Retrospectiva 2025: Haas reafirma ‘método Komatsu’ e acaba premiada em ano de 8 ou 80

No segundo ano de Ayao Komatsu à frente da Haas, equipe deu novos passos à frente e, mesmo com equipamento limitado, deu chances de grandes pontos a Oliver Bearman e Esteban Ocon com estratégias alinhadas de corrida. As oscilações vieram com força, mas o time soube entender os sinais e novamente indicou estar no caminho certo com a nova chefia. Parceria com a Toyota anima para o futuro

Após um 2024 de aclimatação com a saída de Guenther Steiner e a chegada de Ayao Komatsu, a Haas viveu um 2025 de reafirmação e que confirmou a nova faceta do time americano: sai o impacto na mídia, principalmente pela presença do ex-chefe, entra o pensamento estatístico e focado em dados do japonês. E os frutos foram colhidos, mesmo em um ano que o carro preto e branco viveu uma montanha-russa. Os pontos altos, porém, disseram bastante sobre o que a Haas poderia fazer com um equipamento competitivo em mãos.

Com background na engenharia, Komatsu adotou uma maneira diferente de trabalhar ao assumir a chefia da equipe. O foco passou a ser responder aos dados coletados, sempre em decisões milimetricamente pensadas e focadas em extrair desempenho. Ainda mais em um último ano de regulamento, que viu a maioria dos times virar o foco para 2026 ainda cedo — algo que o time americano não pôde fazer.

Afinal de contas, a mudança de mentalidade trouxe também uma evolução competitiva óbvia. Saiu de cena o time que andava na rabeira da classificação e entrou o atual, que ficou até o fim na briga pelo sexto lugar. Não deu, o oitavo posto foi o melhor possível, mas a temporada deixou algumas lições interessantes e perspectivas que podem tornar o futuro animador — ainda mais em meio à parceria com a Toyota, que promete se aprofundar ainda mais nos próximos anos.

A temporada, porém, passou longe de ser uniforme, com um desempenho que oscilou muito de pista para pista. O carro em si não trouxe grandes aspirações de competitividade, o que significou que Oliver Bearman, Esteban Ocon e o time de engenheiros precisaram sempre entender como extrair o máximo do equipamento para somar pontos. Nem sempre deu para acertar, mas as estratégias de corrida acabaram salvando aqui e ali.

Bearman somou 41 pontos na primeira temporada como titular e saiu com ótimo saldo (Foto: Haas F1 Team)

Os grandes pontos altos vieram na China e no México, claro, etapas em que a Haas saiu com 14 pontos somados. Ocon foi quinto e ainda viu Bearman terminar em oitavo em Xangai, e o inglês brilhou com a quarta posição no Hermanos Rodríguez, com o francês em nono. Especialmente nesta última, o pensamento frio da equipe em busca do resultado foi determinante para que o jovem alcançasse o melhor resultado do ano — e da carreira.

Afinal, Bearman aproveitou a confusão entre Max Verstappen e os demais postulantes ao título para ganhar algumas posições na pista, a ponto de batalhar pelo terceiro lugar do pódio. A Haas tinha a opção de segurar o inglês na pista e arriscar o top-3, mas preferiu manter os próprios cálculos, chamar o carro para uma segunda parada e se contentar com o quarto lugar. Plano mais frio, calculista e sintomático do que é a Haas hoje.

Outros bons desempenhos surgiram em corridas como Brasil, Países Baixos e Bélgica, além de apresentações decentes em Mônaco — que trouxe uma prova maluca, com a obrigatoriedade de duas paradas — e Bahrein, entre outras. Mas o ano também reservou intervalos bem complicados, como as três etapas seguidas sem marcar em Arábia Saudita, Miami e Ímola. Foi o maior jejum do time no ano.

E, mesmo em meio a uma montanha-russa em 2025, com o carro ocupando praticamente todas as áreas do grid, foi justamente a capacidade de pontuar bastante — nos padrões da ‘F1 B‘, claro — que permitiu à Haas estar na briga pelo sexto lugar. Além desse hiato de três corridas, o time só deixou de marcar pontos em etapas consecutivas uma vez, quando saiu zerada na Itália e no Azerbaijão. De resto, não passou duas rodadas sem marcar e emendou uma sequência de cinco top-10 seguidos entre Singapura, em outubro, e Las Vegas, em novembro.

Ocon viveu alguns problemas no primeiro ano de Haas, mas se manteve próximo a Bearman (Foto: Haas F1 Team)

Em relação aos pilotos, o primeiro ano de Bearman como titular na Fórmula 1 serviu para comprovar o talento a alguns e surpreender outros. Rápido e muito maduro, o britânico mostrou que será um nome para muitos anos no grid e encheu os olhos em algumas atuações, principalmente no México. Chama atenção a capacidade de dosar a animação com a frieza e o trato com os pneus, algo difícil para um iniciante. Certamente, enche os olhos da Ferrari.

Ocon viveu um ano mais atribulado, ainda que tenha se mantido no mesmo patamar de Bearman em número de pontos — 41 para o inglês, 38 para o francês. A principal dificuldade de Esteban foi com os freios, que não lhe ofereciam estabilidade e prejudicaram a confiança do piloto no equipamento. Por ser o mesmo conceito do outro carro, foi um problema que fez a Haas coçar a cabeça pela maior parte do ano, sem uma solução concreta.

De fato, 2025 serviu como a grande afirmação da gestão Komatsu, que deu novos passos em direção a um futuro que já não parecia existir com Steiner. Adotando novos métodos de trabalho, desde a escolha dos pilotos à forma de acertar o carro, o time sai orgulhoso de algumas estratégias que colocou em prática e com a sensação de ter dado novos passos à frente. Agora, a parceria com a Toyota promete se estender ainda mais, e a chegada do novo regulamento se oferece como uma página em branco para que o time americano mude o próprio patamar na Fórmula 1.

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