sabendo que o último GP de Lewis fora dos pontos foi o da Áustria de 2018.

É por isso que era tão importante a Red Bull criar gordura nessas primeiras corridas. 14 pontos a favor de Verstappen, que seria absolutamente possível, permitiria à Red Bull uma margem de erro, mesmo que pequena. Com 14 de déficit, será necessário fazer algo especial acontecer nos próximos meses.

Como o título desta análise já bem diz, Verstappen ainda respira. O problema é que a situação já é precária. Para exemplificar isso, hora de recordar Sebastian Vettel. Em 2017, o alemão saiu de Mônaco com 25 pontos de vantagem para Hamilton. Terminou 46 atrás. Em 2018, tinha 8 de vantagem na altura da Inglaterra. Terminou 88 atrás. Isso tudo é para mostrar que a tendência é de que a atual campeã resista melhor no longo prazo, apesar de não dar para afirmar que a Red Bull vá se implodir da mesma forma que a Ferrari se implodia no passado recente.

Sebastian Vettel sabe muito bem o que acontece com quem dá bobeira contra Lewis Hamilton (Foto: Ferrari)

A tendência é de que o preço dos erros bobos de agora, principalmente de estratégia, façam toda a diferença lá na frente. Podemos muito bem chegar a um ponto em que, mesmo com o melhor planejamento possível, Hamilton simplesmente venha a ter o melhor carro.

Se falou muito que a Red Bull estava de mãos atadas em Barcelona. Ross Brawn entrou nesse coro também, apontando que a Mercedes colocou a rival num beco sem saída. Perderia se não fizesse o segundo pit-stop, perderia se tentasse algo diferente. Essa análise vale para o GP da Espanha, mas vale para o resto de 2021 também: a menos que tenhamos novas reviravoltas no campeonato atual, também há o risco real de diversas tentativas de Verstappen acabarem frustradas.

A temporada é longa e as brigas entre Hamilton e Verstappen ainda empolgam. Não tivemos uma corrida verdadeiramente chata até aqui em 2021. Só que também é fato: nessa briga em particular, com os astros de Mercedes e Red Bull, já há um favorito claro.

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