Testes extras e apoio orçamentário: como FIA tenta brecar domínios na F1 a partir de 2026

Diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis explicou as medidas que estão sendo tomadas para ajudar as fabricantes que começarem atrás das concorrentes no regulamento que entra em vigor em 2026

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tem buscado cada vez mais meios para evitar que uma fornecedora de unidades de potência sobressaia sobre as concorrentes a partir da temporada 2026, quando um novo regulamento entra em vigor na Fórmula 1. De acordo com Nikolas Tombazis, diretor de monopostos, a entidade definiu algumas concessões para o próximo ano, como autorizações extras para desenvolvimento e até um orçamento adicional.

Em 2014, com a introdução das regras que trouxeram os motores 1.6 V6 turbo híbridos, a Mercedes despontou e dominou amplamente até 2021, levantando oito troféus do Mundial de Construtores ao longo desse período — além dos prêmios individuais, com seis de Lewis Hamilton e um de Nico Rosberg. Por isso, para impedir que algo parecido aconteça, o órgão que comanda o esporte a motor tomou algumas providências.

“Gostaríamos de ter simplificado ainda mais as unidades de potência, mas elas ainda são mais simples do que a geração atual, porque o MGU-H foi eliminado e há limites mais rígidos. Por isso, não acreditamos que as diferenças de desempenho serão tão grandes como em 2014”, começou Tombazis em entrevista ao site Motorsport-Total. “No início de um novo ciclo de regras, sempre existe o risco de haver uma diferença de desempenho inicial. Afinal, também temos novas participantes”, lembrou o dirigente.

O novo regulamento, válido entre 2026 e 2030, apresenta algumas mudanças estruturais nos motores. A parte elétrica passa a representar até 50% da força total — frente aos 20% atuais — e o combustível será 100% sustentável. As alterações atraíram novos nomes ao grid, como AudiFord (em parceria com a Red Bull) e Cadillac, do grupo General Motors.

A Mercedes dominou a F1 após a última mudança de regulamento de motores, em 2014 (Foto: Mercedes)

Por isso, as medidas criadas para minimizar a possibilidade de um novo domínio na F1 passaram a ser chamadas de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, da sigla em inglês). Desta forma, a FIA pretende determinar o desempenho médio de cada uma das fabricantes após as cinco primeiras corridas de 2026, ajudando aquelas que estiverem muito atrás das rivais.

“Quem estiver abaixo de um determinado nível — dependendo de quão longe estiver — acumula vantagens ao longo do ano”, explicou Tombazis. As regras, portanto, definem esse atraso necessário como “3% abaixo da potência máxima”, tomando como base, claro, a equipe que começar mais forte.

As vantagens incluem orçamento adicional para desenvolvimento, mais tempo na bancada de testes e uma nova homologação da unidade de potência. “Com isso, as fabricantes que estiverem atrás podem recuperar terreno mais rapidamente”, apontou o diretor da entidade.

Aquelas que precisarem e, consequentemente, tiverem o direito de tirar proveito dessas medidas poderão revisar componentes específicos da unidade de potência conforme o Anexo 3 do Regulamento Técnico. No entanto, alguns desses elementos estariam excluídos de passarem por novos aperfeiçoamentos por um tempo determinado.

Carro da temporada 2026 da F1 (Foto: Reprodução/FIA)

Mas Tombazis enfatizou que essas medidas não se tratam de um Balanço de Performance (BoP), como acontece nas competições de endurance. “Primeiro, as regras valem igualmente para todos. Não damos a ninguém mais cilindrada, mais combustível ou algo do tipo”, declarou, apontando que tais normas se fazem necessárias porque as fabricantes agora trabalham com um teto orçamentário e, por isso, não podem gastar tanto dinheiro para resolver os problemas quanto gostariam.

“Quando a Honda ficou para trás em 2016 e 2017, teve de gastar significativamente mais dinheiro por um tempo para alcançar os outros. Com um teto orçamentário, existe o risco de que nunca se consiga alcançar os concorrentes, ficando atrás durante todo um ciclo de regulamento — o que não seria justo”, sublinhou.

“Imagine que alguma equipe destrua um motor todo fim de semana — e cada motor custa dinheiro. O orçamento rapidamente se esgota, e é preciso reduzir o desenvolvimento para permanecer dentro do teto. Isso seria uma situação terrível”, analisou.

Sendo assim, o diretor da FIA finalizou dizendo que a entidade introduziu uma regra especial, permitindo que unidades de potência adicionais, a partir de uma certa quantidade, “tenham apenas um impacto mínimo no teto orçamentário”. Com isso, “queremos evitar que alguém fique preso em uma situação sem saída”.

Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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