F1

Ricciardo relembra admiração por Barrichello em 1ª entrevista na F1: “Assisti esse cara toda minha vida”

Em carta escrito ao 'Players Tribune', Daniel Ricciardo lembrou de sua primeira entrevista coletiva na F1, pela HRT, em 2011. E comentou sobre sua admiração por Rubens Barrichello, sentado ao seu lado no dia, e sobre a dica que recebeu de Lewis Hamilton
Warm Up / FELIPE NORONHA, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 Rubens Barrichello e Daniel Ricciardo lado a lado, durante coletiva em 2011 com Lewis Hamilton, Paul Di Resta e Jenson Button (Foto: Force India)

Daniel Ricciardo dá adeus à Red Bull no próximo domingo (25), assim que acabar o GP de Abu Dhabi. É o fim de um ciclo que começou há sete anos, quando o australiano recebeu ligação de Helmut Marko avisando que pilotaria no GP da Inglaterra pela HRT.

Sete temporadas, 29 pódios e sete vitórias depois, Ricciardo relembrou em carta ao 'Player's Tribune' como foi seu primeiro dia na principal categoria do automobilismo mundial. Com Rubens Barrichello e Lewis Hamilton como personagens centrais da história.
Daniel Ricciardo (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
O futuro piloto da Renault revelou no texto que "não estava pronto" para chegar à F1 quando Marko, chefe da Red Bull, ligou em sua casa para avisá-lo que, em oito dias, substituiria Narain Karthikeyan na HRT na nona etapa da temporada.

"Eu pensei que estava pronto. Então a ligação veio. E eu não estava pronto. Eu estava na minha cozinha em Milton Keynes, no Reino Unido, com meus pais em um dia chuvoso de junho de 2011. Meu telefone tocou na mesa. Era Helmut. ‘Daniel’, disse ele, ‘você vai pilotar pela HRT na próxima semana no GP da Inglaterra’."

"Eu quase deixei cair o maldito telefone. Voltei para a sala, e meus pais sabiam que algo estava acontecendo. Eu disse a eles que iria correr com um carro de F1 em oito dias", seguiu.

A partir daí, Ricciardo puxa da memória o primeiro dia como um piloto oficial de F1: uma quinta-feira de entrevista coletiva..
Daniel Ricciardo (Foto: AFP)
Escalado junto a Paul Di Resta, Jenson Button e Hamilton, sentou ao lado do quinto membro da mesa: Barrichello. E assume: teve que esconder a admiração.

"Esse fim de semana inteiro foi confuso. Eu me sentei ao lado de Rubens Barrichello na coletiva de imprensa. Tinha meu cabelo desalinhado debaixo do meu boné, eu parecia um idiota (haha). A imprensa pedia a Rubens que me desse alguns conselhos. Eu fiquei, tipo, 'assisti esse cara toda a minha vida, e ele provavelmente nunca ouviu falar de mim'", contou.

Já Hamilton se tornou personagem desse momento inesquecível para Ricciardo ao fim da coletiva: "Lewis Hamilton me puxou de lado depois que acabou. ‘Você vai ficar bem. Somente olhe ao redor de vez em quando e divirta-se'."

"Para um campeão do mundo tirar um tempo do seu GP para vir falar comigo, na verdade me acalmou muito. Eu tomei quatro voltas no domingo, o dia foi uma bagunça total, mas, porra, foi incrível. Aprendi que o ritmo de uma volta é apenas uma pequena parte do que torna um piloto tão bom. Eu aprendi que há exatamente um milhão de botões no volante. E aprendi que pilotar um carro de F1 é que há de mais divertido que você pode ter", continuou, para em seguida completar com frases de impacto.

"Esse último ponto é super importante. Sempre tem de ser divertido."

No GP da Inglaterra de 2011, Ricciardo terminou em 19° - ou o último entre os que completaram a corrida. Ele ficaria na HRT até o final do ano, sem pontuar, antes de se transferir para a Toro Rosso em 2012. A partir de 2019, Ricciardo deixa enfim o programa da Red Bull e se muda para a Renault.