Stop & Go — Sergio Marchionne: “Não vamos ganhar nada sendo arrogantes”

O presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, deu entrevista neste sábado (21) em Barcelona, onde está para acompanhar o trabalho da pré-temporada. Ele destacou o empenho dos seus engenheiros na construção do carro que está se apresentando bem nos testes até aqui

O novo presidente da Ferrari deu as caras em Barcelona neste sábado (21). Sergio Marchionne, que assumiu o cargo em outubro do ano passado, chegou para acompanhar de perto o trabalho da equipe na pré-temporada e conferir o carro que vem impressionando até os adversários.

E o dirigente conversou com a imprensa a respeito de uma série de temas. Falou da reestruturação realizada na equipe nos últimos meses e da expectativa criada pelos primeiros resultados de pista, das discussões a respeito do futuro das regras da F1, da contratação de Sebastian Vettel, entre outros.

No que se refere à performance na pista, o discurso do italiano prega cautela. Marchionne ressaltou o tamanho e a importância da Ferrari para a F1, mas disse que é preciso reconhecer que "vai levar um pouco de tempo" para que o time entre novamente nos trilhos. Disse que é preciso esperar para saber o real potencial do carro, muito provavelmente até o GP da Espanha deste ano, e que a humildade se faz necessária neste momento.

"Nós estamos construindo o futuro com a humildade necessária porque não vamos ganhar nada sendo arrogantes", comentou em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no Circuito da Catalunha.

Sergio Marchionne (Foto: Ferrari)

Confira a entrevista de Sergio Marchionne em Barcelona:

Quais são suas expectativas após estes primeiros testes positivos?

 
Era essencial criar um equilíbrio no desenvolvimento do carro. O que estamos vendo agora é o resultado de um planejamento claro de uma equipe que agora tem os objetivos claros e os meios para alcançá-los. Tudo isso vai levar a Ferrari adiante. Vai levar um pouco de tempo. Na primeira corrida, será difícil ver qual a capacidade real do carro. Temos de esperar para voltar aqui na Espanha durante a temporada para ver o que somos capazes
 
Na coletiva de imprensa de ontem, Arrivabene lançou uma espécie de operação de simpatia…
 
Sim, é claro. Podem criticar a Ferrari por muitas coisas, mas é uma marca extraordinária e é uma grande equipe, que teve uma relação extraordinária com seus fãs. Devemos restabelecer essa relação de confiança e serenidade. Nós tivemos alguns anos em que não tivemos tanta sorte. Nós estamos construindo o futuro com a humildade necessária porque não vamos ganhar nada sendo arrogantes.
 
Ontem, o chefe da equipe disse que você convenceu Vettel com um telefonema. Que estratégia foi usada?
 
Nada, ele só ofereceu para que viesse até nós. Sebastian é um grande ferrarista, e não demorou muito para convencê-lo.
 
A SF15-T está andando bem aqui em Barcelona. Esperava estar melhor ou pior?
 
Eu pensava que estaríamos piores. Acho que o carro está dando resultados em linha com o que esperavam os engenheiros, mas você tem de esperar as corridas. Os testes são úteis para descobrir quais são os limites do carro, mas você tem que ir para uma corrida.
 
Ver Kimi Räikkönen com um sorriso já é um sinal positivo?
 
É um enorme passo adiante. A equipe está muito bem: eu vejo uma sensação de calma para enfrentar o futuro. Além disso, ele também está com gana porque ele quer voltar a vencer.
 
Parece haver um otimismo cauteloso após o inverno difícil…
 
O atraso ainda se faz presente. Nós entendemos as falhas, e agora temos de olhar em frente. E então tem de ver como os outros estão jogando. O importante era convencer a Comissão de F1 da necessidade de desenvolvimento no decorrer da temporada com uma interpretação das regras que estava certa. Com isso, podemos fazer alterações na unidade de energia durante a temporada. Conseguimos um resultado importante para nós.
 
A Ferrari demonstra um pouco de autoridade para ter um papel mais central na F1?
 
Nós temos um papel importante na F1, mas eu tenho o maior respeito por aquilo que a Mercedes conseguiu no ano passado: fez um trabalho maravilhoso e absolutamente incrível, Tenho vergonha de não termos conseguido fazer o mesmo.
 
A F1 não muda nada para o próximo ano, diferente da revolução prometida…
 
É bom não confundir as duas coisas, o que se pode fazer em 2015-2016 e que se pode obter para 2017. Essas mudanças que eram necessárias para 2016 criariam grandes problemas na gestão de 2015, tanto para nós quanto para a Mercedes. Decidimos abordar o pneu maior, carros mais largos e motores mais potentes para 2017. O regulamento em vigor permanece válido também para o próximo ano: mudar as regras a partir do zero, incluindo a aerodinâmica, traria enormes problemas. É fácil fazer as mudanças no papel, mas tem que fazê-los funcionar na pista.
 
 Fazia um bom tempo que não se via um presidente durante um teste da Scuderia…
 
Não sei, eu queria vir antes, mas não tinha tempo. Eu estava vendendo carros em outro lugar (risos)…
 
Está feliz com a equipe atual?
 
As equipes se formam com quem está à mesa. As portas se fecham e os músculos fazem a força que você tem. Os caras que temos são fenomenais. E eu digo a vocês que os nossos engenheiros trabalham como ninguém.  
 
Qual é a razão da marca Alfa Romeo no capô da SF15-T?
 
Ontem à noite eu estava no Museu da Ferrari. Se você for ver a história, há uma grande proximidade com a Alfa Romeo. É uma marca que nos traz de volta para o nascimento da Scuderia. As duas marcas são muito próximas.
 
Mas há um vínculo que se projeta para o futuro?
 
Talvez, quem sabe? Enquanto isso, já colocamos a marca no carro…
O SEGUNDO ROSTO

A proibição da FIA dos pilotos trocarem a pintura de seus capacetes durante a temporada atraiu críticos num primeiro momento, mas nem todos odiaram a medida. Felipe Massa é um daqueles que se mostrou favorável à ideia.

"O capacete é seu segundo rosto, não entendo o porquê de precisar mudar toda hora", disse, ganhando apoio do tricampeão Niki Lauda, chefe da Mercedes.

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