Táticas iguais na Espanha dão chance de saber potencial real do duelo Mercedes x Red Bull

Desta vez, a Red Bull não pode se lançar em um plano diferente para tentar surpreender a Mercedes, mas as altas temperaturas em Barcelona e a igualdade de estratégias podem conferir ao GP da Espanha um embate mais real entre as duas principais equipes do grid

Quando o fim de semana catalão da Fórmula 1 começou a se apresentar como um caldeirão fervente, imediatamente as imagens de alguns dias atrás vieram à cabeça. Além de carros se arrastando pela pista com pneus em frangalhos, ainda houve a lembrança das assustadoras bolhas na borracha usada pelos carros da Mercedes. As cenas se associaram rapidamente à expectativa de uma etapa potencialmente mais equilibrada entre os carros pretos e Max Verstappen. Afinal, é de conhecimento público a dificuldade e o temor que há nas garagens alemãs quando o assunto é o calor excessivo. Só que esse é o único elemento que pode ser considerado semelhante ao que se viu na semana passada. O ponto que destoa agora são os pneus. Lá em Silverstone, o tempero que tornou a corrida mais apimentada foi o uso de compostos mais macios. Em Barcelona, entretanto, a Pirelli decidiu por uma escolha mais acomodada e entregou os pneus mais duros da gama. A Mercedes sorriu, a Red Bull nem tanto, mas as altas temperaturas são aliadas dos taurinos.

Quer dizer, a combinação de fatores aí acabou por criar um cenário em que será possível entender melhor o real potencial desse embate entre alemães e austríacos. De novo, o ritmo de corrida e a estratégia serão armas importantes no domingo. Não se engane pelos 0s7 de diferença entre Lewis Hamilton, pole, e Verstappen, terceiro no grid, essa distância será consideravelmente menor durante a corrida em Montmeló, especialmente porque o RB16 é um carro que consome menos dos pneus, ao contrário do W11 e sua enorme carga aerodinâmica. Ainda, o desempenho em prova do holandês se equipara ao dos carros pretos. Por exemplo, nas simulações de corrida na sexta-feira, em que os termômetros registraram altas marcas como neste sábado (15), Valtteri Bottas andou em média na casa de 1min22s8, enquanto Max seguiu pouco atrás, mas melhor que Hamilton. Já com os médios, o piloto do carro #33 superou a performance da dupla da marca da estrela.

Max Verstappen é quem afronta a Mercedes (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Por isso, foi até uma surpresa perceber durante a classificação que nenhum dos três optou pelo pneu amarelo no Q2 – nem eles e nem ninguém. Parecia muito claro que o composto aguentaria bem a primeira perna da corrida, abrindo uma possibilidade para táticas diferentes. Talvez a diferença de 0s7 tenha tido um peso na decisão pelos macios no fim das contas. De importante aqui, vale dizer que, ao optarem pelos pneus vermelhos, é quase certo entender que a corrida do trio terá, ao menos, dois pit-stops. Mas, de novo, é o ritmo de prova que vai definir o vencedor.

“Embora seja bom ter os dois carros na frente, a última corrida foi um lembrete gritante de que os pontos são entregues no domingo e não importa o tamanho da diferença na pole, se você não tem ritmo de corrida terá uma tarde bem difícil”, disse Andrew Shovlin, engenheiro da Mercedes.

“Coletamos bons dados na sexta-feira e, pelo que podemos dizer, temos um ritmo muito semelhante ao de Max. Os nossos dois pilotos ficaram satisfeitos com o equilíbrio do carro em desempenho de prova, mas ainda é difícil manter a temperatura dos pneus com a pista oscilando em torno de 50°C”, completou.

O chefão da Mercedes, Toto Wolff, compartilhou a opinião de seu funcionário. “Não esperamos o mesmo problema de bolhas como em Silverstone, mas acho que enfrentaremos um desgaste maior e superaquecimento. Acredito que a Red Bull domina muito bem essas condições. Mesmo assim, acho que o trabalho que foi feito durante a semana e de ontem para hoje foi bom”, afirmou o austríaco.

“Melhoramos, e isso é o mais importante. Mas, definitivamente, Max precisa ser visto como o favorito, com base no ritmo de corrida visto ontem”, acrescentou Wolff.

Dito isso, a largada também vai ser um ponto importante. E Verstappen vai ter com quem se preocupar. Afinal, há os dois carros velozes da Racing Point, com um Sergio Pérez faminto para mostrar serviço, depois da ausência na Inglaterra. Aliás, o top-10 do grid se apresentou fortíssimo e equilibrado em Barcelona: apenas 0s1 separou Alex Albon, o sexto colocado, do guerreiro Pierre Gasly, o décimo. Todos largam também de macios, o que vai tornar a coisa ainda mais interessante se pensar que Sebastian Vettel, apesar de todo o perrengue na Ferrari, sai da 11ª posição, com a chance de escolher o melhor pneu.

Segundo a Pirelli, a fornecedora única dos compostos, e diante de como se apresenta o grid, a tática mais veloz seria a de cumprir um stint de 19 voltas com os pneus macios, depois 28 com os médios e um trecho final com os macios novamente, mas isso abre também a chance de diferentes leituras e até a adoção de três paradas.

Os pneus serão cruciais também em Barcelona (Foto: Pirelli)

“Todos os pilotos se concentraram no pneu macio na classificação, o que foi uma pequena surpresa, talvez por causa da diferença de desempenho estabelecida para o médio e do ritmo dos líderes. Isso significa que quase certamente podemos esperar duas paradas durante a corrida de amanhã, e é improvável que vejamos muito uso do composto duro, já que há uma grande lacuna de desempenho”, explicou Mario Isola, o chefe da Pirelli.

“A chave para a corrida nessas condições muito quentes será administrar o desgaste e a degradação do pneu macio. Há muito espaço para aqueles que começam mais atrás no grid para tentar algo um pouco diferente, então, esperançosamente, veremos outra corrida interessante amanhã com muitas variações de estratégia”, completou o italiano.

Uma vez mais, a Fórmula 1 vai ter de lidar com uma corrida estratégica em que o cuidado com os pneus será decisivo. Portanto, o equilíbrio deve dar o tom.

O GP da Espanha de F1 tem largada marcada para domingo a partir de 10h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e em TEMPO REAL.

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