Vergne se diz “chocado” e lamenta trapalhada com guindaste em Diriyah: “Não aprendem”
Bicampeão da Fórmula E, Jean-Èric Vergne reclamou de procedimentos adotados pela FIA no eP de Diriyah, quando guindaste fez com que pilotos parassem abruptamente e colidissem na pista
Os momentos finais da corrida 2 do eP de Diriyah, neste último sábado (29) — quando a disputa acabou sob regime de safety-car e com um guindaste na pista — renderam reclamações de alguns pilotos, entre eles o bicampeão Jean-Èric Vergne. Com pouco menos de dez minutos para o final, Alexander Sims atingiu a barreira de proteção com sua Mahindra, e o diretor de provas da FIA na Fórmula E, Scot Elkins, optou por acionar o safety-car apenas cinco minutos depois, além de permitir a entrada de um trator para a remoção do veículo.
Desta forma, a decisão desencadeou alguns efeitos. Primeiramente, o resultado da corrida acabou comprometido pois caso o SC entre na pista com menos de cinco minutos para o final, o tempo extra previsto em regulamento não é acrescido ao tempo de prova. Além disso, a remoção do carro foi feita de forma perigosa, com pilotos passando ao redor do guindaste enquanto o veículo suspendia o carro de Sims.
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Bicampeão da Fórmula E nas temporadas de 2017/18 e 2018/19, o ex-F1 Jean-Èric Vergne se disse “chocado” pela sequência de fatos no final da corrida e lamentou a parada repentina do safety-car, que causou diversas colisões entre os competidores.

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“Ainda estou chocado em ver a forma com a qual o final da corrida foi decidido”, postou o francês em seu Twitter. “Um guindaste na pista, um safety-car parando logo atrás e em uma curva cega, resultando em carros se empilhando. Nenhuma informação para nós, parece que as pessoas não aprendem com os erros do passado”, alertou.
Vergne não explicou exatamente o que quis dizer com “erros do passado”, mas não é a primeira vez que a entrada de veículos de recuperação dos carros se torna objeto de debate no alto nível do esporte a motor. Na Fórmula 1, Jules Bianchi morreu em 2014 após colidir com um guindaste que retirava a Sauber de Adrian Sutil no GP do Japão.
O halo, que sofreu fortes críticas antes de sua implementação na F1 pelo aspecto visual, foi uma das consequências do debate que se formou após o falecimento de Bianchi. Romain Grosjean e Lewis Hamilton estão entre os pilotos que já tiveram suas vidas salvas pelo apetrecho.

“O diretor de prova teve a oportunidade de vir no rádio e falar: ‘O safety-car está esperando, você vai parar na curva 3’, mas todo mundo bateu em todo mundo. Sem comunicação”, continuou o francês. “Tudo bem, estamos sob safety-car, mas alguns pilotos bateram em outros porque ninguém nos disse que teria um guindaste na pista e que teríamos que parar”, completou Vergne.
A parada repentina do safety-car antes do guindaste fez com que os pilotos precisassem frear abruptamente no grid — e nem todos conseguiram evitar contato. Jake Dennis levou a pior ao perder uma parte da asa dianteira de sua Andretti, enquanto o segundo colocado Robin Frijns colidiu com a traseira do vencedor Edoardo Mortara.
O piloto da Envision seguiu na linha de Vergne e questionou a comunicação com os pilotos durante o regime de safety-car, sem o aviso de que precisariam parar antes de chegarem ao guindaste.
“É claro, eu estava atrás de ‘Edo’ [Mortara] e de repente, o safety-car parou. Eu bati nele e a única coisa que consegui ouvir atrás de mim foi fibra de carbono quebrando”, ressaltou. “Obviamente, o guindaste estava no meio da pista e o SC tinha que parar. Acho que faltou comunicação, mas para mim havia espaço o suficiente, mesmo que tivéssemos que passar na areia”, explicou.

“Esse não era o ideal, já que todos estavam tentando limpar os pneus pois pensavam que o safety-car entraria no pit-lane em torno de duas voltas”, continuou Frijns. “Mas acho que o safety-car estava em uma posição muito complicada para sair do caminho”, completou.
Em justificativa à falta de comunicação relatada pelos pilotos, o diretor de provas da FIA na Fórmula E, Scot Elkins, alegou que sua atenção estava voltada para a resolução do problema com o guindaste. Desta forma, não conseguiu alertar as equipes sobre a parada do safety-car.
“Claro que não foi de propósito, e obviamente existe muita comunicação durante a classificação e nós falamos com todos. Mas acho que as circunstâncias me deixaram tão surpreso [a parada do guindaste], e eu tentei lidar com isso ao invés de ir ao rádio e falar para todo mundo”, admitiu. “Vou fazer um ‘mea-culpa’, acabei ficando envolvido em outras decisões e não compartilhei a informação”, encerrou.
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