Vergne surpreende e Bird implode Jaguar: a cotação da FE em Hyderabad

A Fórmula E realizou sua primeira corrida em Hyderabad no último final de semana, e Jean-Èric Vergne venceu de forma surpreendente em dia de prejuízos a vários pilotos — em especial, a dupla da Jaguar

A primeira corrida da história da Fórmula E em Hyderabad deu o que falar no último sábado (11), com uma prova bem agitada, muitas batidas, punições e um final emocionante. O eP também proporcionou alívio para alguns pilotos que estavam tendo um começo de temporada difícil — principalmente o vencedor, Jean-Éric Vergne — e puderam sair da Índia um pouco mais felizes — ainda que a situação não tenha mudado tanto assim.

Por outro lado, as atividades na pista indiana trouxeram prejuízos a vários pilotos. Muitas punições foram distribuídas, e o foco principal dos comissários foi com o desrespeito aos limites de pista — Lucas Di Grassi, Jake Dennis e Stoffel Vandorne sofreram com isso.

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Uma das punições distribuídas pela direção de prova, inclusive, envolve um fato curioso: Sébastien Buemi sofria com problemas na bateria de sua Envision e não podia aproveitar a potência total do carro, mas mesmo assim foi punido por exceder o limite imposto de 300 kW. A equipe já pediu um esclarecimento à FIA sobre o assunto.

Após cada fim de semana de corrida, o GRANDE PRÊMIO faz a cotação dos pilotos na Fórmula E, com cinco competidores em alta e cinco em baixa. A seguir, confira os escolhidos após a estreia da categoria em Hyderabad, na Índia.

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Polegar para o alto

Jean-Èric Vergne

Vergne venceu a primeira no ano (Foto: Fórmula E)

O fim de semana em Hyderabad trouxe um refresco que Jean-Èric Vergne estava precisando no campeonato. Ou melhor: o francês aproveitou todas as circunstâncias para se sobressair no fim. O único bicampeão da história da categoria passou para a final da classificação sem vencer um duelo sequer, após Edoardo Mortara, René Rast e Sam Bird serem eliminados por excederem os limites de pista.

Após uma derrota previsível para a Jaguar de Mitch Evans, Vergne se colocou na primeira fila, em posição de atacar qualquer problema por parte do neozelandês. E ele veio: Sam Bird abalroou o próprio companheiro de equipe e deixou o caminho aberto para o francês, já que Pascal Wehrlein buscava ganhar posições no grid e Jake Dennis viu sua corrida ir pelos ares após levar uma batida de René Rast.

Na reta final da corrida, a cereja do bolo: em uma disputa emocionante, Vergne segurou Nick Cassidy — que tinha 4% a mais de bateria — até o fim, em um dos finais mais eletrizantes da categoria. Apesar de toda a felicidade, entretanto, o francês admitiu a falta de ritmo da DS Penske e reconheceu que a vitória pode ter sido um ponto fora da curva.

Nick Cassidy

Cassidy fez seu melhor fim de semana da temporada, caçando Vergne até o fim (Foto: Fórmula E)

Como citado no tópico anterior, Nick Cassidy ofereceu perigo a Vergne até os últimos metros. Apesar de não ter conseguido vencer, o piloto da Envision surgiu como uma grata surpresa na Índia, e vale destacar também que não passou para a parte final da classificação por apenas 0s001. Com toda a certeza, foi seu melhor fim de semana até aqui.

Como ponto negativo, vale destacar o fato de ter terminado a corrida com 2% de bateria restantes. Ainda que a capacidade de guardar energia de Cassidy tenha sido louvável na Índia, o neozelandês demorou demais para atacar a liderança de Vergne e viu a vitória ficar com o francês — que completou a disputa sem bateria.

Sérgio Sette Câmara

Em uma corrida, Sette Câmara somou o equivalente a cinco vezes sua pontuação de 2022 (Foto: NIO 333)

Sérgio Sette Câmara viveu um misto bastante intenso de emoções no eP de Hyderabad, com uma classificação decepcionante e uma corrida que trouxe o melhor resultado do brasileiro na temporada. O mineiro acabou atrapalhado na sessão classificatória por Pascal Wehrlein — punido pelo incidente com três posições no grid de largada — e admitiu a frustração, já que o ritmo dava margem a sonhos mais altos.

Na corrida, entretanto, tudo se pagou. Sette Câmara largou em 15º e galgou dez posições, entre ultrapassagens, batidas e punições, para garantir dez pontos para a NIO de uma só vez com o quinto lugar. Para efeito de comparação, já é cinco vezes o que o piloto conseguiu fazer em todo o ano passado com o conjunto limitado da Dragon.

