Retrospectiva 2020: Mercedes fica perto da perfeição. Mas ainda peca por manter Bottas

Valtteri Bottas ajudou a Mercedes a ter um ano quase impecável, mas deu motivos de sobra para ser contestado. O finlandês venceu corrida, mas não mostrou merecer um carro tão perfeito como o W11. A derrota para Lewis Hamilton foi dura demais

É difícil apontar defeitos na temporada 2020 da Mercedes. Se em 2019 a equipe alemã perdeu força na segunda metade do ano e permitiu reação de equipes rivais, em 2020 tivemos um domínio de cabo a rabo. Lewis Hamilton venceu 11 dos 17 GPs, com Valtteri Bottas capitalizando outros dois para chegar ao total de 13. É um flerte com a perfeição, mas que ao longo do ano esbarrou em um problema: a passividade de Bottas, mesmo para os padrões de um segundo piloto.

Bottas começou 2020 de forma positiva, fazendo pole e levando a vitória no GP da Áustria. Parecia ser a pedra fundamental para uma campanha competitiva, talvez dando mais calor em Hamilton. Bom, essa previsão não poderia ter ficado mais distante da realidade: Valtteri colocou até mesmo o vice-campeonato em risco e sofreu até mesmo para ir ao pódio regularmente, mesmo pilotando o melhor carro do grid.

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Bottas liderou o Mundial apenas após as duas primeiras etapas, depois murchando gradativamente. Em um primeiro momento, apenas por ser incapaz de lutar com Hamilton e sofrer com Max Verstappen em GPs como os da Hungria, dos 70 Anos e da Espanha. Ruim, mas aceitável. Só que a situação ficou ainda mais chata no GP da Itália: mesmo com Lewis punido e incapaz de vencer, Valtteri conseguiu dar um tiro no próprio pé com uma das largadas mais abomináveis de todas e uma dificuldade imensa de recuperar terreno. Poderia ser um caso isolado, ainda mais com a vitória no GP da Rússia poucas semanas depois, mas o buraco era mais fundo.

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Valtteri Bottas teve raras alegrias em 2020 (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

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Em que pese o elemento do azar em GPs como os de Eifel e da Emília-Romanha, dois que Valtteri poderia vencer não fossem problemas com o carro, o fim de temporada foi melancólico. A atuação de seis rodadas no GP da Turquia beirou o patético, sendo seguida por dois oitavos lugares em Sakhir que não valem absolutamente nada em uma equipe como a Mercedes.

Mesmo excluindo o lado da falta de sorte e do imponderável, não há muito como fazer uma análise positiva do ano de Bottas. É verdade que o finlandês ajudou a Mercedes a seguir no patamar mais alto possível, carimbando o vice no Mundial de Pilotos, mas com muito mais dificuldades do que inicialmente se esperava.

Os resultados da Mercedes seriam inegavelmente melhores com outro piloto. A equipe seria quase imbatível com Verstappen dividindo garagem com Hamilton, por exemplo. Só que aí entra um outro elemento, uma qualidade muito vista em Bottas em 2020: a raridade dos conflitos internos. Valtteri parece entender seu papel dentro da escuderia e passou a cumprir o papel de cordeirinho. Outros, como Rubens Barrichello nos dias de Ferrari, tiveram momentos de rebeldia. O #77, nunca. E talvez essa seja uma das chaves para o sucesso do #44: a harmonia interna.

Bottas merece algum crédito pelo domínio cada vez maior da Mercedes de 2017 para cá. Depois do visto entre Hamilton e Nico Rosberg, Valtteri é uma benção. Só que, olhando o que aconteceu ao longo de 2020, não há como dizer que o trabalho é feito de forma impecável.

F1; VALTTERI BOTTAS; MERCEDES; GP DE ABU DHABI; CLASSIFICAÇÃO;
Valtteri Bottas conseguiu o vice por pouco (Foto: Mercedes)

Bottas é certamente harmônico, mas não escapa de ser visto como o elo fraco em uma Mercedes extremamente azeitada. Russell provavelmente teria feito um trabalho melhor, assim como alguns outros em Brackley. Tomara que Toto Wolff esteja anotando tudo isso em um caderninho.

Bottas terminar corridas em quinto ou em oitavo não foi um problema em 2020, mas pode ser em 2021 ou 2022. Se a Red Bull se aproximar para brigar pelo Mundial de Construtores, por exemplo, o segundo piloto terá de se esforçar mais. Seja para ajudar a Mercedes, seja para ajudar a si próprio – o risco de perder vaga para George Russell já é bem real, e talvez já no fim da próxima temporada.

Se a temporada 2020 fosse uma escola, Bottas teria passado de ano. Contando com a boa vontade dos professores, mas passaria. O problema é que a pressão é crescente para deixar de ser o aluno mediano e virar aquele que ganha uma estrelinha ao lado do nome.

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