Respeito a Bottas atrasa anúncio, mas Russell será piloto da Mercedes em 2022

Segurem os memes: gratidão, nada mais, é o que faz com que a Mercedes espere para anunciar George Russell na vaga de Valtteri Bottas. E ainda bem, porque é mais humano assim

O duelo entre Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP da Inglaterra por uma nova perspectiva (Vídeo: F1)

Conforme passa o tempo, George Russell faz piada e Valtteri Bottas diz que não sabe de nada, o público vai ficando impaciente. Afinal, o que será da vaga oposta à de Lewis Hamilton na temporada 2022 do Mundial de Fórmula 1? É uma indicação de que a decisão esperada, com a troca de guarda, não irá adiante? É uma indicação, sim, mas não disso. Indica que a Mercedes tem respeito pelos serviços prestados por Valtteri Bottas. Tentar olhar além disso é procurar pelo em ovo.

Na urgência das redes sociais e de acordo com o tribunal Twitter – que exige execução sumária da pena definida sem necessidade de responsabilidade e também sem que haja possibilidade de apelar, já que todas as cortes superiores foram destruídas pelo simples poder do déspota que nos habita a muitos -, Bottas é um pedaço de papelão que teve encontro urinário com um cão marcador de território. A realidade não é assim, porque pede responsabilidade e análise justa.

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A análise justa ao período de Bottas é o seguinte: cinco temporadas e, até aqui, 52 pódios, 17 poles e nove vitórias em 88 corridas. E, é claro, quatro títulos mundiais de Construtores – com a possibilidade do quinto ainda surgir. Bottas foi vice-campeão duas vezes e terceiro em outra oportunidade no Mundial de Pilotos.

Destacamos os números e feitos por uma questão simples: Bottas fez precisamente o que dele se pediu nos anos em que esteve na Mercedes. Houve quem se decepcionasse constantemente com ele, mas aqueles que sabia bem de quem se tratava entendiam que Valtteri fez o que Valtteri podia fazer. Bater de frente com Hamilton podia até ser um desejo, mas não era possibilidade. Se 2018 representou um ano pior, mesmo assim Bottas pontuou constantemente e esteve no pódio oito. Nos outros anos, esteve mais. O que se precisava era velocidade e garantir os pontos, o que fez.

Valtteri Bottas tem uma história que precisa ser respeitada pela Mercedes (Foto: Mercedes)

O leitor pode torcer o nariz e achar que Bottas é um sevandija de glórias. É o direito que se tem, mas Valtteri foi parte ativa nas conquistas. O público até pode acreditar que o finlandês não serve, mas ao menos precisa levar em conta que ninguém dá nada de graça no esporte profissional de alto rendimento. Na F1, inclusive. Pilotos ruins, incapazes de corresponder, não têm vida longa. Mesmo com os melhores carros. Lembre de Heikki Kovalainen em 2007 ou de Luca Badoer substituindo Felipe Massa em 2009. Recorde das recentes dificuldades de pilotos da Red Bull. Ninguém dá nada de graça, leitor. Bottas fez o dele por anos.

A demora da Mercedes agir diz mais sobre isso que sobre Russell. É reconhecimento do trabalho, gratidão. Para a Mercedes, que não corre risco algum de perder Russell antes de anunciar sua escolha, é bom que se postergue para o recesso de verão. Avisar distante de um fim de semana, enquanto o finlandês poderá espairecer por semanas e preparar as respostas para a imprensa, além de ter tempo hábil de definir sua vida. A gratidão faz bem e não põe a Mercedes em perigo, porque ela controla a carreira de seu próximo piloto. É diferente do que aconteceu quando tentou buscar Nico Hülkenberg para assumir a vaga de Nico Rosberg. Tudo está sob controle.

Enquanto isso, há Russell. O começo de temporada pode ter sido um tanto confuso, mas recentemente o desempenho é poderoso. Passou perto de pontuar, foi ao Q3 na classificação e mostrou para lá e para cá que a evolução é progressiva. Está vindo, e ele parece pronto para um próximo passo. Há quem acredite que as brincadeiras que tem feito sobre um anúncio são indícios de que já sabe que será piloto da Mercedes. Talvez, mas isso é menor. O maior indício é que Hamilton está de contrato renovado, os carros serão novos e, mesmo assim, Bottas não foi procurado para conversar sobre o futuro.

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“No momento, ainda não sei com certeza. Ainda não sentei com o time para discutir sobre o futuro. O tempo vai mostrar. O futuro estará claro em algum momento. Não está agora, mas uma hora vai ficar”, afirmou o finlandês em entrevista com a presença do GRANDE PRÊMIO há pouco mais de uma semana.

Sobre Russell, a sensação maior é que está ansioso ao extremo. As brincadeiras são válvulas de escape de uma certeza que, se não é por ter sido avisado de que fará a mudança de equipe em 2022, é pela certeza de que a ordem das coisas está definida. Certeza que, de maneira ou de outra, temos todos.

“Passei três anos trabalhando para lutar no meio do grid, dando o meu máximo e tentando tirar o máximo da equipe ao meu redor. E acho que fizemos um trabalho muito bom e muito sólido. Mas é diferente quando você luta por vitórias e luta por títulos, como vivi na minha carreira na base. É para isso que eu vivo e, esperançosamente, esse dia vai chegar, cedo ou tarde. Tive uma pequena amostra no ano passado, mas quero provar isso semana após semana”, disse George.

Voltemos ao tribunal das redes sociais, que desprezam a paciência e querem viver de fatos novos todos os dias. A calma é demonstração de gratidão, que é parte do que nos faz humanos. Russell será piloto da Mercedes em 2022, Bottas não será. No fim das contas, ninguém liga se seus memes tiverem que esperar mais umas semanas.

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