‘Sua hora vai chegar’: como chefe da Renault motivou Ocon antes de primeiro pódio na F1

Antes do GP de Sakhir do ano passado, Esteban Ocon viveu mais baixos que altos na sua temporada de retorno à Fórmula 1 e foi constantemente ofuscado por Daniel Ricciardo. Mas o francês, na esteira de uma prova insana, garantiu à equipe francesa, hoje chamada Alpine, seu melhor resultado desde o GP da Austrália de 2010

Depois de um ano de ausência forçada, Esteban Ocon voltou ao grid da Fórmula 1 na temporada 2020 como piloto da Renault. Com contrato de longa duração assinado com a equipe sediada em Enstone, o promissor francês teve ao seu lado um dos mais fortes competidores da categoria: Daniel Ricciardo. Ao longo da temporada, Esteban conviveu com problemas mecânicos e abandonou quatro vezes por conta de falhas no carro. Entretanto, a diferença de performance na comparação com o australiano foi gritante, com Daniel goleando o colega por 15 x 2 em classificações. Mesmo assim, Ocon seguiu prestigiado pela equipe chefiada por Cyril Abiteboul, responsável por uma mensagem que o francês não esquece, às vésperas do seu melhor resultado na F1.

Antes do GP de Sakhir, com 15 GPs disputados, Ocon somava 42 pontos no Mundial de Pilotos, mas Ricciardo se apresentava como um dos grandes destaques do campeonato, acumulava 102 tentos e brigava pelo quarto lugar com Sergio Pérez, então na Racing Point. O australiano havia conquistado ainda dois pódios, nos GPs de Eifel, em Nürburgring, e da Emília-Romanha, em Ímola, enquanto o melhor resultado de Esteban era o quinto lugar no GP da Bélgica.

Mas a sorte do piloto de 24 anos mudou na corrida mais surpreendente da temporada. Na esteira dos incidentes que envolveram Max Verstappen e Charles Leclerc, a trapalhada da Mercedes ao colocar os pneus reservados para Valtteri Bottas no carro de George Russell e outro pneu furado no carro do prodígio britânico, que perdeu duas chances de vencer, Pérez triunfou de forma marcante. E Ocon cruzou a linha de chegada em segundo, assegurando seu primeiro pódio na F1 e o melhor resultado da Renault desde o 2º lugar de Robert Kubica no GP da Austrália de 2010.

Francês cruzou a linha de chegada do GP de Sakhir em segundo (Foto: Renault)

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Em entrevista veiculada pela revista britânica Autosport, Ocon exaltou o papel de Abiteboul não apenas como motivador, mas também na função de tirar dos seus ombros a natural pressão por resultados na esteira das críticas que o francês de Evreux vinha sofrendo pela falta de resultados.

“Não senti a pressão de ter de fazer um resultado ou ter de fazer uma corrida incrível. Conversei com o Cyril um pouco antes da corrida [em Sakhir] e ele, mesmo nos momentos difíceis, sempre me apoiou muito e foi muito positivo. Ele sempre me deu bons conselhos, e isso é bom quando se trata do chefe que está lá antes de você entrar no carro. Significa que isso te deixa tranquilo e confiante”, disse.

Naquele fim de semana, Ocon não passou para o Q3 e largou em 11º, enquanto Ricciardo obteve a sétima colocação. Antes da largada, Abiteboul encorajou o dono do carro #31. Algo que, diante do resultado ímpar obtido 90 minutos depois, Esteban jamais vai se esquecer.

“Não tivemos uma grande classificação, mas ele veio e falou: ‘Olha, você sabe que vai ser uma corrida interessante e há uma estratégia legal pela frente. Então, você vai estar forte. Não tenha pressa, sua hora vai chegar. Boa sorte’. Foi tudo o que ele disse, mas foi muito bom”, comentou.

Ocon tirou um peso das costas com a conquista do seu primeiro pódio na F1 (Foto: Renault)

O primeiro pódio de Ocon, conquistado ao lado de Pérez e Lance Stroll, respectivamente antigo companheiro de equipe e o responsável pela sua saída da Force India — que virou Racing Point em 2018 —, é a mensagem que o francês esperava passar para a equipe, futura Alpine em 2021, de que é possível confiar na sua capacidade para enfrentar tempos difíceis, mesmo tendo neste novo ano um nome forte e histórico como Fernando Alonso.

“Portanto, não senti a pressão. Mas, obviamente, é bom, e espero que agora fique claro que a equipe pode dizer que pode confiar em mim nos momentos difíceis. Se estivermos em momentos difíceis nas corridas, posso ser forte e fazer o trabalho”, salientou.

Por fim, Ocon ressaltou a importância de ter a segurança de um contrato de longa duração, o que também ajudou a tirar a pressão por resultados imediatos.

“Foi muito importante ter a certeza do futuro, ficar estável e saber que você pode construir algo com a equipe pela qual você está pilotando. Se você tem um tempo limitado, não é bom. Você pode não ter tempo para evoluir e trabalhar de forma adequada com as pessoas à sua volta”, explicou Esteban, feliz pela forma como terminou o ano diante de tantas dificuldades que lhe foram impostas no começo da temporada 2020.

“Vimos isso, que não é fácil trocar de equipe, mesmo para quem tem experiência. E, além disso, tive um ano sabático, então tive de voltar a adquirir velocidade e também aprender a trabalhar com uma nova equipe. Portanto, estou definitivamente com o objetivo de fazer um pouco como fez Daniel no seu segundo ano, que é intensificar e seguir com o progresso que fizemos neste último ano”, acrescentou.

“Esse é, definitivamente, o objetivo. Portanto, foi importante saber sobre o meu futuro e estar estável nele”, finalizou o novo companheiro de equipe de Alonso na Alpine.

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