António Félix da Costa

O eP de Hyderabad proporcionou o primeiro pódio do ano para Da Costa (Foto: Porsche)

Outro piloto que estava passando por um início de campeonato complicado era o português António Félix da Costa. O campeão da temporada 2019/2020 só havia pontuado na estreia, na Cidade do México, mas surgiu comendo pelas beiradas em Hyderabad, ganhou dez posições em relação ao grid de largada e foi ao pódio, na terceira colocação. Em seu primeiro ano com a Porsche, o piloto ainda busca a adaptação ideal — e a Índia trouxe seu melhor resultado em 2023.

Oliver Rowland

Rowland conseguiu um ótimo quarto lugar em Hyderabad com sua Mahindra (Foto: Fórmula E)

Em todas as cotações do ano até aqui, Oliver Rowland esteve na seção daqueles que foram mal. No entanto, o britânico virou o jogo em Hyderabad e merece elogios dessa vez. O companheiro do brasileiro Lucas Di Grassi soube aproveitar boas oportunidades para ganhar posições e chegou a estar em quarto na corrida, mas a sexta posição — após um começo de campeonato apagado — é digno de menção honrosa, ainda mais na primeira corrida da Mahindra em casa na Fórmula E.

Polegar para baixo

Sam Bird

Sam Bird teve um fim de semana para esquecer (Foto: Fórmula E)

O fim de semana de Sam Bird não poderia ter terminado de maneira pior. Além da desclassificação no treino classificatório, com sua volta deletada nas quartas de final por exceder os limites de pista, o britânico cometeu um erro classificado pelo novato Sacha Fenestraz, da Nissan, como “inaceitável” na corrida.

Em um movimento equivocado para ultrapassar o francês, o britânico atingiu em cheio a Jaguar do companheiro Mitch Evans e levou os dois para fora da pista, além do próprio Fenestraz e de Maximilian Günther, da Maserati. Bird, naturalmente, despertou a ira do neozelandês, que tinha boas chances de vencer a corrida. Em uma tentativa de ultrapassagem, Sam acabou com o fim de semana do time inglês.

René Rast

Rast teve um começo promissor, mas não terminou a corrida em Hyderabad (Foto: Fórmula E)

René Rast tinha tudo para dar prosseguimento à boa fase após o pódio em Diriyah, mas o dia caótico da McLaren não passou ileso pelo alemão. Assim, como seu companheiro Jake Hughes, o piloto foi eliminado da classificação e precisou fazer uma corrida de recuperação, mas estourou a traseira da Andretti de Jake Dennis e abandonou a disputa devido aos danos.

Jake Hughes

Hughes também não teve um bom fim de semana (Foto: Fórmula E)

O primeiro dia ruim viria em algum momento, e o próprio Jake Hughes já havia avisado. E ele veio em Hyderabad. Primeiro, a McLaren não respeitou o tempo mínimo de parada nos boxes durante a classificação e viu seu piloto ser eliminado na fase de grupos. Durante a corrida, detritos presentes na pista danificaram um dos retrovisores do carro, e o britânico estampou o muro para encerrar um fim de semana terrível. Agora, resta a Jake mostrar que consegue dar a volta por cima na Cidade do Cabo.

Edoardo Mortara

Apesar de pontuar com a asa dianteira quebrada, Mortara poderia ter evitado o erro recorrente que evitou ter um fim de semana melhor (Foto: Maserati)

Por um lado, Edoardo Mortara ainda tem algo a comemorar pelo resultado final da corrida, já que conseguiu pontuar mesmo após quebrar a asa dianteira e passar algumas voltas se arrastando, até que ela se soltasse na pista. No entanto, o que ‘classificou’ o suíço para estar nesta lista foi justamente o momento do acidente. O piloto da Maserati já havia atingido a traseira da NIO de Dan Ticktum no TL1 e repetiu o equívoco na corrida, desta vez com Nick Cassidy. Por sorte, não prejudicou o neozelandês, mas custou um fim de semana que poderia ter sido muito melhor aproveitado pelo time italiano

Maximilian Günther

Gunther terminou o eP de Hyderabad em 13°, sem pontos (Foto: Maserati)

Não seria justo colocar Kelvin van der Linde entre os escolhidos do “polegar para baixo”, pois o sul-africano sofre com a falta de adaptação na categoria e apenas ‘tapa o buraco’ do titular Robin Frijns. Por isso, cabe uma observação para o outro piloto da Maserati, Maximilian Günther. O alemão viu Mortara, seu companheiro de equipe, se arrastar na pista durante longas voltas — até que a asa dianteira de seu carro se soltasse, após a colisão com Cassidy.

Mesmo no fundo do pelotão, o suíço aproveitou as punições para somar um ponto com o décimo lugar, enquanto Günther mais uma vez saiu zerado, em 13º. Ainda que tenha sido envolvido no acidente entre as duas Jaguar, perdeu muito menos tempo do que Mortara e ainda assim terminou atrás. O Günther da pré-temporada simplesmente não apareceu ainda no campeonato.

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