Sainz revela medo de perder primeira corrida do ano por Covid-19: “Seria horrível”

Carlos Sainz embarcou com a McLaren nesta manhã de quarta-feira rumo à Áustria ciente dos riscos de infecção pelo novo coronavírus e da exposição que vai ter mesmo entrando no que a Fórmula 1 chama de ‘biosfera’ e vem sendo preparada para isolar pilotos, membros de equipe, staff e poucos jornalistas presentes ao Red Bull Ring

A Fórmula 1 está às vésperas de finalmente abrir a temporada 2020 com o GP da Áustria, que vai ter lugar no Red Bull Ring neste fim de semana. Desde quando a categoria esteve na Austrália para aquela que seria a primeira corrida do campeonato, mas que acabou sendo cancelada por conta da pandemia do novo coronavírus, até agora, lá se vão quase quatro meses. A F1, em conjunto com a FIA, estabeleceu um protocolo com mais de 70 páginas com as diretrizes sanitárias para o fim de semana, que compreende regras como testes PCR a cada cinco dias, equipes sem contato com as outras, número limitado de jornalistas e até a não-realização da tradicional cerimônia de celebração no pódio. Mas Carlos Sainz, até pelo que viu de perto em Melbourne em março, revelou que teme o risco de ser infectado pelo Covid-19 e, assim, ter de ficar fora da corrida após mais de quatro meses longe do MCL35.

Na quinta-feira que antecedeu ao que seria o GP da Austrália, um funcionário da McLaren testou positivo para o novo coronavírus, e a situação provocou um verdadeiro pânico no paddock da Fórmula 1. A equipe de Woking anunciou que não iria correr em Melbourne, o que desencadeou um efeito cascata e culminou no cancelamento da etapa. Os profissionais que tiveram contato com o funcionário infectado tiveram de ficar em quarentena em um hotel da cidade por 14 dias antes de regressar à Inglaterra.

Carlos Sainz
Carlos Sainz teme o risco de ser infectado pelo Covid-19 (Foto: McLaren)

Sainz embarcou junto com a McLaren em voo fretado na manhã desta quarta-feira rumo à Áustria. Antes, em entrevista à jornalista Amanda Davies, da emissora CNN, o espanhol não escondeu que, além da bagagem que leva a caminho do Red Bull Ring, carrega também um pouco de tensão.

“Você pode ter o Covid-19 e nem saber que tem e nem ter sintomas, ou alguém da equipe nem ter sintomas, e você pode perder uma corrida por causa disso. E depois de quatro meses sem competir e querendo competir, de repente você está perfeitamente bem e saudável, mas testou positivo para o Covid-19, então não pode correr na Fórmula 1 depois de quatro meses. Seria uma sensação horrível, e é algo que eu quero cuidar para não acontecer”, disse o madrilenho de 25 anos.

“Você também pode ser infectado por pura má sorte e não pode fazer nada contra isso. Basta ficar algumas corridas fora. Mas a pior parte disso seria se sentir perfeito, como me sinto agora, ter o Covid-19 no seu sistema ou no seu sangue e não for capaz de correr”, salientou.

Diferente de alguns pilotos que chegaram a testar com os carros de 2020 dias antes do embarque para a Austrália, Carlos Sainz, assim como seu companheiro de McLaren, Lando Norris, tiveram de guiar carros da Carlin na Fórmula 3 para retomar um pouco do ritmo.

Um dos aspectos mais visíveis neste fim de semana de volta da Fórmula 1 é que as arquibancadas vão estar vazias, uma vez que o acesso ao público não será permitido para evitar o risco de contágio pelo Covid-19. Sainz entende que a ausência da torcida não vai afetar os trabalhos durante a corrida, mas sim “os momentos antes e depois”.

“Aqueles momentos em que os pilotos desfilam, quando vemos as arquibancadas cheias, aqueles momentos em que você entra em uma pista e a vê toda cheia de fãs torcendo por você, gritando seu nome, isso te enche de energia e boas vibrações. E não ter isso vai ser triste e, com certeza, diferente. Não vai ter falta de motivação. A motivação vai ser sempre alta e vamos estar prontos”, explicou.

Questionado sobre o racismo, tema que a Fórmula 1 passou a discutir graças à luta incessante de Lewis Hamilton, que ganhou o apoio da Mercedes ao pintar o W11 de preto, em gesto histórico, para a temporada 2020, Sainz falou que tem pensado sobre o assunto, ainda que de forma lacônica.

“Portanto, reconheço que possa existir [racismo no mundo], mesmo que eu não tenha visto, e quero me informar e ver o que podemos fazer para melhorar a situação”, concluiu.

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